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 O Sábado Confirmado no Novo Testamento

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Marllington Klabin Will
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MensagemAssunto: O Sábado Confirmado no Novo Testamento   12/24/2007, 08:35



O SÁBADO CONFIRMADO NO NOVO TESTAMENTO

Por Guilherme Stein Jr.
Adaptado por Marllington Klabin Will
      “Portanto fica ainda um repouso no sétimo dia para o povo de Deus. (tradução literal de Hebreus 4:9)
  Algumas pessoas dizem que todos os mandamentos do decálogo foram reeditados no Novo Testamento e que o sábado foi inteiramente esquecido, e por isso não é mais válido. Porém, os leitores superficiais não sabem que Hebreus 4 oferece uma excelente confirmação da vigência do sábado na nova aliança; capítulo, aliás, muitas vezes citado para provar o contrário do que ele ensina de fato.

  O apóstolo reporta-se nele ao exemplo de Israel no deserto, que deixou de entrar no repouso de Deus da salvação por Cristo por descrer do evangelho que lhe fora pregado como também o é a nós (vs.2), e dele tira uma lição importante para os que, como Israel, têm uma oportunidade de pela fé no evangelho entrar nesse repouso prometido, advertindo seriamente contra semelhante exemplo de incredulidade.

  No capítulo 4, tanto no verso 3 como nos versos subseqüentes, com exceção do verso 9, a palavra aqui traduzida como “repouso” é o grego katápausis ( καταπαυσις ), substantivo do verbo katapaúo ( καταπαυω ), que significa propriamente “término de alguma coisa”, sendo uma evidente alusão ao término por parte de Deus das Suas obras no sétimo dia, a qual o sábado do sétimo dia tem por fim comemorar. Esse katápausis de Deus no sétimo dia é um tipo do repouso de Deus, em que o crente entra pela fé em Cristo, implicando o término das obras do pecado ou das próprias obras. A palavra katápausis (substantivo) ocorre sete vezes (3:11,18 / 4:1,3,5,10,11) e a palavra katapaúo (verbo) ocorre duas vezes (4:4,8).

  É a relação deste repouso com o repouso de Deus no sétimo dia que o apóstolo estabelece nos versos seguintes, para daí tirar uma lição definitiva a respeito da continuidade da observância do sábado na nova dispensação por parte dos cristãos:
      Porque nós os que temos crido, entramos no repouso (katápausis), como disse: ‘Portanto jurei na Minha ira (falando dos que permaneceram incrédulos) que não entrarão no Meu repouso’ (katápausis, ou cessação das obras); posto que já as Suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo (Hb.4:3).
  O raciocínio aí contido é o seguinte: Deus relaciona este Seu repouso (katápausis, ou cessação das obras) com o Seu repouso ou cessação das obras no sétimo dia da criação, e diz, com relação àqueles que não creram, que não entrarão neste Seu repouso, “posto que as Suas já obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo.” (vs.3).
      porque em certo lugar (Deus) disse assim do dia sétimo: ‘E repousou (katépausen, pretérito do indicativo do verbo “cessar”, isto é, “cessou”) Deus de todas as Suas obras’. E outra vez neste lugar: ‘Não entrarão no Meu repouso (katápausis, ou seja, na Minha “cessação das obras”).” (vs.4–5).
  Essa “cessação das obras” é que o sábado continuamente lembra e comemora. Sendo esse katápausis o tipo do repouso de Deus em Cristo, memorado pelo repouso do sábado, nós, pela fé, devemos entrar nele à imitação de Deus, isto é, cessando das nossas próprias obras, como Deus cessou das Suas no sétimo dia da criação.

  O fato de aqueles, a quem primeiro foi evangelizado, não terem entrado nesse repouso, “por causa de sua desobediência”, é a prova que estabelece o apóstolo de que “resta que alguns entrem nele”, e “que nós, os que temos crido, entramos neste repouso” (vs. 6 e 3). A exclusão desse repouso atingiu, pois, somente aqueles que foram incrédulos e desobedientes.
      A quem jurou que não entrariam no Seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa de sua incredulidade (vs.18–19).
  Em que consistiu essa desobediência e essa incredulidade Deus o revela pela boca do profeta:
      E dei-lhes os Meus estatutos, e lhes mostrei os Meus juízos, os quais, se os fizer o homem, viverá por eles. E também lhes dei os Meus sábados para que servissem de sinal entre Mim e eles; para que soubessem que Eu sou o Senhor que os santifica (Ez.20:12).
  Veja bem, na obediência a esses mandamentos estava para eles a vida e o repouso em Deus (Is. 48:18); como porém não pudessem guardá-los de si mesmos, Deus lhes deu os Seus sábados, que lhes deviam continuamente lembrar Aquele que os santifica, e que, remindo-os dos seus pecados, os podia fazer cessar das próprias obras como Deus cessou das Suas no sétimo dia. Eles, porém, não creram:
      Mas a casa de Israel se rebelou contra Mim no deserto, não andando nos Meus estatutos, e rejeitando os Meus juízos, os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles: e profanaram grandemente os Meus sábados; e Eu disse que derramaria sobre eles o Meu furor no deserto para os consumir (Ez.20:11–13).
  A mesma experiência se repete depois deles com os filhos, e com idêntico resultado:
      Disse a Seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis os seus juízos, nem vos contamineis com os seus ídolos. Eu sou o Senhor vosso Deus; andai nos Meus estatutos, e guardai os Meus juízos, e fazei-os, e santificai os Meus sábados, e servirão de sinal entre Mim e entre vós para que saibais que Eu sou o Senhor vosso Deus. Mas também os filhos se rebelaram contra Mim, e não andaram nos Meus estatutos, nem guardaram os Meus juízos para fazê-los, os quais, fazendo-os o homem, viverá por eles; também profanaram os Meus sábados; e Eu disse que derramaria sobre eles o Meu furor, para cumprir contra eles a Minha ira no deserto. Porém retirei a Minha mão, e obrei por amor do Meu nome, para que não fosse profanado perante os olhos das nações, perante cujos olhos os fiz sair (Ez.20:18–22).
  Estes foram finalmente introduzidos por Josué no repouso material de Canaã, falhando, porém, uma grande parte deles de entrar no repouso espiritual em que Deus se propunha introduzi-los por Cristo. Os quarenta anos da travessia no deserto foram para Israel o dia da salvação, a oportunidade de entrar no repouso de Deus, para o qual o sábado continuamente os apontava, dando-lhes a conhecer o seu Criador e Redentor, que lhes foi evangelizado como também o é a nós, mas que eles rejeitaram por sua incredulidade, rebelando-se contra Ele.

  Continua o apóstolo:
      Visto pois que resta que alguns entrem nele, (Deus) determina outra vez um certo dia (isto é, uma nova oportunidade de salvação), a que chama ‘Hoje’, dizendo por Davi muito tempo depois, como está dito: ‘Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações como na provocação, no dia da tentação no deserto (vs.7–8).
  Esse dia não se limita, como já o fizemos notar, a um período de quarenta anos, como o dia da prova de Israel no deserto, mas compreende, segundo o mesmo apóstolo, a “cada dia” (vs.13) durante o tempo que durar a graça de Cristo e a voz dessa graça for ouvida, convidando ao repouso de Deus, do qual o sábado foi feito um memorial eterno. Ora, se, como daí naturalmente conclui o apóstolo, “ainda resta que alguns entrem neste repouso”, é claro que também o sábado do sétimo dia, o tipo desse repouso, que continuamente o proclama e para ele aponta, deve continuar a ser observado. É o que o apóstolo concludentemente afirma nestas palavras:
      Portanto resta ainda um repouso para o povo de Deus (vs.9).
  Veja, não apenas “um repouso”, como erradamente algumas versões rezam, pois se o intuito do escritor fora exprimir a idéia geral do repouso, como nos versículos anteriores, ter-se-ia servido aqui da palavra katápausis, que corresponde a essa idéia. Ao em vez disto, porém, ele muito conscientemente se serve da palavra sabbatismos ( Σαββατισμός ), substantivo do verbo sabbatizo ( Σαββατιζω ), que significa “guardar ou observar o sétimo dia”, devendo, pois, em vez de repouso, traduzir-se “observância do sábado”, que é a acepção própria e legítima dessa palavra segundo os mais autorizados lexicógrafos e lingüistas, rezando a conclusão do apóstolo como segue literalmente:
      Portanto fica ainda um repouso no sétimo dia para o povo de Deus (tradução literal de Hebreus 4:9).
  A atualização da versão de João Ferreira de Almeida fez uma tentativa de passar o sentido original:
      Portanto resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus”.
  Mas a tradução que mais se aproxima do sentido no original é a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, que assim reza:
      Assim ainda fica para o povo de Deus um descanso, como o descanso de Deus no sétimo dia”.
  Havendo mostrado nos versos precedentes que katápausis, aplicado ao repouso de Deus, no qual entramos pela fé em Cristo, se relaciona com o repouso de Deus do sétimo dia, “posto que as Suas obras já estivessem acabadas desde a fundação do mundo” (vs.3), e que alguns por sua incredulidade deixaram de entrar nesse repouso, embora ele lhes fosse evangelizado como também o é a nós, sendo-lhes dado o sábado como um sinal expresso do seu Criador e Redentor, o qual continuamente devia lembrar-lhes e apontá-los para esse repouso, o apóstolo conclui que “ainda resta que alguns entrem nele”, pelo que também Deus depois disto determinou uma nova oportunidade de salvação ou de entrada nesse katápausis de Deus.

  Ora, como a entrada nesse repouso de Deus implicava necessariamente uma memoração constante desse repouso, que consistia na fiel observância do sábado, tão solenemente inculcado a Israel no deserto, mas que este por sua incredulidade desprezou e profanou, falhando por isso de entrar no repouso com que o sábado lhe acenava, o apóstolo Paulo muito naturalmente conclui que, como resta que alguns entrem nesse katápausis, também resta ipso facto um sabbatismos, (isto é, uma observância do sétimo dia) para o povo de Deus. E esta sua conclusão lógica ele a corrobora ainda com a declaração enfática que constitui a condição sine qua non da legítima observância do sábado, dizendo:
      Porque aquele que entrou no seu repouso (e aqui torna a empregar a palavra katápausis, a única de que sempre se serve para exprimir esse estado de repouso em Deus pela cessação das obras do pecado), também ele repousou (katépausen, pretérito do indicativo, “cessou”) das suas (isto é, das próprias) obras, como Deus das Suas.
  E termina com esta admoestação solene:
      Procuremos pois entrar naquele repouso (o qual o sábado tipifica), para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência (vs.10–11).
  “Procurar” pressupõe um esforço com um fim determinado em mente. Esse fim é o repouso (katápausis) de Deus, no qual resta que alguns entrem. A estes cumpre, portanto, ter em mira esse katápausis pela observância do sabbatismos que o tipifica e comemora. Este repouso é o sábado do sétimo dia. Portanto fica ainda um repouso no sétimo dia (sabbatismos) para o povo de Deus que aspira entrar no repouso (katápausis) de Deus.


Obs.: Dúvidas quanto a lexicografia dos termos no original, consultar o “Greek-English Lexicon”, de Henry George Liddel e Robert Scott, 8ª ed. (1897), American Book Company, New York.


Fonte: Guilherme Stein Jr., “O Sábado ou o Repouso do Sétimo Dia”, cap. 7, p. 106–109. Adaptado.



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MensagemAssunto: RESUMO   12/24/2007, 08:57

RESUMO


  Em Hb. 4, com exceção do vs. 9, “repouso” é o grego katápausis, substantivo do verbo katapaúo, que significa “término de alguma coisa”, sendo uma alusão ao término das obras de Deus no sétimo dia da criação, o qual o sábado tem por fim comemorar. A palavra katápausis ocorre sete vezes (3:11,18 / 4:1,3,5,10,11) e a palavra katapaúo ocorre duas vezes (4:4,8). Esse katápausis de Deus no sétimo dia é uma sombra do repouso de Deus, em que o crente entra pela fé em Cristo, implicando o término das obras do pecado ou das próprias obras. É a relação deste repouso com o repouso de Deus no sétimo dia que o apóstolo estabelece para concluir que o sábado está vigente na nova aliança.

  O sábado continuamente lembra e comemora o repouso de Deus na criação. Sendo esse katápausis a sombra do repouso de Deus em Cristo, simbolizado pelo repouso do sábado (Gn.2:1–3 / Ex.20:8–11), nós, pela fé, devemos entrar nele à imitação de Deus, isto é, cessando das nossas próprias obras, como Deus cessou das Suas no sétimo dia. “Portanto resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus” (vs.9).

  Não apenas “um repouso”, como erradamente algumas versões rezam, pois se o intuito do autor fora exprimir essa idéia, iria se servir aqui da palavra katápausis. Ao em vez disto, ele muito conscientemente se serve da palavra sabbatismos, substantivo do verbo sabbatizo, que significa “guardar ou observar o sétimo dia”. Portanto, em vez de “repouso”, deveria ter-se traduzido “observância do sábado”, que é a acepção própria e legítima dessa palavra segundo os mais autorizados lexicógrafos e lingüistas, rezando a conclusão do apóstolo como segue literalmente:
      Portanto fica ainda um repouso no sétimo dia para o povo de Deus
  Como a entrada nesse repouso de Deus implica uma lembrança constante, que consiste na observância do sábado, o autor conclui que, como resta que alguns entrem nesse katápausis, conseqüentemente também resta um sabbatismos, (isto é, uma observância do sétimo dia) para o povo de Deus. Esta conclusão ainda é corroborada com a declaração enfática do que constitui a condição essencial da legítima observância do sábado (vs.10–11).

  Quando as pessoas sinceras descobrem o evangelho, o sábado torna-se um constante lembrete de descansar da infindável luta. É tão natural e humano tentar conquistar nossa salvação pelas nossas próprias obras. Precisamos de um lembrete de que a primeira obra do cristão é repousar na obra que Jesus já realizou por nós. Por isso o sábado, sendo também memorial da redenção, é como uma vacina contra a tentativa de salvação pelas obras, pois nos lembra constantemente de descansarmos na graça de Cristo!

  Portanto fica ainda um repouso no sétimo dia (sabbatismos) para o povo de Deus que aspira entrar no descanso (katápausis) prometido por Deus. Pois aquele que entrou no descanso de Deus, esse também descansou de suas obras no sétimo dia, assim como Deus das Suas na semana da criação. Procuremos entrar naquele descanso!



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MensagemAssunto: Re: O Sábado Confirmado no Novo Testamento   1/1/2008, 23:16

Graça e Paz, irmãos!
Tudo bem com vocês?


Hebreus 3 e Hebreus 4

Há alguns meses, dediquei um tempo para estudar com calma e seriedade o contexto de Hb 3 e Hb 4, e como a Bíblia deve ser discernida espiritualmente, a oração, antes de analisar o contexto proposto, foi essêncial.
Abaixo publico o estudo particularmente feito, ponto a ponto, afirmação por afirmação, detalhe por detalhe. Já os publiquei em outros fóruns, e penso ser proveitoso peblicar aqui também. Peço tão somente, que os irmãos julguem a veracidade/coerencia das conclusões do estudo, e deixem seu parecer.

Hb 3:7-11
Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação
[Dt 32:51], no dia da tentação [Ex 17:7 / Dt 6:16 / Dt 9:22 / Dt 33:8] no deserto, onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos. Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos. Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso [Nm 14:21-23].
*
Os versos de 7 a 11 de Hb 3 é a citação dos versos de 7 a 11 do Sl 95 [coincidência?]. Essa Passagem do AT é empregada pelo escritor de Hebreus como Base de seu raciocínio. Tal Passagem tem alguns pontos a serem considerados:
1 - O fato de o escritor ter mencionado a expressão "assim, pois, como diz o Espírito Santo" deve-se ao fato de que, ao citar tal Salmo, ele tinha a convicção que "o Espírito do SENHOR tinha falado por intermédio de Davi, e a Sua Palavra tinha estado na língua dele" (2Sm 23:1-2).
2 - O evento em que o Texto do Sl 95 se refere é o de quando o povo murmurou por água (Nm 20:2-5) e Moisés, descrente que saísse água da rocha (Nm 20:10. 12), feriu a rocha duas vezes (Nm 20:11). Pelas suas constantes revoltas no deserto, DEUS jurou que os que duvidavam de Seu poder (Nm 14:11) não entraria em Canaã (Nm 14:21. 30).
3 - A palavra "descanso" do vs. 11 vem da palavra grega "katapausis" e aparece 8 vezes nas Escrituras do NT (At 7:49 / Hb 3:11. 18 / Hb 4:1. 3. 5.10-11). Por ser uma transliteração da palavra hebraica "m@nuchah" do verso 11 do Sl 95, a palavra "katapausis" não está relacionada à palavra grega "sabbaton", comumente relacionada ao sábado, o sétimo dia da semana. Como bem se nota, o "descanso" a qual o SENHOR jurou que eles não entrariam era a Terra Prometida, e não o sábado do sétimo dia, pois se o fosse tais rebeldes não teriam que guardar o sábado (Ex 20) logo após o "dia da provocação" (Ex 17).

Hb 3:12-14
Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos.

*
Nos versos de 12 a 14 de Hb 3, o escritor faz uma advertência aos leitores da carta, tomando por base a incredulidade do povo nos tempos de Moisés; para não serem incrédulos como fora o povo de outrora. Para estimular a fé, o escritor diz que deve-se haver exortação mútua e diária; e essa exortação não dever ser adiada para 'amanhã', mas deve ser feita imediatamente, ou seja, "Hoje", pois essa firme confiança indica que "temos nos tornado participantes de CRISTO".
O ponto a se notar nesse Trecho é sobre a palavra "Hoje", que se refere ao momento presente. E tal palavra não se refere a nenhum tipo de "descanso", mas tão-somente está relacionada com a "exortação mútua".

Hb 3:15-19
Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação. Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade.

*
Nos versos de 15 a 19 de Hb 3, vemos uma ênfase no resultado gerado pela incredulidade do povo de Israel, ou seja, a perda da oportunidade de entrarem no descanso de DEUS, a Terra Prometida.
O escritor, além de mencionar a incredulidade do povo como motivo de tal juramento feito por DEUS, ele menciona também outras características do povo que não agradaram a DEUS; entre elas, a rebeldia (vs. 16), o pecado (vs. 17) e a desobediência (vs. 18), que, vistas de um ângulo geral, resumem-se em não terem feito a Vontade de DEUS, dentre tal pode-se mencionar a desobediência às Leis e aos Mandamentos de DEUS já existentes bem antes do Sinai (Ex 16:4. 28).
É bom ressaltarmos que, mais uma vez, vemos o "descanso de DEUS" como sendo a "entrada em Canaã".

Hb 4:1-3
Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado. Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram. Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo.

*
Nos versos de 1 a 3 de Hb 4, notamos a menção de três detalhes importantes:
O primeiro ponto é que o Texto diz que "nos foi deixada a promessa de entrar no descanso de DEUS", e esse "descanso", como vimos nos versos anteriores, era o próprio deleite na terra de Canaã. Abraão e seus descendentes peregrinaram nessa terra (Gn 47:9), incluindo os israelitas (1Cr 29:15 / Hb 11:13). Mas surge a pergunta: DEUS nos deixou a promessa de entrarmos na terra que o povo israelita entrou? Literalmente não, pois vemos que o próprio autor de Hebreus usa a "entrada na terra prometida" [a "pátria terrestre"] para referir-se à uma "pátria superior, isto é, celestial" (Hb 11:15). Assim, fica fácil entender que nos foi prometida a "entrada na Canaã Celestial", uma cidade "que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador" (Hb 11:10), e como Paulo escreveu aos gentios de Filipos, "a nossa pátria está nos céus" (Fl 3:20).
O segundo ponto é que as mesmas "boas novas" [o mesmo "Evangelho"] anunciadas aos israelitas da época de Moisés foram anunciadas em épocas posteriores (At 13:32), tanto a judeus quanto a gentios (Rm 1:16). Isso nos faz entender que o Evangelho anunciado por JESUS é a despeito do Reino dos Céus (Mt 4:17), por isso que ao dizer: "Desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele" (Lc 16:16) notamos uma grande semelhança com a conclusão exposta pelo autor de Hebreus no verso 11 de Hb 4, que diz: "Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso".
O terceiro ponto é que o autor menciona que "os que crêem entraram no descanso", no sentido de que tornaram-se participantes da promessa feita aos israelitas de desfrutarem do descanso, mas o Celestial, pois pela fé, DEUS "nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Ef 2:6) e temos "chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial" (Hb 12:22).
Em suma, o autor de Hebreus desvincula o sentido literal do "descanso de DEUS" em Sl 95, e o translitera, relacionando o "descanso de DEUS" à nossa "entrada na pátria Celestial".

Hb 4:4-5
Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera. E novamente, no mesmo lugar: Não entrarão no meu descanso.

*
Nos versos de 4 a 5 de Hb 4, encontramos um dos trechos mais complicados de Hb 3 e Hb 4. Argumenta-se que o descanso no sábado foi substituído pelo "descanso de DEUS" mencionado nos versos anteriores. E para provarmos se esse argumento está em harmonia com o contexto, dependeremos da análise já feita dos versos anteriores e da análise dos versos posteriores.
No entanto, um ponto importante a nos ater nesses versos, é a despeito das expressões "em certo lugar, assim disse" [dito no Éden – Gn 2:2-3] e "novamente, no mesmo lugar" [dito próximo à Canaã – Nm 13:2 / Nm 14: 21-23].
As expressões nos passam a idéia de que as duas afirmações mencionadas pelo autor foram ditas "no mesmo lugar". Com isso pode-se subentender que:
1 – Tal "lugar" seja uma mesma região. E para isso seria necessário entender que a região próxima ao Éden seja a mesma região próxima a Canaã, embora não haja evidências precisas para afirmarmos a relação de tais lugares.
Ou,
2 – Tal "lugar" seja uma mesma Fonte de Informação da qual foram citados os relatos, ou seja, as Escrituras Hebraicas.
A dúvida de se saber a que tipo de "lugar" se refere, não afeta o entendimento desses versos, já que os versos anteriores e posteriores nos dão os esclarecimentos, principalmente para pormos à prova o 'argumento' sustentado erroneamente por esses versos de Hb 4.

Hb 4:6-7
Visto, portanto, que resta entrarem alguns nele e que, por causa da desobediência, não entraram aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas-novas, de novo, determina certo dia, Hoje, falando por Davi, muito tempo depois, segundo antes fora declarado: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.

*
Nos versos de 6 a 7 de Hb 4, o autor declara que resta alguns entrarem no descanso, e para isso é necessário que tais creiam nas mesmas boas novas de entrarem no descanso de DEUS transmitidas aos israelitas da época de Moisés, ou seja, a entrada na pátria prometida, mas uma pátria melhor, a celestial.
Com isso, assim como foi exposto nos versos de 12 a 14 de Hb 3, o "certo dia" que foi determinado, "Hoje", é para que os que restam entrar no descanso sejam estimulados a ouvirem a Voz de DEUS de aceitarem a exortação diária e a promessa, para se tornarem "participantes de CRISTO" (Hb 3:14).

Hb 4:8-11
Ora, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria, posteriormente, a respeito de outro dia. Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência.

*
Nos versos de 8 a 11 de Hb 4, o autor de Hebreus deixa claro seu raciocínio. Ele expõe que o "descanso" que Josué deu ao povo, que foi a "entrada na pátria de Canaã", representava, profeticamente, um outro tipo de "descanso", a "entrada na pátria celestial".
Ao dizer que "resta um repouso para o povo de DEUS", o autor estimula a fé dos crentes, pois apesar de sermos participantes e termos entrado nesse descanso, devemos esperar a "concretização da promessa" (Hb 11:39), pois todos os da fé morreram "sem ter obtido as promessas; antes viram-nas, de longe, e saudaram-nas, e confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra" (Hb 11:13).
Quando o autor diz que "aquele que entrou no descanso de DEUS" [na pátria celestial], também "descansou de suas obras como DEUS das Suas", ou seja, descansou no sétimo dia, de todas as suas obras. Isso evidencia que o fato de sermos participantes de um descanso profético, isso não significa que devemos deixar de lado o descanso no sétimo dia. Para dar mais solidez a essa evidencia devemos saber como DEUS descansou de Suas obras, ou seja, se Ele realmente descansou no dia sétimo da semana e se Ele descansou das tarefas feitas nos outros seis dias da semana; e de acordo com Gn 2:2-3, foi exatamente dessa forma que DEUS descansou.
O autor finaliza seu raciocínio reforçando a exortação de entrarmos no descanso profético de DEUS, e com esforço, para não sermos desobedientes como o povo da época de Moisés.



Conclusão:
O descanso físico no sábado revigora nossas forças físicas (Lc 23:56). O Descanso Espiritual de CRISTO revigora nossas forças espirituais (Mt 11:28-29). Ter o Descanso Espiritual de CRISTO à nossa disposição não significa que nosso cansaço físico será revigorado sem o descanso físico (Mt 26:45 / Mr 6:31). Ter o descanso físico somente também não nos implica a nenhuma vantagem, pois é do SENHOR que vem a força (Dt 8:18 / Is 40:29-31).
A harmonia entre o descanso físico e o Descanso Espiritual é notória.
De acordo com Hb 3 e Hb 4, se somos crentes, temos o Descanso em CRISTO ("aquele que entrou no Descanso de DEUS" - Hb 4:10) e descansam no único dia santificado e abençoado por DEUS, no dia sétimo de todas as tarefas corriqueiras dos outros seis dias ("descansou de suas obras assim como DEUS das Suas" - Hb 4:10).

Por enquanto é isso!
Fiquem com DEUS, irmãos!
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MensagemAssunto: Re: O Sábado Confirmado no Novo Testamento   

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O Sábado Confirmado no Novo Testamento
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