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 A Igreja Luterana, a Lei e o Sábado

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Marllington Klabin Will
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MensagemAssunto: A Igreja Luterana, a Lei e o Sábado   11/14/2007, 20:57



A IGREJA LUTERANA, A LEI E O SÁBADO

Por Marllington Klabin Will

  Os luteranos têm sua origem nas reformas levantadas na Alemanha, organizadas por Martinho Lutero, Felipe Melanchton, Carlstadt e outros. No século XIX, o estado da Alemanha unificou todas as igrejas luteranas. Não concordando com esta decisão, alguns que defendiam o princípio da não-união entre Igreja e Estado (por influência batista) tiveram que emigrar para a América do Norte. Em 1849 fundaram o “Sínodo de Missouri, Ohio e outros estados”. Por isso que os mais de 60 milhões de luteranos hoje existentes no mundo estão agrupadas em dois grandes blocos: a Federação Luterana Mundial (FLM) e o Conselho Luterano Internacional (ILC). No Brasil, a maioria dos luteranos chegaram em 1824, provenientes da linha estatal alemã, fundando a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Já a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) é fruto de missão da Igreja Luterana norte-americana a partir de 1900, que veio atender pedidos dos que desejavam aquele sínodo.

  Apesar da divisão administrativa da Igreja Luterana, o elo que os une e caracterisa é a doutrina luterana, estabelecida por suas confissões de fé, credos, catecismos, documentos e sínodos. Alguns dos documentos que formam o credo luterano são os seguintes:
 —> o “Catecismo Menor” (1529), um resumo de interpretações bíblicas, escritas para o povo;
 —> o “Catecismo Maior” (1529), as mesmas interpretações detalhadamente explicadas para adultos;
 —> a “Confissão de Augsburgo” (1530), a principal confissão luterana, é o testemunho luterano que foi apresentado ao Imperador Carlos V e à Dieta do Santo Império Romano a 25 de junho de 1530;
 —> a “Apologia” (1531), uma defesa da “Confissão de Augsburgo”;
 —> os “Artigos de Esmalcalde” (1537), reafirmando os ensinos da “Confissão de Augsburgo” e expondo, com mais profundidade, a doutrina da Santa Ceia, segundo a visão luterana;
 —> e a “Fórmula de Concórdia” (1577), que define o pecado original, a impossibilidade de o homem salvar-se por suas próprias força e a pessoa e obra de Cristo.
Todas as confissões foram reunidas no “Livro de Concórdia”, em 1580.

  As confissões luteranas podem também ser consideradas como estandarte, em torno do qual os luteranos, contra um suposto erro, cerram fileiras em defesa de suas visões doutrinarias das Escrituras. Esses credos também podem ser consideradas como uma bandeira, à qual os mestres da igreja prestam juramento de fidelidade. Cada membro da Igreja Luterana deve subscrever não apenas a Bíblia, mas também as confissões e credos como exposição correta das doutrinas bíblicas. Para o leigo isto significa, ao menos, o “Catecismo Menor” de Lutero; para o pastor e professor significam todas as confissões adotadas pela Igreja Luterana. Não é à toa que os luteranos declaram: “Aceitamos todos os livros canônicos das Escrituras Sagradas do Antigo e Novo Testamentos, como palavra infalível de Deus e, como exposição correta da Escritura Sagrada, aceitamos os livros simbólicos reunidos no Livro de Concórdia”. Em suas constituições, os grupos luteranos — congregações e sínodos — definem sua posição doutrinária mais ou menos nestas palavras: “Confessamos que os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento são a palavra de Deus inspirada e, portanto, a única regra de fé e vida, e que as confissões da Igreja Evangélica Luterana são uma exposição correta das doutrinas desta palavra”. Por que esta firme insistência, como resumido nas confissões luteranas? Porque para os luteranos não pode haver nada mais importante do que as doutrinas expostas conforme sua interpretação da Bíblia.


O QUE A IGREJA ANGLICANA DIZ SOBRE A LEI E O SÁBADO?

  Veremos no presente artigo, baseado nos documentos oficiais, confissões de fé, credos, catecismos e sínodos qual o posicionamento oficial da Igreja Luterana frente à questão da lei e do sábado. Ao contrário do que pensam alguns luteranos mal-informados de sua própria doutrina, é fato que seus líderes e autoridades, teólogos de maior gabarito, professores, ilustres evangelistas, pastores e famosos escritores concordam com os adventistas e demais cristãos observadores do sábado quanto à validade deste e de todos os mandamentos do Decálogo como regra de prática e conduta para o cristão. Inclusive é a mesma posição bíblica ensinada oficialmente há séculos pelas demais denominações cristãs, como metodistas, congregacionalistas, batistas, presbiterianos, anglicanos, episcopais, assembleianos, católicos, mórmons, etc.

  É verdade que quando tratam especificamente de “sábado”, esses mesmos autores luteranos pretendem reinterpretar o quarto mandamento como agora se aplicando ao primeiro dia da semana, supostamente devido à ressurreição de Cristo. Então, estão certos e de acordo quanto à validade e vigência de todos os mandamentos do Decálogo e das origens edênicas do princípio sabático, porém estão equivocados ao acharem que o domingo tomou o lugar do sábado, uma informação que não consta de parte alguma da Bíblia.

  Analisaremos agora como os luteranos respondem oficialmente às nossas perguntas sobre esse tema.


1) O que é a Lei de Deus? O que são os Dez Mandamentos?

  Martinho Lutero, o grande pai da Reforma e fundador da Igreja Luterana, declara o seguinte no “Prefácio à Epístola aos Romanos” sobre o verbete “Lei”:
      “‘A lei é espiritual’. Que significa isso? Se a lei fosse carnal, ela poderia ser satisfeita com obras. Sendo, porém, espiritual, ninguém a satisfaz, a não ser que venha do coração o que fazes. Mas ninguém proporciona semelhante coração, senão o Espírito de Deus, que é Quem iguala a pessoa à lei, de sorte a receber de coração a disposição para a lei, agora tudo fazendo, não por temor ou obrigação, mas de coração livre, espontaneamente. (…) uma coisa é realizar as obras da lei e outra coisa muito distinta, cumprir a lei. (…) Como se pode preparar para o bem através de obras quem não faz uma boa obra livre de indisposição e má vontade no coração? Como haverá de agradar a Deus a obra que provém de um coração indisposto e desobediente?
      “Entretanto, cumprir a lei significa realizar sua obra com vontade e amor, levar uma vida reta e conforme a vontade de Deus livremente sem a coação da lei, como se não houvesse lei ou punição. Semelhante disposição partindo do livre amor é o Espírito Santo quem a dá ao coração (…)
      “Daí sucede que somente a fé torna justificado e cumpre a lei; pois ela traz o Espírito proveniente do mérito de Cristo, e o Espírito cria um coração disposto e livre, como o exige a lei; assim, portanto, as boas obras se originam da própria fé. Isto é o que ele quer dizer no capítulo 3:21, depois de ter repudiado as obras da lei, dando a impressão de que quisesse suprimi-la mediante a fé: Não (diz ele), nós afirmamos a lei através da fé, isto é, nós a cumprimos mediante a fé.”
    Grifos acrescentados. Uma outra tradução desse documentopode ser encontrado no seguinte web site: http://solascriptura-tt.org/Diversos/Romanos-PrefacioPorLutero.htm (acessado a 28/12/2007).
  Diz o “Catecismo de Heidelberg” (1563) na parte sobre “Os Dez Mandamentos”:
    “92. Que diz a lei do SENHOR?
      “R. Deus falou todas estas palavras (Êxodo 20:1–17; Deuteronômio 5:6–2: [a seguir é mostrado todos os Dez Mandamentos segundo a Bíblia]).
    “93. Como se dividem estes Dez Mandamentos?
      “R. Em duas partes. A primeira nos ensina, em quatro mandamentos, como devemos viver diante de Deus; a segunda nos ensina, em seis mandamentos, as nossas obrigações para com nosso próximo.”
    Grifos acrescentados.
  A “Confissão de Fé Helvética” declara o seguinte a respeito “Da Lei de Deus”:
      A lei é completa e perfeita. Cremos que toda a vontade de Deus e todos os preceitos necessários a cada esfera da vida são nesta lei ensinados com toda a plenitude. De outro modo o Senhor não nos teria proibido de adicionar-lhe ou de subtrair-lhe qualquer coisa; nem nos teria mandado andar num caminho reto diante desta Lei, sem dela nos declinarmos para a direita ou para a esquerda (Deut 4.2; 12.32, 5.32, cf. Num 20–17 e Deut 2.27).”Grifos acrescentados.
  Conforme foi visto acima, a Igreja Luterana tem a Lei de Deus, os Dez Mandamentos, numa alta estima.


2) Para que serve a lei, os Dez Mandamentos?

  O Reformador e grande campeão da doutrina de justificação pela fé, Martinho Lutero, em seu documento “Um Tratado Contra os Antinomistas” escrito em forma de carta a seu particular amigo Gasper Guttil, claramente se refere entre os primeiros parágrafos à “lei moral, ou dez mandamentos”, mais adiante referindo-se a esses negadores da validade do Decálogo como normativo aos cristãos como “novos espíritos… que se empenham em lançar a lei de Deus, ou os dez mandamentos, fora da Igreja”.

  Pouco adiante ele se refere novamente a certo opositor que “escreveu contra a Lei Moral, ou Dez Mandamentos; professando ser do mesmo julgamento que nós aqui em Wittenberg, como também em Augsburgo, segundo o teor de nossa Confissão e Apologia submetida ao Imperador; e se daqui em diante ele sustentar ou ensinar o contrário, ele deseja que me pronuncie no sentido de que os mesmos estão anulados e condenados. Eu não consigo encontrar meios de sentir como poderia ele chegar a tão grande baixaria…”.

  Alguns parágrafos abaixo, continua Lutero:
      “Verdadeiramente, admiro-me muitíssimo como se chegou a imputar-me que eu rejeitaria a Lei ou os Dez Mandamentos, já que existem tantas de minhas próprias exposições (e de várias modalidades) sobre os mandamentos, os quais são também diariamente expostos e empregados em nossas igrejas, para nada dizer da Confissão e da Apologia, e outros de nossos livros. E a isso se acrescente o costume que temos de cantar os mandamentos em duas diferentes canções; além de pintura, impressão, talhas e repetição deles pelas crianças, tanto de manhã, quanto ao meio-dia, e à tardinha; (…) e eu próprio, ainda que já velho, costumo recitá-los diariamente, feito uma criança, palavra por palavra”.Em “Wider die Antinomer” (contra os antinomistas), secs. 6 e 8, em seus “Sämsmtliche Schriften” (Escritos Coletados), ed. Por Johann George Walck, vol. 20 (St. Louis, Concordia, 1890), col. 1613 e 1614. Também em “Agaist the Antinomians”, trad. de “Luther’s Work” (ed. de Weimar), vol. 50, p. 171–470.
  Mais adiante, retoricamente até exemplifica o que alguém poderia dizer: “O quê? O bom Dr. Lutero incentiva tão ardorosamente o (aprendizado dos) Dez Mandamentos e, contraditoriamente, ensina que devem ser rejeitados?”

  E prossegue:
      “Verdadeiramente, tenho ensinado e ainda ensino que os pecadores devem ser levados ao arrependimento pela pregação e ponderação dos sofrimentos de Cristo, para que possam ver quão grande ira tem Deus pelo pecado. E este não pode ser expiado senão pela morte do Filho de Deus (…). Mas como se admitiria daí que, com isso, a lei deve ser removida? (…) pode alguém pensar que o pecado existe onde não há lei? Quem quer que ab-rogue a lei, deve forçosamente ab-rogar também o pecado.”Idem.
  E na “Life of Luther” (vida de Lutero), de M. Michelet, o grande reformador é citado como havendo dito:
      “Aquele que invalida a doutrina da lei, anula ao mesmo tempo a ordem política e social. Se eliminardes a lei da igreja, nenhum pecado poderá ser mais reconhecido como tal no mundo; pois o evangelho só define e pune o pecado em conexão com a lei.”Liv. 5, cap. 4, trad. de Hazlitt (ed. 2), p. 315. Grifos acrescentados.
  A “Confissão de Fé Helvética” ainda declara:
      A vontade de Deus nos é exposta na lei de Deus. Ensinamos que a vontade de Deus nos é exposta na Lei de Deus: o que ele quer ou não quer que façamos, o que é bom e justo, ou o que é mau e injusto. Portanto, confessamos que a Lei é boa e santa. (…)
      “Porque foi dada a lei. Ensinamos que esta Lei não foi dada aos homens para que fôssemos justificados pela sua observância, mas antes para que, pelo seu ensino, conhecêssemos nossa fraqueza, nosso pecado e condenação e, perdendo a confiança em nossas forças, nos convertêssemos a Cristo pela fé. O apóstolo diz claramente: ‘A Lei suscita a ira’; ‘pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado’ (Rom 4.15; 3.20); ‘porque, se fosse promulgada uma Lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade seria procedente da Lei; mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que mediante a fé em Jesus Cristo fosse a promessa concedida aos que crêem… De maneira que a Lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé’ (Gal 3.21 ss).”
    Em “Da Lei de Deus”.
  Resumindo o ensinamento luterano sobre a lei, é declarado que os mandamentos de Deus servem, dentre outros, para:
 —> impultar o pecado,
 —> fazer-nos reconhecer o pecado,
 —> manter a ordem,
 —> reveler a vontade de Deus,
 —> mostrar-nos o que é justo e
 —> conduzir-nos no que devemos fazer.

[CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO QUADRO]



Última edição por em 12/28/2007, 19:46, editado 5 vez(es)
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MensagemAssunto: CONTINUAÇÃO   11/14/2007, 21:00

[CONTINUAÇÃO DO QUADRO ANTERIOR]

3) A Lei de Deus, os Dez Mandamentos, estão vigentes para o cristão?

  A posição oficial da Igreja Luterana pode ser expressada por um de seus catecismos mais conhecidos:
      “Conquanto aqueles que verdadeiramente crêem em Cristo, e são sinceramente convertidos a Deus, estão mediante Cristo libertos da maldição e restrições da lei, não obstante não estão, nesse sentido, sem lei, uma vez que o Filho de Deus os redimiu para a razão mesma de que possam meditar sobre a Lei de Deus dia e noite, e continuamente exercitar-se em sua observância.”Extraído de “Fórmula de Concórdia”, art. 6. Grifos acrescentados.
  Martinho Lutero no “Prefácio à Epístola aos Romanos” declara o seguinte sobre o capítulo 6:
      “‘Ser sem lei’ não é o mesmo que não ter lei alguma e que se possa fazer o que apraz a cada um, senão que ‘estar debaixo da lei’ é quando, sem a graça, lidamos com as obras da lei. (…) A graça, porém, nos torna a lei agradável de sorte que não há mais pecado e a lei não está contra nós, mas em harmonia conosco.
      “Esta é a verdadeira liberdade do pecado e da lei… É uma liberdade de fazer apenas o bem com vontade e de viver corretamente sem a coação da lei. Por isso tal liberdade é uma liberdade espiritual, que não anula a lei, e sim oferece aquilo que é exigido pela lei”.

  E o que declara o famoso “Catecismo Menor” escrito pelo próprio Martinho Lutero:
    “23. Que espécies de leis deu Deus no Velho Testamento?
      “Três espécies: 1. A Lei Eclesiástica Cerimonial; 2. A Lei Civil; 3. A Lei Moral.
    “24. Qual destas leis está ainda em vigor?
      “A Lei Moral, a qual está contida nos Dez Mandamentos.
    “25. Pode esta lei ser abolida?
      “Não; pois ela está fundamentada sobre a natureza santa e justa de Deus.”
    Em “Epítome of Pontoppidan’s Explanation of Martin Luther’s Small Catechism” (1935), p. 6–7. Grifos acrescentados.
  O mesmo catecismo declara no final da parte “Os Dez Mandamentos”:
      “Deus ameaça castigar todas as pessoas que não cumprem estes mandamentos; por isso, devemos temer a Sua ira e não deixar de cumpri-los; mas Ele promete graça e todo o bem às pessoas que os praticam. Por isso, devemos amá-lo, confiar nEle e guardar os Seus mandamentos de boa vontade.”

      Até que ponto foi a lei ab-rogada. A Lei de Deus é, pois, ab-rogada na medida em que ela não mais nos condena, nem opera ira em nós. Estamos debaixo da graça e não debaixo da Lei. Além disso, Cristo cumpriu todas as formas da Lei. Daí, vindo o corpo, cessaram as sombras, de modo que agora em Cristo temos a verdade e toda a plenitude. Contudo, de modo nenhum rejeitamos por isso a Lei. Lembramo-nos das palavras do Senhor, que disse: ‘Não vim para revogar, vim para cumprir’ (Mat 5.17). Sabemos que na Lei nos são ensinados os padrões de virtudes e vícios. Sabemos que a Lei escrita, quando explicado pelo Evangelho, é útil à Igreja, e que, portanto, sua leitura não deve ser excluída da Igreja. E, embora a face de Moisés estivesse recoberta com um véu, no entanto o apóstolo diz que o véu foi retirado e abolido por Cristo.
      “As seitas. Condenamos tudo o que os heréticos, antigos e modernos, ensinaram contra a Lei.”
    Em “Confissão de Fé Helvética”, art. “Da Lei de Deus”. Grifos acrescentados.
  Depois de mostrarmos o pensamento de seu fundador e a posição da confissão de fé luterana, precisaríamos citar mais alguma fonte para provar que todos os Dez Mandamentos permanecem vigentes para os cristãos, segundo o ensinamento oficial da Igreja Luterana?


4) Existe diferença entre a Lei Moral e a Lei Cerimonial?

  Diz a “Confissão de Fé Helvética”:
      “Para maior clareza, distinguimos: a Lei Moral contida no Decálogo ou nas duas Tábuas e expostas nos livros de Moisés; a Lei Cerimonial, que determina as cerimônias e o culto de Deus; e a Lei Judiciária, que versa questões políticas e domésticas.”Op. cit.
  A posição oficial da Igreja Luterana pode ser exposta nas palavras de um dos seus catecismos mais conhecidos:
    “23. Que espécies de leis deu Deus no Velho Testamento?
      “Três espécies: 1. A Lei Eclesiástica Cerimonial; 2. A Lei Civil; 3. A Lei Moral.
    “24. Qual destas leis está ainda em vigor?
      “A Lei Moral, a qual está contida nos Dez Mandamentos.
    “25. Pode esta lei ser abolida?
      “Não; pois ela está fundamentada sobre a natureza santa e justa de Deus.”
    Op. cit., p. 6–7. Grifos acrescentados.
  Vejamos o que as autoridades luteranas declaram sobre o catecismo que acabamos de citar acima:
      “Catecismo Menor — É um livro… escrito pelo Doutor Martinho Lutero em 1529. O Catecismo Menor contém as partes principais da doutrina cristã. São elas: Os Dez Mandamentos; O Credo (Apostólico); O Pai Nosso; O Sacramento do Santo Batismo; (…) Estas doutrinas foram tiradas da Escritura Sagrada.”Em “História das Confissões Luteranas”, art. 4. Grifos acrescentados. Esse catecismo pode ser encontrado no seguinte web site: http://www.textosdareforma.net/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=22&mode=thread&order=0&thold=0 (acessado a 22/09/2007).
  De tudo que está registrado, fica mais do que claro que esses documentos confessionais cristãos históricos, além de mestres de outras confissões, admitem que existam pelo menos duas leis, dentre outras, das quais fala a Escritura Sagrada:
 —> Lei Moral — sumariada nos Dez Mandamentos, e
 —> Lei Cerimonial — representada pelos sacrifícios e ordenanças rituais para Israel.


5) Desde quando existem os Dez Mandamentos, a Lei de Deus?

  Lutero nos fala novamente através do “Epitome of Pontoppidan’s Explanation of Martin Luther’s Small Catechism”:
      “Como revelou Deus essa lei?
      “Por ocasião da criação Ele a escreveu no coração dos homens, e por isso é chamada a lei da natureza. Rom. 2:15.
      “Não revelou Deus a lei de alguma outra maneira?
      “Sim, Ele a deu no Monte Sinai, escrita sobre duas tábuas de pedra.”
    P. 7, ed. de 1935. Grifos acrescentados.
  E a já citada “Confissão de Fé Helvética” completa a resposta:
      A lei natural. Esta lei foi escrita nos corações dos homens pelo dedo de Deus (Rom 2.15), e é chamada a lei natural; foi também esculpida pelo dedo de Deus nas duas tábuas de Moisés e mais pormenorizadamente exposta nos livros de Moisés (Êx 20.1 ss; Deut 5.6 ss).”
  Aí está a posição oficial da Igreja Luterana, editado pelo próprio Martinho Lutero, alguém que estudou bastante o Livro de Deus. Pelo que lemos dos testemunhos luteranos, não há nenhuma dúvida entre seus mentores de que os Dez Mandamentos foram dados a Adão, ANTES DA QUEDA. Portanto, a resposta a esta pergunta deve ser: DESDE A CRIAÇÃO DO MUNDO!


6) E o sábado do quarto mandamento da Lei Moral, qual a sua origem?

  Diz um editorial infantil:
      “Então havia passado também o sexto dia.
      No sétimo dia, Deus descansou de seu trabalho. Pois a terra estava pronta.
      Deus abençoou este dia.
      E daí em diante, todos os homens deveriam descansar de seu trabalho no sétimo dia.”
    Extraído do artigo “A Criação” do web site oficial da Igreja Luterana, o qual pode ser visualizado no seguinte endereço eletrônico: http://www.luteranos.com.br/101/infantil/historias/criacao.html (acessado a 24/09/07). Grifos acrescentados.
  E eis como nada menos do que Martinho Lutero analisa o texto de Gênesis 2:1–3:
      “Destarte podes ver que o sábado existia antes que viesse a lei de Moisés, e tem existido desde o princípio do mundo. Especialmente têm os devotos, que preservaram a fé verdadeira, se reunido e apelado a Deus nesse dia.”Traduzido de “Auslegung des Alten Testament” (Comentário Sobre o Velho Testamento), em “Sämmtliche Schriften” (Escritos Coletados), editado por J. G. Walch., vol. 3, col. 950. Grifos acrescentados.
  A origem do sábado, ao contrário do que ensinam alguns luteranos leigos desinformados, não é a doação da lei dos Dez Mandamentos no Monte Sinai. Conforme Martinho Lutero, o grande reformador bíblico, foi na SEMANA DA CRIAÇÃO. Seis dias de trabalho, e o sétimo dia foi SANTIFICADO para o descanso das coisas seculares e culto religioso, que é a posição oficial da Igreja Luterana.

[CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO QUADRO]



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MensagemAssunto: CONTINUAÇÃO   11/14/2007, 21:01

[CONTINUAÇÃO DO QUADRO ANTERIOR]

7) O sábado pode ser reinterpretado segundo a vontade de cada um?

  Os luteranos acham que eles mesmos são os que devem escolher o dia para o descanso e culto, reinterpretando o mandamento do sábado e aplicando-o ao domingo, chamando-o de “o sábado cristão”. O fato é que esta questão está obedecendo à conveniência das pessoas e não o que diz o claro “assim diz o SENHOR”. Será que deve ser assim mesmo? Biblicamente, “o sétimo dia é o sábado do SENHOR” (Ex.20:10).

  Qual a posição oficial luterana expressa em seus catecismos e confissões de fé? Vemos claramente a vigência do princípio sabático, mas infelizmente está sendo aplicado ao primeiro dia:
      “67. Que confessamos a respeito do dia do Senhor?
      “R. O Sábado (leia-se sétimo dia) pertencia à lei judaica; o dia do Senhor para os cristãos é o domingo, por ser o dia da ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo.
      “Expl. O acontecimento mais importante para a fé cristã é a ressurreição de Jesus Cristo. Por isso, desde seus primeiros dias de existência a Igreja passou a guardar o domingo — o dia de vitória, a vitória de Cristo sobre o mal e sobre a morte; é um dia de descanso, porque simboliza o descanso final e feliz na presença de Deus.
      “Texto: I Cor 16.2; Mc 16.9; Rm 14.5”
    Em “Catecismo de Heidelberg” (ed. de 1548). Grifos acrescentados.
  Ainda diz o “Catecismo de Heidelberg” (1563):
      “103. O que Deus ordena no quarto mandamento?
      “R. Primeiro: o ministério do Evangelho e as escolas cristãs devem ser mantidos (1Co 9:13,14; 1Tm 3:15; 2Tm 2:2; 2Tm 3:14,15; Tt 1:5) , e eu devo reunir-me fielmente com o povo de Deus, especialmente no dia de descanso (Lv 23:3; Sl 40:9,10; Sl 122:1; At 2:42,46) , para conhecer a palavra de Deus (1Co 14:1,3; lTm 4:13; Ap 1:3) , para participar dos sacramentos (At 20:7; 1Co 11:33), para invocar publicamente ao Senhor Deus (1Co 14:16; 1Tm 2:1–4) e para praticar a caridade cristã para com os necessitados (Dt 15:11; 1Co 16:1,2; 1Tm 5:16). Segundo: eu devo, todos os dias da minha vida, desistir das más obras, deixando o Senhor operar em mim, por seu Espírito. Assim começo nesta vida o descanso eterno (Hb 4:9,10).”
    Grifos acrescentados. Esse catecismo pode ser encontrado no seguinte web site: http://www.cprf.co.uk/articles/heidelberg_portugal.htm (acessado a 11/09/2007).
  Indiscutivelmente, todas essas autoridades e documentos religiosos luteranos não concordam com a visão herética semi-antinomista/dispensacionalista que nega a validade e vigência do Decálogo como norma cristã, e prega o fim total do quarto mandamento, como sendo “cerimonial”. Mesmo que o sábado seja interpretado por esses documentos e autores como referindo-se ao primeiro dia, o “sábado cristão” como é chamado, o que importa é que admitem oficialmente a validade e vigência do mandamento e as origens endêmicas do princípio sabático. A questão sobre o domingo ter tomado o lugar do sétimo dia já é outra.


8) A Bíblia ensina a observância do domingo no lugar do sábado?

  O Dr. H. Gunkel, da Igreja Luterana, em “Zum religionsgesch. Verstaendnis des N.T.”, diz:
      A admissão do domingo pelos cristãos primitivos é… um sintoma muito importante de que a igreja primitiva foi diretamente influenciada por um sentimento que não se originou no evangelho, nem no Antigo Testamento, mas em um sistema religioso desconhecido para ela.”P. 76. Grifos acrescentados.
  George Sverdrup, numa entrevista para o jornal luterano “A New Day”:
      “Como não foi possível produzir um só lugar nas Sagradas Escrituras que testifique que o Senhor mesmo ou os apóstolos ordenaram uma transferência do sábado para o domingo, então não era fácil responder à pergunta: ‘Quem transferiu o sábado e quem tem autoridade de fazê-lo?’”
  Carlstadt, um dos primeiros reformadores e amigo íntimo de Lutero, tentou trazer a reforma do sábado do sétimo dia naquela época:
      “Carlstadt defendeu a divina autoridade do sábado do Velho Testamento.”Dr. Barnes Sears, “Life of Luther” (Vida de Lutero), p. 147.

  E Martinho Lutero, em seu “Agaist the Celestial Prophets”, declara:
      “Em verdade, se Carlstadt escrevesse mais acerca do sábado, o domingo logo teria que lhe ceder o lugar, e o sábado ser santificado.”Citado em “Life of Martin Luther in Pictures”, p. 147.
  O ensino oficial da Igreja Luterana, em seu “Confisson de Foi d’Augsburg” (Confissão de Fé de Augsburgo), assim declara:
      “A observância do Dia do Senhor (domingo) não assenta em nenhum mandamento de Deus, mas sim na autoridade da Igreja. (…)
      “Eles (os Católicos) alegam que o sábado foi mudado para o domingo, o dia do Senhor, contrariamente o Decálogo; como é evidente, não existe exemplo algum de maior jactância do que a mudança do sábado. Grande, dizem eles, é o poder e autoridade da Igreja (Católica), visto haver omitido um preceito do decálogo, alterando os mesmos.”
    Em “Augsburg Confession of Faith”, art. XXVIII. Ver Philip Schaff, “The Creeds of Christendom” (ed. 4), vol. 3, p. 63 e 64, tradução da parte 2, art. 7, “Do Poder Eclesiástico”, da Confissão de Fé de Augsburgo. (O artigo 28 da Confissão é o art. 7 da parte 2). Citado em “Cox’s Sabbath Manual”, p. 287. Grifos acrescentados.
  O Dr. Philip Schaff, teólogo e historiador eclesiástico, declara sobre a “Confissão de Augsburg”:
      “A Confissão de Augsburgo foi a primeira e a mais famosa das confissões de fé evangélica. Ela expressou clara e totalmente, de forma sistemática, os principais artigos de fé pelos quais se batiam Lutero e seus companheiros havia já treze anos, desde o protesto levantado contra o tráfico das indulgências. Pelos seus méritos intrínsecos e suas origens históricas, ela tomou-se o principal padrão doutrinário da Igreja Luterana. (…) Excluindo-se o prefácio e o epílogo, a Confissão consiste de duas partes, uma positiva e dogmática, outra negativa e um tanto polêmica, ou melhor, apologética. A primeira refere-se principalmente a doutrinas, a segunda a cerimônias e instituições. A primeira parte apresenta em vinte e um artigos… as doutrinas defendidas pelos evangélicos luteranos. A segunda parte rejeita em sete artigos os abusos de Roma que foram considerados mais objetáveis e que foram realmente corrigidos pelas igrejas luteranas.”Em “History of the Christian Church”, vol. 7, p. 707–713. Philip Schaff foi presidente da comissão revisora da Bíblia em Inglês e editor da versão americana da Enciclopédia de J. Herzog. (J. N. Andrews e L. R. Corandi, “The History of the Sabbath”. p. 836).

9) Como poderíamos resumir todo o ensinamento luterano que vimos até agora?

 A A universal e eterna lei de Deus é sistematizada e expressa para o homem na forma dos Dez Mandamentos, também universais e eternos, que prosseguem válidos e vigentes como norma de conduta cristã. Tal fato sempre foi oficialmente reconhecido por doutíssimas autoridades em Teologia do presente e do passado, pertencentes às mais diferentes denominações, e é o que tradicionalmente constituiu o pensamento geral de toda a cristandade.

 B A lei divina nas Escrituras se apresenta com preceitos morais, cerimoniais, civis, etc., sendo que a parcela cerimonial, por ser prefigurativa do sacrifício de Cristo, findou na cruz, mas os mandamentos de caráter moral prosseguem válidos e vigentes para os cristãos.

 C Dentro do Decálogo há o quarto mandamento estabelecendo que um dia inteiro entre sete de descanso deve ser santificado a Deus, princípio este que fora instituído na fundação do mundo para benefício do homem no Éden e deve ser mantido pelos cristãos hoje.

 D Jesus não transgrediu o quarto mandamento, muito pelo contrário, Ele pretendia reformar sua observância de acordo com a essência do princípios sabático e em nenhum lugar da Bíblia consta a informação de que o sábado foi substituído do sétimo dia para o primeiro da semana.


10) O que deve fazer o cristão, numa demonstração prática de sabedoria e amor a Deus?
      Se Me amardes, guardareis os Meus mandamentos. (…) Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda esse é o que Me ama; e aquele que Me ama será amado de Meu Pai, e Eu o amarei, e Me manifestarei a ele. (Jo.14:15,21)

11) Diante de tudo o que foi apresentado, qual deve ser a posição de cada ovelha do rebanho da Igreja Luterana?

  A Bíblia Viva registra Tiago 4:17 da seguinte maneira:
      Lembrem-se também de que, saber o que deve ser feito e não fazer, é pecado.

12) Como cristão sincero, nascido de novo pelo sangue de Cristo, qual vai ser a sua resposta ao Senhor Jesus?

  A escolha é totalmente sua!
      Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. (Ap.14:12)


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