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 Marcas do Movimento Pentecostal Moderno

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MensagemAssunto: Marcas do Movimento Pentecostal Moderno   12/28/2007, 15:45



MARCAS DO MOVIMENTO PENTECOSTAL MODERNO

Por Helmut Kienitz, batista
Membro da 1ª Igreja Irm. Men. de Curitiba

  A heresia carismático-pentecostal está se adentrando cada vez mais também nas igrejas que até há pouco estavam firmemente fundadas na Palavra de Deus. É que a tibieza geral na cristandade nas últimas décadas tem levado muitas pessoas à procura de uma vida cristã mais autêntica, mais dedicada, plena de gozo, satisfação, paz e vitórias. E são estas pessoas, de certa forma bem intencionadas, que muitas vezes caem inadvertidamente nas armadilhas do “engano da injustiça” (2Tm.2:10), acreditando que a nova espiritualidade oferecida pelo movimento carismático-pentecostal seja a solução para sua vida espiritual insípida. Pode até parecer um paradoxo: pessoas, que procuram a verdade e a vida, acabam caindo no engano. É que essas pessoas não são sinceras consigo mesmas; não realizaram na sua vida o que Jesus disse em João 15:5: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”, e culpam a sua igreja pelo vazio espiritual que sentem. Não percebem que a solução bíblica para seus problemas seria humilhar-se diante de Deus: arrepender-se das suas faltas e negligências, e pedir perdão; e depois colocar sua vida no altar de Deus, em vez de correr atrás de sinais e milagres. Pensam que o que lhes é oferecido à revelia da solução bíblica, sob a forma de sinais e milagres, seja um retorno mais rápido, mais fácil e mais cômodo à vida exuberante da igreja primitiva, quando o poder de Deus se manifestava na igreja através de sinais e prodígios. A igreja primitiva testemunhava no poder do Espírito Santo e louvava a Deus; e “o Senhor acrescentava-lhes, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At.2:47). Que belo exemplo da igreja primitiva! Quem não gostaria de participar de uma igreja como essa?!

  Depois há os que por ingenuidade caem nas armadilhas do movimento carismático-pentecostal, pensando que o “circo” montado por ele seja vida cristã autêntica conforme a Bíblia.

  E finalmente há os promovedores do movimento, que, sabendo que o povo em geral procura “circo” e sensacionalismo, os oferecem em roupagem religiosa, para atrair as massas. Com as massas ganham o dinheiro, que no fundo parece ser o objetivo principal deles.

  Ofuscadas pelas aparências enganosos do movimento carismático-pentecostal, as pessoas enganadas não percebem a enorme diferença entre a igreja primitiva e o movimento carismático-pentecostal, e se deixam iludir.

  Proponho-me a apontar à seguir algumas marcas do movimento, e de quem dele participa, tão diferentes das que encontramos na igreja primitiva.

  1 Falam muito do Espírito Santo e pouco de Jesus Cristo; muito do seu pretenso batismo com o Espírito Santo e pouco da sua conversão e regeneração; muito dos dons do espírito que receberam e pouco do dom inefável da graça do perdão dos seus pecados; muito das suas experiências no Espírito e pouco da sua preocupação com a santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor”; muito da libertação e pouco da transformação de vida. Empenham-se muito para obter os dons sobrenaturais, tais como: dom de línguas, de cura e de exorcismo; e negligenciam o “caminho sobremodo excelente”, que é o amor divino (ver 1Cr.13).

  2 A base das suas crenças e convicções é a experiência: as “manifestações do espírito” experimentadas ou presenciadas, as emoções sentidas e as supostas “revelações e profecias” recebidas por eles próprios ou pelos seus líderes.

  3 Estão sempre à procura de novas “experiências espirituais” inéditas, percorrendo, às vezes, grandes distâncias para ouvir as palavras e presenciar os milagres de grandes líderes carismático-pentecostais. Por exemplo, as peregrinações recentes a Toronto, para adquirir a bênção de Toronto. Este tipo de experiências perdem o gosto muito rapidamente, daí a contínua procura por novas experiências. As experiências que fazemos com Deus, no entanto, nunca perdem o gosto. É muito comum entre eles ouvir: “Nós queremos mais; já não nos contentamos com as coisas antigas e com a tradição da igreja.” Querem mais do Espírito Santo, quando o certo seria eles deixarem o Espírito Santo ter mais espaço na vida deles.

  4 Falta-lhes o verdadeiro respeito pela Palavra de Deus. Usam a Bíblia mais como enfeite religioso, carregando-a às reuniões, e também para comprovar suas crenças e convicções pré-concebidas, com versículos selecionados; mas não se interessam muito pelo que ela diz. Consideram-na seu servo, em vez de, como devia ser, eles serem servos da Palavra de Deus. Sentem-se acima da Palavra de Deus. Preferem contar e ouvir testemunhos de experiências em vez de ouvir uma mensagem da Palavra de Deus. Jesus, porém, disse inequivocamente: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, (Jo.8:31–32).

  5 São muito ávidos de poder e autoridade. Usam o nome de Jesus como meio para obter este poder e esta autoridade almejados. Tentam, muitas vezes inconscientemente, tomar o lugar de Jesus: eles abençoam, em seu próprio nome, nos serviços da igreja, eles curam, eles repreendem, amarram e expulsam demônios, eles…, eles…, eles… Jesus fica como mero expectador.

  6 Falam muito do amor de Deus, mas dificilmente da santidade e da justiça de Deus; muito de tolerância e de reconciliação, e pouco da verdade e do juízo. São muito ecumênicos; aceitam pessoas de qualquer religião, desde que se submetam ao seu batismo com o espírito e às práticas dele decorrentes. Não dão valor à sã doutrina bíblica, à disciplina na igreja e ao andar na verdade e na luz; tudo deve ser superado com tolerância e amor, desde que sua falsa doutrina sobre o Espírito Santo seja preservada. É o amor separado da verdade, que não vem de Deus. Não dão muito valor ao arrependimento, que segundo a Bíblia é indispensável para que Deus possa transformar uma pessoa. No lugar do arrependimento introduziram um “quebrantamento” periódico, que é muito parecido com a confissão católica, onde os pecados são confessados sem arrependimento. O pecado, no entender deles, é obra do Diabo, e para alguém se livrar do pecado, o autor, isto é, um demônio precisa ser expulso, e pronto.

  7 Manifestam sua piedade essencialmente nas suas celebrações e nos seus “cultos de louvor e adoração”, com gestos, canto de corinhos com palmas, movimentos e muito barulho; palavras de ordem ensaiadas, tais como: aleluia, graças a Deus, amém, ó Senhor, em nome de Jesus e outras mais, intercaladas a qualquer momento; e com muitos testemunhos, geralmente de bênçãos referentes a curas e a bens materiais recebidos. Fazem-no em lugar de adorar a Deus em Espírito e em verdade, ouvir, estudar e pregar a Palavra de Deus, nos cultos, e viver uma vida santificada no dia a dia na família, no lugar de trabalho, no lazer, nos seus negócios e no relacionamento interpessoal em geral. No Brasil justificam seus cultos movimentados e ruidosos, afirmando que são expressões da cultura brasileira ou latina; e para ganhar as pessoas (para quem ganham-nas?), devemos aceitar essas manifestações culturais. Têm um estranho entendimento de avivamento: o barulho é o critério; quanto mais ruidoso o culto, mais avivada a igreja é. Essa explicação não corresponde à realidade. É cultura carismático-pentecostal mesmo e não cultura brasileira, pois na América do Norte, na Europa e até entre os esquimós, perto do pólo norte, os cultos do movimento são tão ruidosos como no Brasil, ou até mais. O povo brasileiro é geralmente mais alegre e extrovertido que os povos europeus, mas, justiça seja feito, em relação aos serviços religiosos a cultura brasileira tem muito respeito e reverência. Se dependesse da cultura brasileira, teríamos cultos ordeiros e reverentes.

  8 São vaidosos; sentem-se superiores ao cristão comum, por terem sido batizados com o Espírito Santo, segundo eles. Por isso passaram a ser chamados, jocosamente, de “supercrentes”. De acordo com a Bíblia, porém, não existe cristão sem ter sido batizado com o Espírito Santo, pelo próprio Deus.



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