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 Abraão no Monte Moriá

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sodré
Aletheiano
Aletheiano


Número de Mensagens : 37
Data de inscrição : 01/01/2008

MensagemAssunto: Abraão no Monte Moriá   2/20/2008, 11:26





Na obediência da fé, Abraão havia abandonado o país natal: afastara-se dos
túmulos de seus pais, e do lar de sua parentela. Vagueara como um
estrangeiro na terra de sua herança. Tinha esperado por muito tempo
pelo nascimento do herdeiro prometido. Por ordem de Deus despedira seu
filho Ismael. E agora, quando o filho que fora desejado durante tanto
tempo chegava à varonilidade, e o patriarca parecia poder divisar os
frutos de suas esperanças, uma prova maior do que todas as outras
estava diante dele.


A ordem foi expressa em palavras que deveriam ter contorcido
angustiosamente aquele coração de pai: "Toma agora o teu filho, o teu
único filho Isaque, a quem amas, ... e oferece-o ali em holocausto".
Gên. 22:2. Isaque era-lhe a luz do lar, a consolação da velhice, e
acima de tudo o herdeiro da bênção prometida. A perda de tal filho por
desastre, ou moléstia, teria despedaçado o coração do pai extremoso;
teria curvado sua encanecida cabeça pela dor; entretanto, foi-lhe
ordenado derramar o sangue daquele filho, com sua própria mão.
Pareceu-lhe uma terrível impossibilidade.
[/b]


Satanás estava a postos para sugerir que ele devia estar enganado, pois que a
lei divina ordena: "Não matarás" (Êxo. 20:13), e Deus não exigiria o
que uma vez proibira. Saindo ao lado de sua tenda, Abraão olhou para o
calmo resplendor do céu sem nuvens, e lembrou-se da promessa feita
quase cinqüenta anos antes, de que sua semente seria numerosa como as
estrelas. Se esta promessa devia cumprir-se por meio de Isaque, como
poderia ele ser morto? Abraão foi tentado a crer que poderia estar
iludido. Em sua dúvida e angústia prostrou-se em terra e orou, como
nunca antes orara, pedindo alguma confirmação da ordem quanto a dever
ele cumprir essa terrível incumbência. Lembrou-se dos anjos enviados
para revelar-lhe o propósito de Deus de destruir Sodoma, e que lhe
trouxeram a promessa deste mesmo filho Isaque, e foi para o lugar em
que várias vezes encontrara os mensageiros celestiais, esperando
encontrá-los outra vez, e receber algumas instruções mais; mas nenhum
veio em seu socorro. As trevas pareciam envolvê-lo; mas a ordem de Deus
estava a soar-lhe aos ouvidos: "Toma agora o teu filho, o teu único
filho Isaque, a quem tu amas." Gên. 22:2. Aquela ordem devia ser
obedecida, e não ousou demorar-se. O dia se aproximava, e ele devia
estar a caminho.


Voltando à sua tenda, foi ao lugar em que Isaque, deitado, dormia o sono profundo, calmo, da juventude e inocência. Por um momento
o pai olhou para o rosto querido do filho; voltou então a tremer. Foi
ao lado de Sara, que também estava a dormir. Deveria despertá-la, para
que mais uma vez pudesse abraçar o filho? Deveria falar-lhe do mandado
de Deus? Anelava aliviar o coração, falando a ela, e partilhar
juntamente com ela desta terrível responsabilidade; mas se conteve pelo
temor de que o pudesse impedir. Isaque era a alegria e o orgulho dela;
sua vida estava ligada a ele, e o amor de mãe poderia recusar-se ao
sacrifício.


Finalmente Abraão chamou o filho, falando-lhe da ordem de oferecer sacrifício em
uma montanha distante. Isaque tinha freqüentes vezes ido com o pai a
adorar em algum dos vários altares que assinalavam suas peregrinações,
e esta chamada não provocou surpresa. Fizeram-se rapidamente os
preparativos para a viagem. Preparou-se a lenha, puseram-na sobre o
jumento, e com dois servos partiram.



Lado a lado, pai e filho viajavam silenciosamente. O patriarca, ponderando
seu cruel segredo, não tinha ânimo para falar. Seus pensamentos estavam
naquela mãe ufana e extremosa, e considerava o dia em que sozinho
deveria voltar a ela. Bem sabia que a faca lhe cortaria o coração,
quando tirasse a vida de seu filho.





Aquele dia - o mais comprido que jamais Abraão experimentara - arrastava-se
vagarosamente ao seu termo. Enquanto seu filho e os moços dormiam,
passou ele a noite em oração, esperando ainda que algum mensageiro
celestial pudesse vir dizer que a prova já era suficiente, que o jovem
poderia voltar ileso para sua mãe. Nenhum alívio, porém, lhe veio à
alma torturada. Outro longo dia, outra noite de humilhação e oração,
enquanto a ordem que o deveria deixar desfilhado lhe repercutia sempre
no ouvido. Perto estava Satanás para insinuar dúvidas e incredulidade;
mas Abraão resistiu a suas sugestões. Quando estavam a ponto de iniciar
a viagem do terceiro dia, o patriarca, olhando para o Norte, viu o
sinal prometido, uma nuvem de glória pairando sobre o Monte Moriá, e
compreendeu que a voz que lhe falara era do Céu.





Mesmo agora não murmurou contra Deus, mas fortaleceu a alma pensando nas
provas da bondade e fidelidade do Senhor. Este filho fora dado
inesperadamente; e não tinha Aquele que conferira a preciosa dádiva o
direito de reclamar o que era Seu? Então a fé repetiu a promessa: "Em
Isaque será chamada a tua semente" (Gên. 21:12) - semente numerosa como
os grãos de areia na praia. Isaque fora filho de um milagre, e não
poderia
o poder que lhe dera vida restaurá-lo? Olhando para além daquilo que era
visível, Abraão apreendeu a palavra divina, considerando "que Deus era
poderoso para até dos mortos o ressuscitar". Heb. 11:19.




Todavia, ninguém senão Deus poderia compreender quão grande era o sacrifício do
pai, ao entregar seu filho à morte; Abraão não quis que ninguém, a não
ser Deus, testemunhasse a cena da separação. Mandou a seus servos que
ficassem atrás, dizendo: "Eu e o moço iremos até ali; e, havendo
adorado, tornaremos a vós". Gên. 22:5-8. A lenha foi posta sobre
Isaque, aquele que seria oferecido; o pai tomou a faca e o fogo, e,
juntos, subiram para o cume da montanha, considerando o jovem em
silêncio de onde deveria vir a oferta, tão longe de apriscos e
rebanhos. Finalmente falou: "Meu pai", "eis aqui o fogo e a lenha, mas
onde está o cordeiro para o holocausto?" Oh, que prova foi esta! Quanto
as carinhosas palavras - "meu pai", feriram o coração de Abraão! Ele
não lhe poderia dizer por enquanto. "Deus proverá para Si o cordeiro
para o holocausto, meu filho" (Gên. 22:8), disse ele.





No lugar indicado construíram o altar, e sobre o mesmo colocaram a lenha.
Então, com voz trêmula, Abraão desvendou a seu filho a mensagem divina.
Foi com terror e espanto que Isaque soube de sua sorte; mas não opôs
resistência. Poderia escapar deste destino, se o houvesse preferido
fazer; o ancião, ferido de pesares, exausto com as lutas daqueles três
dias terríveis, não poderia ter-se oposto à vontade do vigoroso jovem.
Isaque, porém, tinha sido educado desde a meninice a uma obediência
pronta e confiante, e, ao ser o propósito de Deus manifesto perante
ele, entregou-se com voluntária submissão. Era participante da fé de
Abraão, e sentia-se honrado sendo chamado a dar a vida em oferta a
Deus. Com ternura procura aliviar a dor do pai, e auxilia-lhe as mãos
desfalecidas a amarrarem as cordas que o prendem ao altar.





E agora as últimas palavras de amor são proferidas, as últimas lágrimas
derramadas, o último abraço dado. O pai levanta o cutelo para matar o
filho, quando o braço subitamente lhe é detido. Um anjo de Deus chama
do Céu o patriarca: "Abraão, Abraão!" Ele rapidamente responde: "Eis-me
aqui". E de novo se ouve a voz: "Não estendas a tua mão sobre o moço, e
não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não Me
negaste o teu filho, o teu único". Gên. 22:11-18.


Então Abraão viu "um carneiro detrás dele, travado pelas suas pontas num
mato", e prontamente trazendo a nova vítima, ofereceu-a "em lugar de
seu filho". Em sua alegria e gratidão, Abraão deu um novo nome ao lugar
sagrado - "Jeová-jire", "o Senhor proverá". Gên. 22:14.
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No Monte Moriá Deus outra vez renovou Seu concerto, confirmando com
juramento solene a bênção a Abraão e sua semente, por todas as gerações
vindouras: "Por Mim mesmo, jurei, diz o Senhor: Porquanto fizeste esta
ação, e não Me negaste o teu filho, o teu único, que deveras te
abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as
estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua
semente possuirá a porta dos seus inimigos; e em tua semente serão
benditas todas as nações da Terra; porquanto obedeceste à Minha voz."



O grande ato de fé, de Abraão, permanece como uma coluna de luz,
iluminando o caminho dos servos de Deus em todos os séculos
subseqüentes. Abraão não procurou esquivar-se de fazer a vontade de
Deus. Durante aquela viagem de três dias, ele teve tempo suficiente
para raciocinar, e para duvidar de Deus se estivesse disposto a isto.
Poderia ter raciocinado que o tirar a vida a seu filho fá-lo-ia ser
considerado como um homicida, um segundo Caim; que isto faria com que
seu ensino fosse rejeitado e desprezado, e assim destruiria o seu poder
para fazer bem a seus semelhantes. Poderia ter alegado que a idade o
dispensaria da obediência. Mas o patriarca não procurou refúgio em
qualquer dessas desculpas. Abraão era humano; suas paixões e afeições
eram semelhantes às nossas; mas não se deteve a discutir como a
promessa poderia cumprir-se caso Isaque fosse morto. Não se deteve a
arrazoar com o seu coração dolorido. Sabia que Deus é justo e reto em
todas as Suas reivindicações, e à risca obedeceu à ordem.





"E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi
chamado o amigo de Deus." Tia. 2:23. E Paulo diz: "Os que são da fé são
filhos de Abraão". Gálatas 3:7. Mas a fé de Abraão foi manifesta pelas
suas obras. "O nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando
ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou
com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada." Tia. 2:21
e 22. Há muitos que não podem compreender a relação da fé com as obras.
Dizem eles: "Crê apenas em Cristo, e estás salvo. Nada tens que ver com
a guarda da lei." Mas a fé genuína se manifestará pela


obediência. Disse Cristo aos judeus incrédulos: "Se fôsseis filhos de Abraão,
faríeis as obras de Abraão." João 8:39. E, com relação ao pai dos
fiéis, declara o Senhor: "Abraão obedeceu à Minha voz, e guardou o Meu
mandado, os Meus preceitos, os Meus estatutos, e as Minhas leis". Gên.
26:5. Diz o apóstolo Tiago: "A fé, se não tiver as obras, é morta em si
mesma." Tia. 2:17. E João, que tão amplamente se ocupa com o amor,
diz-nos: "Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos." I
João 5:3.





Por símbolos e por promessas, Deus "anunciou primeiro o evangelho a
Abraão". Gálatas 3:8. E a fé do patriarca fixou-se no Redentor
vindouro. Disse Cristo aos judeus: "Abraão, vosso pai, exultou por ver
o Meu dia, e viu-o, e alegrou-se". João 8:56. O carneiro oferecido em
lugar de Isaque representava o Filho de Deus, que seria sacrificado em
nosso lugar. Quando o homem foi condenado à morte pela transgressão da
lei de Deus, o Pai, olhando para o Filho, disse ao pecador: "Vive, Eu
achei um resgate".





Foi para impressionar o espírito de Abraão com a realidade do evangelho,
bem como para lhe provar a fé, que Deus o mandou matar seu filho. A
angústia que ele sofreu durante os dias tenebrosos daquela terrível
prova, foi permitida para que compreendesse por sua própria experiência
algo da grandeza do sacrifício feito pelo infinito Deus para a redenção
do homem. Nenhuma outra prova poderia ter causado a Abraão tal tortura
de alma, como fez a oferta de seu filho. Deus deu Seu Filho a uma morte
de angústia e ignomínia. Aos anjos que testemunharam a humilhação e
angústia de alma do Filho de Deus, não foi permitido intervirem, como
no caso de Isaque. Não houve nenhuma voz a clamar: "Basta". A fim de
salvar a raça decaída, o Rei da glória rendeu a vida. Que prova mais
forte se pode dar da infinita compaixão e amor de Deus? "Aquele que nem
mesmo a Seu próprio Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como
nos não dará também com Ele todas as coisas?" Rom. 8:32.





O sacrifício exigido de Abraão não foi somente para seu próprio bem, nem
apenas para o benefício das gerações que se seguiram; mas também foi
para instrução dos seres destituídos de pecado, no Céu e em outros
mundos. O campo do conflito entre Cristo e Satanás - campo este em que
o plano da salvação se encontra formulado - é o compêndio do Universo.
Porquanto


Abraão mostrara falta de fé nas promessas de Deus, Satanás o acusara perante
os anjos e perante Deus de ter deixado de satisfazer as condições do
concerto, e de ser indigno das bênçãos do mesmo concerto. Deus desejou
provar a lealdade de Seu servo perante o Céu todo, para demonstrar que
nada menos que perfeita obediência pode ser aceito, e para patentear de
maneira mais ampla, perante eles, o plano da salvação.
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Seres celestiais foram testemunhas daquela cena em que a fé de Abraão e a
submissão de Isaque foram provadas. A prova foi muito mais severa do
que aquela a que Adão havia sido submetido. A conformação com a
proibição imposta a nossos primeiros pais, não envolvia sofrimentos;
mas a ordem dada a Abraão exigia o mais angustioso sacrifício. O Céu
inteiro contemplava com espanto e admiração a estrita obediência de
Abraão. O Céu todo aplaudiu sua fidelidade. As acusações de Satanás
demonstraram-se falsas. Deus declarou a Seu servo: "Agora sei que temes
a Deus [a despeito das acusações de Satanás], e não Me negaste o teu
filho, o teu único." O concerto de Deus, confirmado a Abraão por um
juramento perante os seres de outros mundos, testificou que a
obediência será recompensada.





Tinha sido difícil, mesmo para os anjos, apreender o mistério da redenção,
isto é, compreender que o Comandante do Céu, o Filho de Deus, devia
morrer pelo homem culposo. Quando foi dada a Abraão a ordem para
oferecer seu filho, isto assegurou o interesse de todos os entes
celestiais. Com ânsia intensa, observavam cada passo no cumprimento
daquela ordem. Quando à pergunta de Isaque - "Onde está o cordeiro para
o holocausto?" Abraão respondeu: "Deus proverá para Si o cordeiro"
(Gên. 22:7 e 8), e quando a mão do pai foi detida estando a ponto de
matar seu filho, e fora oferecido o cordeiro que Deus provera em lugar
de Isaque, derramou-se então luz sobre o mistério da redenção, e mesmo
os anjos compreenderam mais claramente a maravilhosa providência que
Deus tomara para a salvação do homem. I Ped. 1:12.
[/size]

Patriarcas e Profetas pags 147-152 E G White


Última edição por sodré em 2/20/2008, 11:41, editado 3 vez(es)
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