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 Mortos para a Lei? — Romanos 7:4

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Marllington Klabin Will
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MensagemAssunto: Mortos para a Lei? — Romanos 7:4   11/15/2007, 18:36



MORTOS PARA A LEI?

O que significa a expressão paulina “morreram para a lei” em Romanos 7:4?

Por Prof. Azenilto Guimarães Brito
      Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus. (Rm.7:4)
  Analisemos, pois, o “chavão” surrado do “mortos para a lei” (Rm.7:4). O que será que significa essa expressão paulina? Haveria, talvez, três opções para entender este verso, sendo duas ilógicas e uma somente que faz sentido:
     a) “mortos para a lei” significaria que não precisamos mais obedecer a lei 100% Todos os seus mandamentos não devem ser mais respeitados;

     b) “mortos para a lei” significaria que não se precisa obedecer apenas um de seus mandamentos (o sábado). A obediência a nove deles é ainda exigida e o mais engraçado é que obedecê-los não significa ser “mortos para a lei”; ou

     c) é claro que a declaração de Paulo deve ser entendida à luz de todo o contexto de sua discussão sobre a questão da lei versus graça, fé versus obras, justificação e santificação. Essa metodologia de tomar um texto isolado e fazer disso um “cavalo de batalha” já está mais do que desmoralizada, mas parece que alguns não conseguem perceber isso.
  Vejamos o que diz Romanos 6:11: “Assim também, vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus”. Interessante o paralelo: devemos estar “mortos para a lei”, mas também “mortos para o pecado”. Sendo que “pecado é transgressão da lei” (1Jo.3:4), como se pode entender isso? O vs. 12 esclarece tudo: “Não reine, portanto, o pecado [não diz “a lei”] em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões”. Então se há alguma coisa que não devemos obedecer não é a lei ou algum mandamento dela contra o qual resolvamos discriminar, e sim as paixões do pecado. Daí que Paulo mais adiante esclarece: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós (o pecado, não a lei), porque não estais debaixo da lei, e, sim, da graça” (Rm.6:14).

  Paulo usa a ilustração da lei do casamento falando de como uma mulher casada está sujeita ao marido até que ele morra (ver Rm.7:1–6). Alguns menos avisados tomam este trecho da Bíblia e em vista de certos pressupostos arraigados não entendem nada do seu sentido, um perigo à luz do que Pedro nos diz em 2ª Pedro 3:15–17. Daí, saem-se com a esdrúxula tese de que o cristão agora, “casado” com Cristo, não tem nada mais que se preocupar quanto à lei divina.

  Mas é exatamente o contrário. O “marido” que morreu não é a lei, e sim o pecado, apontado pela lei, que cumpre exatamente tal papel (ver Rm.7:7). Agora, diz Paulo: “servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra” (Rm.7:6), o que se ajusta maravilhosamente com o que ele fala da obediência sob o Novo Concerto — não segundo a letra das frias tábuas de pedra, mas tendo a letra dessa lei das pedras escrita por Deus (completa) nos corações aquecidos pela graça divina (ver 2Cr.3:3, cf. Hb.8:6–10). A própria ilustração paulina das “tábuas de pedra” indica que ele ressalta todo o conteúdo daquelas “tábuas de pedra’’ a ser escrito no coração do crente sob o Novo Concerto. Ora, não corresponde isso ao que Davi também declarou no Salmo 40:8, “Agrada-me fazer a Tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração está a Tua lei”?

  Servimos ao que? À “justiça”, ou seja, a Deus sendo-Lhe obedientes. Daí que o mesmo Paulo que disse estar morto para a lei (“estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos” — à lei, no que condena o pecador) também proclamou essa lei como “santa, justa, boa, espiritual, prazerosa” (Rm.7:12,22,25) dizendo-se dela “escravo”. E que tal considerar nesse contexto Romanos 8:3, 4, 7, 8? O cristão que tem o Espírito de Deus o demonstrará, não arranjando desculpas esfarrapadas para livrar-se de um dos mandamentos da lei divina, mas pelo cumprimento da “justiça da lei” em sua vida renovada.

  O mesmo Paulo declarou que ‘‘a circuncisão em si não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar os mandamento de Deus.” (1Cr.7:19). Noutras duas passagens paralelas, Paulo esclarece:
      Porque em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão, tem valor algum, mas a fé que atua pelo amor. (Gl.5:6).

      Pois nem a circuncisão é cousa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura. (Gl.6:15).
  Então, vemos aqui a harmonia da tese de Paulo: a parte da lei que envolvia ritos e cerimônias não mais tem qualquer peso. Cumpriu o seu papel de apontar ao “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo.1:29). Resta ao cristão “a fé que atua pelo amor”, que é o que caracteriza quem se tornou “nova criatura”. Daí que Paulo também pergunta: “Anulamos, pois, a lei pela fé?” E ele mesmo responde: “Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei.” (Rm.3:31). Quem vive pela fé:
 —> atua pelo amor (ver Rm.13:8–10);
 —> tem uma experiência de nova criatura (2Cr.5:17);
 —> produzirá a justiça da lei em sua vida operada pelo Espírito que confirma (e não anula) a lei (Rm.8:3–4/3:31).

  Deve-se ter em mente que quando os leitores primários das epístolas paulinas (sobretudo Romanos) liam suas constantes referências à lei de Deus (ou de Cristo) sabiam que ele fala dessa lei tendo o Decálogo completo como expressão da mesma para os homens (ver Rm.7:7/13:8–10/Ef.6:1–3).



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MensagemAssunto: Re: Mortos para a Lei? — Romanos 7:4   1/11/2008, 01:39

Caros irmãos e amigos

Seria interessante ver como Martinho Lutero, o grande campeão do tema da justificação pela fé, discute esta passagem. Aliás, aproveitemos e vejamos a exegese do mesmo Lutero de outra expressão bíblica tremendamente mal compreendida pelos adeptos da teologia que eu chamo de semi-antinomista (tese da "lei abolida" e assemelhadas), o "estar debaixo da lei".

Citarei os comentários de Lutero sobre os capítulos 6 e 7 de Romanos, da sua clássica obra "Prefácio da Epístola de Paulo aos Romanos". Quem desejar o estudo completo pode solicitar-me por PM ou, melhor ainda, por meu e-mail [url=mailto://azenilto@yahoo.com.br]azenilto@yahoo.com.br:

[/url]
Capítulo 6 — A luta diária contra o pecado
No sexto capítulo, o apóstolo trata da obra particular da fé: a contenda do Espírito com a carne em matar por completo os demais pecados e desejos que restam após a justificação, e nos ensina que, através da fé, não estamos libertados dos pecados de forma tal que possamos ficar ociosos, preguiçosos e seguros, como se não mais houvesse pecado. Há pecado, mas ele não é imputado para a condenação, por causa da fé que com ele luta. Por isso temos o bastante para lidar conosco mesmos a vida inteira: Domar o corpo, matar seus desejos e obrigar seus membros a obedecerem ao Espírito e não aos desejos, a fim de que sejamos iguais a Cristo, em sua morte e ressurreição, e realizemos nosso batismo que significa também a morte dos pecados e uma nova vida na graça até que, totalmente puros dos pecados, ressuscitemos na forma corporal com Cristo e vivamos eternamente.

E isso podemos fazer, afirma ele, porque nos encontramos na graça e não na lei, o que ele mesmo interpreta no seguinte sentido: “Ser sem lei” não é o mesmo que não ter lei alguma e que se possa fazer o que apraz a cada um, senão que “estar debaixo da lei” é quando, sem a graça, lidamos com as obras da lei. Então, com certeza, o pecado impera através da lei, uma vez que ninguém por natureza é afeito à lei, e isto é um grande pecado. A graça, porém, nos torna a lei agradável de sorte que não há mais pecado e a lei não está contra nós, mas em harmonia conosco.

Esta é a verdadeira liberdade do pecado e da lei, da qual fala até o final deste capítulo. É uma liberdade de fazer apenas o bem com vontade e de viver corretamente sem a coação da lei. Por isso tal liberdade é uma liberdade espiritual, que não anula a lei, e sim oferece aquilo que é exigido pela lei: vontade e amor, com o que a lei é aplacada e não mais fica a incitar e exigir. É como se estivesses em dívida para com um credor e não pudesses pagar. Há duas maneiras pelas quais poderias livrar-te: Uma, que ele nada lhe cobrasse e rasgasse sua nota promissória; a outra, que um homem bom pagasse por ti, e te desse o suficiente para pagar a promissória. Desta maneira, Cristo nos livrou da lei, razão por que não se trata de uma liberdade carnal e selvagem, que nada precisa fazer, mas sim de uma liberdade que faz muito e toda sorte de coisas e está livre apenas da exigência e dívida da lei.

Cap. 7 — Morto para a lei e o conflito dentro do crente
No sétimo capítulo, Paulo confirma o anterior mediante uma comparação com a vida matrimonial: Quando morre o marido, a mulher está desimpedida e um está separado e livre do outro. Não que a mulher não pudesse ou devesse tomar outro homem. Ela está apta a tomar outro, o que ela anteriormente não podia, por não estar livre daquele. Assim também nossa consciência sob a lei está vinculada ao velho homem pecaminoso; ao ser este morto pelo Espírito, a consciência está livre, e um desobrigado do outro; não que a consciência nada devesse fazer; mas sim para que agora possa ater-se tanto mais a Cristo, o outro homem, e produzir frutos para a vida.

Em seguida apresenta ainda a peculariedade dos pecados e das leis, de como pela lei o pecado fica ainda mais ativo e violento. Pois o velho homem se torna tanto mais inimigo da lei por não poder pagar o que a lei exige. Porque sua natureza é pecado, e ela de si mesma não pode fazer outra coisa, motivo por que a lei é sua morte e seu martírio. Não que a lei seja maligna, mas a natureza má é que não pode suportar o bem que a lei dela exige, assim como um doente não agüenta que se exija que corra e salte, ou pratique outros atos próprios de uma pessoa sã.

Por isso Paulo conclui: Onde a lei for adequadamente reconhecida e entendida da melhor maneira possível, ela não faz mais do que nos lembrar de nosso pecado e nos matar através do mesmo, tornando-nos culpados da ira eterna (tudo isso se percebe e experimenta muito bem na consciência, quando esta é bem atingida pela lei). De sorte que é necessário algo diferente e superior à lei para tornar a pessoa justa e salva. Aqueles, porém, que não reconhecem adequadamente a lei, são cegos, comportam-se com arrogância, acreditando poder-lhe fazer jus com obras. Pois não sabem o quanto a lei exige: um coração livre, disposto e animado; por essa razão não encaram a Moisés de frente. Para eles o véu está posto na frente, encobrindo-os (2 Coríntios 3.13ss).

Em seguida mostra como o Espírito e a carne lutam um contra o outro numa mesma pessoa; apresenta a si mesmo como exemplo para que aprendamos a reconhecer bem a obra de matar o pecado em nós mesmos. Mas a ambos ele chama de lei, tanto o Espírito como a carne, e isso pela seguinte razão: Assim como a lei divina tem a característica de impelir e exigir, igualmente a carne impele, exige e se agita com violência contra o Espírito e quer impor o seu desejo. Por outro lado, o Espírito investe contra a carne e procura impor sua vontade. Esta luta perdura dentro de nós enquanto vivemos, num mais, noutro menos, dependendo de a supremacia ficar com o Espírito ou a carne. E mesmo assim, a pessoa inteira é ela mesma ambas as coisas, Espírito e carne, lutando, portanto, consigo mesma, até que fique inteiramente espiritual.---- Sublinhado acrescentado


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MensagemAssunto: Re: Mortos para a Lei? — Romanos 7:4   1/11/2008, 01:54

Creio que neste contexto caberiam também ver os comentários de outros reputados comentaristas bíblicos cristãos protestantes:

Comentários de Matthew Henry sobre Romanos 7:1-6

Enquanto um homem continue sob a lei como um concerto, e busque justificar-se por sua própria obediência, prossegue escravo do pecado em alguma forma. Nada a não ser o Espírito de vida em Cristo Jesus pode tornar qualquer pecador livre da lei do pecado e da morte. Os crentes são livrados do poder da lei, que condena por causa dos pecados por eles cometidos. E são livrados desse poder da lei que suscita e provoca o pecado que neles habita. Entenda-se isso não da lei como regra, mas como um concerto de obras.

Em profissão e privilégio estamos sob um concerto de graça, e não sob um concerto de obras; sob o evangelho de Cristo, não sob a lei de Moisés. A diferença é tratada segundo o paralelo ou figura de casar-se com um novo marido. O segundo casamento é com Cristo. Pela morte estamos livres da obrigação da lei como um concerto, como a esposa está de seus votos a seu marido. Em nosso ato de crer poderosa e eficazmente, estamos mortos para a lei, e nada mais temos a ver com ela mais do que um servo morto é livre do jugo de seu mestre.

O dia de nossa decisão em crer é o dia de estar unido ao Senhor Jesus. Entramos para uma vida de dependência Dele, e de dever a Ele. As boas obras são derivadas da união com Cristo: como a videira frutífera é produto de estar unida a suas raízes; não há fruto para Deus até que estejamos unidos a Cristo. A lei, e os melhores esforços de alguém sob a lei, ainda na carne, sob o poder de princípios corruptos, não pode colocar o coração em ordem com respeito ao amor de Deus. . . . Nada mais do que a obediência formal à letra exterior de qualquer preceito pode ser realizado por nós, sem a graça renovada e criadora do novo concerto.

[Perfeitamente em harmonia com as “superiores promessas” do novo concerto—é Deus quem escreve as Suas leis nos corações e mentes de quem aceitou a Cristo, segundo as provisões desse novo concerto (Novo Testamento)—Hebreus 8:6-10].

Comentando vs. 22: “Pois ao estar o crente sob a graça, e sua vontade no caminho da santidade, ele sinceramente se deleita na lei de Deus, e na santidade que esta requer, segundo o homem interior; esse novo homem nele, que após Deus é criado em verdadeira santidade.

Comentário sb Rom. 7:23-25.

Assim, diz ele, eu próprio, com a minha mente, meu julgamento, afeições e propósitos, como um homem regenerado, pela graça divina, sirvo e obedeço a lei de Deus, mas com a carne, a natureza carnal, o remanescente de depravação, sirvo à lei do pecado, que guerreia contra a lei de minha mente. Não a servindo de modo a viver nele, ou dar-lhe permissão, mas incapaz de livrar-se dele mesmo em seu melhor estado, e carecendo de buscar ajuda e livramento fora de si mesmo. É evidente que ele agradece a Deus por Cristo, como nosso libertador, como nossa expiação e justiça em si mesmo . . . . Ele dispunha-se a agir em todos os pontos no agrado da lei, em sua mente e consciência, mas era impedido pelo pecado que nele habitava, e nunca alcançava a perfeição que a lei requer. Que libertação pode ser para um homem sempre pecador a não ser a livre graça de Deus, como oferecida em Cristo Jesus? O poder da divina graça e do Espírito Santo pode desarraigar o pecado de nossos corações mesmo nesta vida, se a divina sabedoria assim julgasse acertado. Mas esta permitiu que os cristãos constantemente sentissem e entendessem plenamente o miserável estado do qual a graça divina o livra; devendo ser impedidos de confiar sempre em si mesmos para que pudessem sempre conservar toda a sua consolação e esperança na rica e livre graça de Deus em Cristo.

Comentário Sobre Romanos 8:4, por John Wesley:

Para que a justiça da lei— A santidade que ela [a lei] requeria, descrita em Romanos 8:11.

Se cumpra em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito -- Que somos guiados em todos os nossos pensamentos, palavras e ações, não pela natureza corrupta, mas pelo Espírito de Deus. A partir deste ponto Paulo descreve primariamente o estado dos crentes, e a dos descrentes somente para ilustrar isto.

SDABC Sobre Romanos 8:4:

4.

A justiça.

A palavra para “justiça” no original grego é dikáioma. O termo que Paulo usa com freqüência nesta epístola para “justiça” é dikaiusún' (cap. 1: 17; 3: 5; 4: 3; etc.). Dikáioma expressa o pensamento daquilo que é estabelecido como correto (ver Rom. 1: 32; 2: 26; 5: 16, 18; cf. Luc. 1: 6; Heb. 9: 1, onde dikáioma foi traduzido como “juízo”, “ordenanças” [em três vers.], “justificação” e “justiça”). Portanto, Paulo aqui está se referindo às justas exigências da lei ou à obediência de seus justos requisitos.

Neste contexto Paulo continua falando da lei que ele aprovava (cap. 7: 16) e na qual se deleitava (vers. 22); mas descobriu que era incapaz de obedecê-la sem Cristo (vers. 15-25).

Comentário Bíblico de Adam Clarke
Verso 13 [de Romanos 7]. Acaso o bom se me tornou em morte?

Esta é a pergunta do judeu, com quem o apóstolo parece estar disputando. “Você admite que a lei seja boa, e contudo declara ser a causa de nossa morte? O apóstolo responde: “De modo nenhum! γενοιτο, pelo contrário: não é a lei que é a causa de sua morte, mas o pecado; foi o pecado que nos sujeitou à morte pela lei, com justiça ameaçando o pecado com a morte; pelo que a lei foi dada para que o pecado pudesse aparecer em suas verdadeiras cores; quando o vimos nos sujeitando à morte por uma lei santa, justa, e boa; para que o pecado, pela lei, pudesse ser representado no que é realmente: καθυπερβοληναμαρτωλος, uma ENORMEMENTE GRANDE e mortal malignidade.

Destarte, parece que o homem não pode ter uma verdadeira noção de pecado a não ser por meio da lei de Deus. Disso eu já dei suficientes razões nas notas precedentes. E um dos desígnios da lei era mostrar a natureza abominável e destrutiva do pecado, bem como ser uma regra de vida. Seria quase impossível para um homem ter essa simples noção do demérito do pecado de modo a produzir arrependimento, ou ver a natureza e necessidade da morte de Cristo, se a lei não fosse aplicada a sua consciência pela luz do Espírito Santo; é somente então que ele se vê como carnal e vendido sob o pecado; e que a lei e o mandamento são santos, justos e bons. E seja observado que a lei não responde por essa finalidade só entre os judeus nos dias do apóstolo; é exatamente tão necessária aos gentios no tempo presente. Nem verificamos que genuíno arrependimento tem lugar onde a lei moral não seja pregada e imposta. Os que pregam somente o evangelho aos pecadores, no melhor das hipóteses apenas curam o ferimento da filha de meu povo ligeiramente. A lei, portanto, é o grande instrumento nas mãos de um ministro fiel, para alarmar e despertar pecadores; e ele pode seguramente mostrar que cada pecador está debaixo da lei, e conseqüentemente sob maldição, quando não fugiu em busca de refúgio para a esperança propiciada pelo evangelho: pois, neste sentido somente, Jesus Cristo é o FIM da LEI para justificação todo aquele que crê.-- Destaques em itálico exatamente como no original.

Eis o link que conduz ao original: http://www.studylight.org/com/acc/view.cgi?book=ro&chapter=007
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MensagemAssunto: Re: Mortos para a Lei? — Romanos 7:4   8/19/2008, 19:41


Mais alguns respeitáveis comentaristas bíblicos analisando o tema da lei no princípio de Romanos 7:


Jamieson, Fausset and Brown:

Comentário de Rom. 7:6

. . . a morte referida, como temos visto, não é da lei, mas a nossa, mediante a união com o Salvador crucificado. . . .

servir em novidade do espírito . . . e não na velhice da letra -- não segundo nossa antiga maneira de obediência literal, mecânica à lei divina, como um conjunto de regras exteriores de conduta, e sem qualquer referência ao estado de nossos corações; mas nessa nova obediência espiritual que, mediante a união com o Salvador ressurreto, temos aprendido a prestar (comparar com [os comentários de]
Rom_2:29; 2Co_3:6).

The People's New Testament:

Pois quando na carne. Quando estávamos numa condição inconversa, sob a influência de nossa natureza carnal. A insuficiência da lei para livrar-nos de seu poder é agora demonstrada. . . .


A fim de que sirvamos em novidade de espírito. Este servir a Cristo é o novo serviço dos que vivem novas vidas. É um serviço espiritual: “[Importa que] Deus seja adorado em espírito e em verdade.” A lei de Deus, sob o novo concerto, é “escrita nos corações” (Heb_8:10); daí que não é um serviço de escravidão, mas livre e de boa vontade.

Fonte: Ver seção de comentaristas bíblicos no site www.e-Sword.com


João Calvino:

. . . a palavra lei não é mencionada aqui em toda parte com o mesmo sentido: pois num lugar significa a união do matrimônio; em outro, a autoridade de um marido sobre sua esposa; e noutro, a lei de Moisés: mas devemos recordar que Paulo aqui se refere somente àquela função da lei que era peculiar à dispensação de Moisés; pois na medida em que Deus nos dez mandamentos ensinou o que é justo e correto, dando diretrizes para dirigir nossa vida, nenhuma ab-rogação da lei é para ser imaginada; pois a vontade de Deus deve permanecer a mesma para sempre. Devemos cuidadosamente recordar que esta não é uma libertação da justiça que é ensinada na lei, mas de seus rígidos requisitos, e da maldição que disso resulta. A lei, pois, como regra de vida, não é ab-rogada; mas o que pertence a ela, em oposição à liberdade obtida mediante Cristo, ou seja, no que requer absoluta perfeição: pois na medida em que não atingimos essa perfeição, ela nos prende sob uma sentença de morte eterna.

Fonte: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom38.xi.i.html


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