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 A QUESTÃO SOBRE AS ESPIGAS

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Ronaldo
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MensagemAssunto: A QUESTÃO SOBRE AS ESPIGAS   2/14/2008, 20:33

A QUESTÃO SOBRE AS ESPIGAS



Em Lucas 6:1-2 lemos: "E aconteceu que, no sábado , passou pelas searas e os seus discípulos iam arrancando espigas e esfregando-as com as mãos, as comiam". E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? O verso 1 mostra o contexto histórico desse conflito. O verso 2 registra o ataque dos fariseus, que ocorreu porque os discípulos quebraram 4 leis daquelas 1500 que haviam sobre a guarda do sábado. Primeiro, quando eles arrancavam as espigas, estavam sendo culpados por estarem fazendo COLHEITA. Segundo, quando eles esfregavam as espigas em suas mãos para limpa-las, estavam sendo culpados de DEBULHAR. Terceiro, quando eles sopravam as espigas em suas mãos para separar a sujeira, estavam sendo culpados de estarem PENEIRANDO. Quarto, quando eles engoliam as espigas, estavam sendo culpados de ESTOCAR, ARMAZENAR comida. Esta era a maneira extrema de se "construir uma cerca em volta da lei", naqueles tempos.

Por causa dessas regras, alguns fariseus não se arriscariam a andar sobre a grama no dia de sábado. Se fosse perguntado a um rabi daquela época: "O que há de errado em se andar sobre a grama no dia de sábado?", a resposta seria: "Nada. Você pode andar sobre a grama no dia de sábado". No entanto, há um problema. Este simples campo gramado, poderia ter algumas sementes crescendo nele. Uma pessoa que estivesse andando por esse campo, poderia inadvertidamente pisar naquela semente, separá-la de seu tronco e assim tornar-se culpada de estar colhendo no dia de sábado. Além do mais, se ela pisasse na semente com força suficiente para separar a semente da casca, esta pessoa seria culpada de estar debulhando no sábado. Se ela continuasse a andar, e o vento deslocado por suas vestes fizesse com que a casca da semente se separasse, seria culpada de estar peneirando no dia de sábado.

Finalmente, se essa pessoa fosse embora e um pássaro ou um roedor visse a semente e engolisse, ela seria culpada de estar estocando semente no dia de sábado. Jesus respondeu fazendo 6 declarações.

Primeiro, Ele relembrou um fato histórico ocorrido com o rei Davi, nos versos 3-4: "E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição e os comeu e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer senão só aos sacerdotes"? Ele mostrou que Davi também violou a lei farisaica, ao comer os pães da proposição. Moisés nunca disse que um levita não podia dar os pães da proposição a um não-levita. A lei farisaica, no entanto, dizia isso. No caso dos fariseus, eles não poderiam dizer que Davi viveu antes da lei oral, porque na teologia deles, Deus deu a lei oral a Moisés; por isso, a lei oral já existia no tempo de Davi. Se Davi podia quebrar a lei farisaica, então o principal dos filhos de Davi também podia (Mt.12:3-4; Mc. 2:25-26).

Segundo, a lei do descanso sabático não se aplicava em toda ocasião, conforme Mt.12:5: "Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa"? Esta era a situação dos que trabalhavam no templo. Para eles, o sábado não era um dia de descanso, mas sim um dia de trabalho. De fato, eles tinham que trabalhar mais no dia de sábado do que nos demais dias. Todos os dias tinham sacrifícios diários e rituais, mas no sábado, todos os sacrifícios eram em dobro. Além do mais, haviam rituais especiais realizados somente nos sábados. Por isso, o sábado não era um dia de descanso para aqueles que trabalhavam no templo. Isso mostra que a lei de Moisés permitia e ainda mandava que certos trabalhos fossem feitos no sábado. Até mesmo os fariseus permitiam certos trabalhos como por exemplo, a realização de partos, circuncisão e a preparação dos cadáveres no dia de sábado. A questão era que a lei do descanso sabático não se aplicava em todas as situações.

Terceiro, Ele mostrou que certos trabalhos eram SEMPRE permitidos no dia de sábado, como declarado em Mt.12:7: "Mas se vocês soubessem o que significa: Misericórdia quero e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes". Citando Os.6:6, trabalhos de necessidade tal como se alimentar, e trabalhos de piedade tais como curas, sempre eram permitidos no sábado.

Em Quarto e último lugar, Ele declarou que eles tinham interpretado mal o propósito do sábado, em Mc. 2:27: "E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado". O judaísmo farisaico, ensinava que a razão pela qual Deus havia criado Israel, era honrar o sábado. Por isso, Israel foi feito para o sábado. Jesus, no entanto, ensinou que exatamente o oposto é que era verdade. O homem não foi feito para o sábado; o sábado foi feito para o homem. O propósito do sábado era dar ao homem um dia de refrigério e descanso, e não escravizar o homem em leis sabáticas. As 1500 regras e regulamentações criadas para se guardar o sábado, tinham o efeito de escravizar os homens ao sábado. Por isso, eles não entenderam o propósito do sábado.
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MensagemAssunto: Re: A QUESTÃO SOBRE AS ESPIGAS   2/14/2008, 20:37

Algumas leis que os fariseus combravam de JESUS eram "mandamentos de homens que se desviam da Verdade" (Tt 1:14 / Mt 15:2).

Os discípulos ao "colherem", violaram o Sábado?

Mt 13:29 > Ele, porém, disse: Não; para que, ao colher (grego - "sullego") o joio, não arranqueis com ele também o trigo.

A palavra grega traduzida por "colher" é "sullego" aparece 9 vezes no NT. Eis os versículos:

Mt 7:16 / Mt 13:28-30 / Mt 13:41 / Lc 6:44 / Mt 13:40 / Mt 13:48 / Mt 13:30
A palavra "sullego" pode ser vertida como "coletar", "recolher" (fonte: Strong's Hebrew and Greek Dictionaries)

Mt 12:1 > Naquele tempo passou Jesus pelas searas num dia de sábado; e os seus discípulos, sentindo fome, começaram a colher (grego - "tillo") espigas, e a comer.A palavra grega "tillo" aparece apenas 3 vezes na Bíblia, em especial, todas elas na mesma situação registrada em Mt 12:1.

Mt 12:1 / Mc 2:23 / Lc 6:1

A palavra "tillo" pode ser vertida como "retirar", "arrancar" (fonte: Strong's Hebrew and Greek Dictionaries)

Na gramática grega dá para notar a clara diferença entre o emprego de tais palavras gregas. O relato de Mt 12:1 registra que "os discípulos, sentindo fome, começaram a colher espigas, e a comer". Logicamente, o que se nota é que não havia nenhuma ferramenta de colheita (Is 2:4 / Mt 3:12) nas mãos dos discípulos; provando assim que o que eles faziam em nada se assemelhava à colheita costumeira e labutosa (durante os outros 6 dias da semana) que exigia animais, servos e filhos, o que era, de fato, ilícito (Dt 5:14).

A aplicação da palavra grega "tillo" foi bem empregada; pois se, no lugar de tal, fosse empregada a palavra "sullego", o sentido do "colher espigas" seria mais penoso e cansativo, o que entra em contraste com o quarto mandamento.
Os discípulos não estavam colhendo espigas para comer no ato, em harmonia com o que está escrito na Lei (Dt 23:25).

Dt 23:25 > Quando entrares na seara do teu próximo, poderás colher espigas com a mão, porém não meterás a foice na seara do teu próximo.

Consideremos, pois, o paralelo que JESUS apresentou em resposta à acusação judaica:

Mt 12:3 >Ele, porém, lhes disse: Acaso não lestes o que fez Davi, QUANDO TEVE FOME, ele e seus companheiros?

JESUS apresenta EXTREMOS que devem ser reconsiderados pelo uso da MISERICÓDIA e não do SACRIFÍCIO.

Considere o que disse Paulo.

At 27:33-34 > Enquanto amanhecia, Paulo rogava a todos que comessem alguma coisa, dizendo: É já hoje o décimo quarto dia que esperais e permaneceis em jejum (espécie de sacrifício), não havendo provado coisa alguma. ROGO-VOS, portanto, QUE COMAIS ALGUMA COISA, PORQUE DISSO DEPENDE A VOSSA SEGURANÇA; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós.

Vendo a CONDIÇÃO DE FOME de Davi e seus companheiros, o sacerdote só daria o pão sagrado a eles se tais estivessem "ao menos se abstido de mulheres" (1Sm 21:4 / Ex 19:15)

Considerando agora o caso dos discípulos, QUE TAMBÉM ESTAVAM COM FOME, eles só poderiam comer "se colhessem com as mãos" e comessem no ato (Dt 23:25).

Assim como os sacerdotes (do caso de Davi – 1Sm 21:3-7) e Neemias (do caso de Jerusalém – Ne 13:15-22) tomaram atitudes APARENTEMENTE CONTRA A LEI em SITUAÇÕES EXTREMAS. Por que JESUS não permitiria que os discípulos, por estarem "mortos de fome", comessem? ISSO É QUE SERIA SACRIFÍCIO E NÃO MISERICÓDIA, o que contraria as Escrituras (Os 6:6 / Pr 21:3).

Bem sabia JESUS o que a Lei dizia a respeito daquela situação. É de consideração que, durante a vida dos apóstolos, por não ter havido outra SITUAÇÃO DE FOME, NÃO HOUVE MAIS A PRÁTICA DE TAL ATO NO SÁBADO.
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MensagemAssunto: Re: A QUESTÃO SOBRE AS ESPIGAS   2/14/2008, 20:39

"Naquele tempo passou Jesus pelas searas num dia de sábado; e os seus discípulos, sentindo fome, começaram a colher (grego - "tillo") espigas, e a comer (Mt 12:1).

A palavra grega "tillo" aparece apenas 3 vezes na Bíblia, em especial, todas elas na mesma situação registrada em Mt 12:1.

Mt 12:1 / Mc 2:23 / Lc 6:1

A palavra "tillo" pode ser vertida como "retirar", "arrancar" (fonte: Strong's Hebrew and Greek Dictionaries).

"Ele, porém, disse: Não; para que, ao colher (grego - "sullego") o joio, não arranqueis com ele também o trigo" (Mt 13:29).

Outra palavra grega vertida também como "colher" é "sullego" que aparece 9 vezes. Eis os versículos:

Mt 7:16 / Mt 13:28-30 / Mt 13:41 / Lc 6:44 / Mt 13:40 / Mt 13:48 / Mt 13:30
A palavra "sullego" pode ser vertida como "coletar", "recolher" (fonte: Strong's Hebrew and Greek Dictionaries).

Na gramática grega dá para notar a clara diferença entre o emprego de tais palavras gregas. O relato de Mt 12:1 registra que "os discípulos, sentindo fome, começaram a colher espigas, e a comer". Logicamente, o que se nota é que não havia nenhuma ferramenta de colheita (Is 2:4 / Mt 3:12) nas mãos dos discípulos; provando assim que o que eles faziam em nada se assemelhava à colheita costumeira e labutosa (durante os outros 6 dias da semana) que exigia animais, servos e filhos (Dt 5:14).

A aplicação da palavra grega "tillo" ("colher" em Mt 12:1) foi bem empregada; pois se, no lugar de tal, fosse empregada a palavra "sullego" ("colher" em Mt 13:29), o sentido do "colher espigas" seria mais penoso e cansativo, o que entra em contraste com o quarto mandamento.

Os discípulos não estavam colhendo espigas para vender no mercado, e sim para comer no ato, em harmonia com o que está escrito na Lei.

Em suma:

Assim como há diferença entres as duas palavras gregas vertidas por "colher" no NT, a saber:
1 - "sullego" (coletar, recolher - Lexico Grego Strongs) (Mt 13:29)

2 - "tillo" (retirar, arrancar - Lexico Grego Strongs) (Mt 12:1)

Existe também diferença entre as palavras hebraicas vertidas por "colher" no AT, a saber:
1 - "laqat" (apanhar, juntar, respigar, recolher - Lexico Grego Strongs) (Ex 16:26)
2 - "qataph" (arrancar ou cortar fora, extirpar - Lexico Grego Strongs) (Dt 23:25)

Vemos que a colheita proibida no sábado era a de "laqat" ("sullego" - Mt 13:29) e não a que é incentivada em Dt 23:25 que é a de "qataph" ("tillo" - Mt 12:1).

Os discípulos, não transgrediram o sábado pela ótica da Lei do AT. Se alguma lei eles transgrediram ... então foi a lei da tradição dos anciãos.
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MensagemAssunto: Re: A QUESTÃO SOBRE AS ESPIGAS   2/14/2008, 20:40

A Lei não é "só" punitiva; ela é justa, boa, santa ...

E tendo ela em mente Dt 23:25, o caso de "Davi e seus companehiros" e dos "saerdotes no Templo", que JESUS aplicou as Palavras escritas por Oséias (guardador da Lei).

O interessante é que quando JESUS diz:

"Acaso não lestes o que fez Davi, QUANDO TEVE FOME, ele e seus companheiros?" (Mt 12:3).

JESUS apresenta EMERGENCIAS que devem ser reconsiderados pelo uso da MISERICÓDIA e não do SACRIFÍCIO; e é pra isso que serve o sábado, para o homem o santifique, descanse ... e sem deixar de lado o amor às vidas e as boas obras.

No caso de Davi, o sacerdote, vendo a CONDIÇÃO DE FOME de Davi e seus companheiros, só daria o pão sagrado a eles se tais estivessem "ao menos se abstido de mulheres" (1Sm 21:4 / Ex 19:15).

Considerando agora o caso dos discípulos, QUE TAMBÉM ESTAVAM COM FOME, eles só poderiam comer "se colhessem com as mãos" e comessem no ato (Dt 23:25).

Assim como o sacerdote (do caso de Davi – 1Sm 21:3-7) tomaram atitudes APARENTEMENTE CONTRA A LEI em SITUAÇÕES EXTREMAS. Por que JESUS não permitiria que os discípulos, por estarem "mortos de fome", comessem? ISSO É QUE SERIA MISERICÓDIA E NÃO SACRIFÍCIO.

Bem sabia JESUS o que a Lei dizia a respeito daquela situação:

"Quando entrares na seara do teu próximo, poderás colher espigas com a mão, porém não meterás a foice na seara do teu próximo" (Dt 23:25).

É de consideração que, durante a vida dos apóstolos, por não ter havido outra SITUAÇÃO DE FOME, NÃO HOUVE MAIS A PRÁTICA DE TAL ATO NO SÁBADO.
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