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 A Lei de Deus aos Gálatas

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MensagemAssunto: A Lei de Deus aos Gálatas   2/6/2008, 02:20

A Lei de Deus aos Gálatas

Gálatas 2:16 - "Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Jesus Cristo, também temos crido em Jesus Cristo, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado."

Paulo como que franze o cenho, olhando para Pedro e os demais apóstolos e discípulos, usando de sua fina dialética, mostra-lhes o poder do evangelho.

Circuncisão era uma exigência da Lei Cerimonial, necessária antes de Cristo. Mas após a morte do Senhor, cumprir esse ritual era buscar justificação pelas obras; por isso Paulo rebateu essa posição, pois o necessário agora era demonstrar e exercer fé no sacrifício de Jesus, e nada mais. Querer, portanto, praticar esse ritual depois que foi cancelado, era tentar justificar a si próprio, o que contraditava o Evangelho de Jesus.
Por isso Paulo enfatizava: "Por obras da lei ninguém será justificado." Corretíssimo. A Lei Cerimonial não se compunha somente do dogma da circuncisão, mas de uma infinidade de cerimônias; porém, o problema na ordem do dia é ela. O foco principal discorrido entre Paulo e os demais, é a circuncisão comentada na epístola.

Gálatas 2:21 - "Não anulo a graça de Deus, porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu inutilmente."

Antes do advento do Messias, Deus dera aos judeus, em especial, um ritual maravilhoso. Um conjunto de cerimônias, acompanhado de variadas ordenanças. Sua obrigação era exigível, pois todo o cerimonial apontava para Jesus. Era portanto necessário até que Ele viesse. Vindo porém o Filho de Deus, todo aquele cerimonial, embora belo e requerido, tornara-se inútil, pois era sombra de Jesus (Hebreus 10:1). Paulo por sua vez, compreendeu assim, aceitou o fato e colocou-o em prática. Por isso, indignou-se, ao ver, agora, novamente os discípulos voltarem a circuncidar-se.

Mais irritado ficou, ao notar os próprios apóstolos presenciarem essa disposição de suas ovelhas e nada fazerem. Permaneciam inertes. Daí causar, em Paulo, repulsa tal que levou a repreender não somente os discípulos mas também a Pedro. Paulo não concordava de modo algum, com a atitude daqueles homens que tiveram repetidas vezes o esclarecimento do plano de salvação. Um plano tão detalhado, com o seu cumprimento na morte vicária de Jesus, voltar agora aos rituais abolidos. E se essas praticas pudesse justificar o oferente, então Jesus teria morrido em vão, asseverava Paulo.

Ressaltando que a "lei" focada é sem dúvida nenhuma a Lei Cerimonial, pois tudo está exatamente dentro do mesmo fim explicativo de Paulo, da seqüência do pensamento discorrido por ele no capítulo 2. Por isso não há por que isolá-lo. Isolando-o, perderá seu sentido real. Destruirá o pensamento proposto e ardorosamente defendido por Paulo.

Gálatas 3:10 - "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as cousas escritas no livro da lei, para praticá-las."

Se tivéssemos aberto a Bíblia agora, tomando este versículo separado, lendo-o, e em seguida fechando-a, certamente iríamos interpreta-la de maneira errônea. Mas infelizmente é dessa forma que a mensagem do apóstolo Paulo é estudada por muitos. Servindo-se deste versículo, muitos pregam inverdades e escrevem grosseiras falsidades, enganando muita gente sincera.

1.º - Quem pratica ou permanece em "todas cousas escritas no livro da lei" está sob maldição. Logicamente não poderá ser a Lei Moral ou os Dez Mandamentos, que a Bíblia nos mostra sem deixar qualquer dúvida. As Escrituras deixam bem claro que os Dez Mandamentos são eternos e não mudam. E estes mesmos Dez Mandamentos entregue a Moisés no monte Sinai foram divididos sabiamente em duas partes pelo Seu Criador.
Os quatro primeiros dizem respeito à nossa obrigação para com Deus, e os seis restantes, para com o nosso próximo. Assim que, amar a Deus de todo coração, de toda a alma e entendimento, é cumprir os primeiros Quatro Mandamentos da primeira tábua de pedra. E amar nossos semelhantes como a nós mesmos é cumprir os Seis Mandamentos restantes na segunda tábua de pedra. Portanto se isso é maldição, pedimos-lhe para afirmar: é irracional, incabível, insuportável e inverossímil.
2.º - Essa lei que Paulo menciona foi escrita em um livro. Portanto, só isso bastaria para os sinceros crentes compreenderem que essa lei focada pelo apóstolo é a Lei Cerimonial, haja vista que os Dez Mandamentos foram escritos pelo próprio Deus e em pedras (Êxodo 31:18). Ora, pedra é granito, livro é pergaminho, pele de animal e casca de madeira. Por isso mesmo é bastante diferente. Ademais, quem escreveu essa lei insistentemente abordada em Gálatas, não foi Deus, e sim Moisés, é o que descobrimos na leitura de Deuteronômio 31:24, que diz: "Tendo Moisés acabado de escrever, integralmente, as palavras desta lei num livro..."

Gálatas 4:5 -"Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos."

A Lei Cerimonial apontava para Cristo como afirma Paulo, e Cristo veio exatamente para tomar o lugar da oferta que era morta no ritual da manhã e da tarde, pelo pecado. (Êxodo 29:38 a 41; Isaías 1:13; Malaquias 2:8 e 9). Ele acabou com todos os símbolos que apontavam para Sua obra redentora. Por isso recebemos a "adoção de filhos". Fomos precipitados pelo pecado, perdemos a condição de filhos; entretanto agora, arrancados das garras de Satanás, fomos "adotados" por Cristo, pelo Seu sangue e sacrifício na cruz do Calvário. Paulo procurava insistentemente mostrar aos gálatas que, com a vinda do Messias Jesus, o homem não podia ser salvo sob o judaísmo, escorado na Lei Cerimonial.

Gálatas 4:9 e 10 - "Mas agora, conhecemos a Deus, ou antes, sendo conhecidos de Deus, como estais voltando outra vez, a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses e tempos, e anos."

Após um logo estudo sobre as diferenças entre as Lei Moral e Cerimonial, temos certeza absoluta onde encaixar e enquadrar "esses rudimentos fracos e pobres." Entretanto deixaremos bem gravado que a "lei" enfocada novamente por Paulo, é aquela que a Bíblia nos diz ser: Lei Cerimonial, porque:

1.º - Na seqüência do pensamento de Paulo está se mostrando a inutilidade daquelas cerimônias introduzidas pelos judaizantes em sua ausência. Diz que é maldito (Gálatas 3:10) todo aquele que praticar aquelas obras, depois que se tornaram obsoletas. Por outro lado, na Lei Moral, não existem cerimônias. Pelo contrário Ela enobrece o homem, moralizando-o, daí não conter maldição.

2.º - Menciona Paulo que a Lei Cerimonial foi escrita em um livro (Gálatas 3:10), ao passo que a Lei Moral foi escrita em blocos de pedra (Êxodo 31:18).

3.º - Diz Paulo que a Lei Cerimonial tinha um propósito: mostrar a obra redentora de Cristo. E isso não pode ser requerido da Lei Moral. Nos Dez Mandamentos não há ordem para circuncidar, nem matar animais, ou outro ritual qualquer, os quais simbolizavam e apontavam a obra de expiação de Jesus.

4.º - Ninguém será maldito por guardar a Lei Moral; pelo contrário, ela ajuda o homem a tornar-se elevado, nobre e a ter bons princípios. A Lei do Senhor (Dez Mandamentos) é perfeita (Salmo 19:7).

5.º - A Lei Moral não tem "rudimentos", e sim "Mandamentos" (Salmo 119:34 a 36). Em Romanos 7:12: "Por conseguinte, a Lei é santa; e o Mandamento santo, e justo, e bom."

Fica por conseguinte, claríssimo que a "lei" de "rudimentos fracos e pobres" jamais pode ser a Lei Moral, que é enaltecida por Paulo, e que mesmo a fé não pode anular (Romanos 3:31).

"Pelo contrário, a Bíblia diz que os Dez Mandamentos e o testemunho de Jesus são requisitos, características, para distinguir os filhos de Deus, nos momentos finais deste mundo. (Apocalipse 12:17 e Apocalipse 14:12)."

6.º - Portanto a Lei Cerimonial é que se enquadra no texto, pois ela, sim tem "rudimentos", e estes são comprovadamente, "fracos e pobres", foram e são impotentes para justificar. Cumpriram sua missão e pronto. Acabou. E note o paradoxo, foram anulados pela fé em Cristo.

7.º - A Lei Moral não exige a guarda de "dias" e sim de "um" dia, ordenado por Deus - o Sábado - memorial eterno do Seu poder Criador.

8.º - Na lei Cerimonial havia sim "dias", "meses" e "anos". Eram sete festas anuais, consideradas feriados altamente solenes, são elas:

1.ª - Páscoa.
2.ª - Festa dos Pães Asmos.
3.ª - Festa das Primícias (Pentecostes).
4.ª - Memória da Jubilação (Festa das Trombetas).
5.ª - Dia da Expiação.
6.ª - 1.º Dia da Festa dos Tabernáculos.
7.ª - Último Dia da Festa dos Tabernáculos.

Os afazeres cotidianos e seculares findavam, semelhante ao que faziam durante o Sábado do Senhor. Aliás esses "dias" eram também chamados de sábados (Isaías 1:13 e 14; Oseías 2:11). A páscoa ocorrida na semana em que Cristo foi crucificado, coincidiu cair no dia de Sábado do Sétimo dia da semana; por isso foi "grande aquele Sábado" (João 19:31). Era o sábado cerimonial, dentro do Sábado Moral dos Dez Mandamentos.
Assim que, os gálatas guardavam "dias" (eram esses feriados), "meses" (porque eram meses fixos), e "anos" (durante todos os anos, até a morte de Jesus - Hebreus 10:1). Exatamente como enfatizou Paulo aos gálatas, que retornavam ao judaísmo, empurrados pelos professores judaizantes.

Portanto nada mais claro e lógico que a "lei" insistentemente abordada por Paulo aos gálatas não é outra senão a Lei Cerimonial. É o que diz a Bíblia. Resta de sua parte a decisão para aceitar.
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MensagemAssunto: Re: A Lei de Deus aos Gálatas   2/5/2008, 22:30

Gálatas 5:1 a 4 - "Estais pois firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a meter-vos debaixo do julgo da servidão. Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará. E de novo protesto a todo homem que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei. Separados estais de Cristo, vós, os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído."

Observe que Paulo novamente enfatiza o tema central especulativo da epístola: a circuncisão. Os gálatas buscavam com "ousadia e muita severidade" a justificação pelas suas próprias obras, e o apóstolo sabia que nada disso tinha valor; mesmo que eles observassem todos os ritos mosaicos com a maior sinceridade, de nada adiantaria. O homem só será justificado e salvo pela fé em Cristo, nada mais.
Paulo então determina, como que cansado de falar, argüir e repreender: "Se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará". E isso é fácil de compreender agora, pelo estudo que fazemos de toda a epístola de Gálatas.

Cristo Jesus morreu. Sua morte cancelou a Lei Cerimonial. Agora era necessário apenas exercer fé no ressurreto Filho de Deus, para que o homem fosse justificado. Isso é graça. Se os gálatas continuassem a buscar a justificação pelo cumprimento e prática das obras da Lei Cerimonial, a graça não teria nenhum valor para eles. Por certo, "da graça cairiam".

Gálatas 5:6 - "Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas a fé que opera pelo amor."

Que clareza meridiana! Que declaração límpida! Perceptível! Só uma mente cauterizada, indecisa, deixará de alcançar o que Paulo passou toda a epístola combatendo, lutando para colocar na mente dos gálatas que o ritual da circuncisão, sendo parte integrante e saliente dos dogmas cerimoniais, perdera o seu valor e significado com o advento do Messias. Aliás, para eles isso não era uma doutrina nova, fora o evangelho que Paulo lhes pregou anteriormente. Eles haviam aceitado desta forma e até posto em prática, pois o que se depreende do versículo seguinte é isso, note bem o versículo de Gálatas 5:7.

Gálatas 5:7 - " Vós corríeis bem; quem vos impediu para não obedeçais à verdade?"

Quem?... Os professores judaizantes. Eles adoçaram sua mensagem de tal maneira, que não demorou muito e os gálatas estavam todos elevados e apegados à circuncisão. Os tais professores, naturalmente, devem ter-se servido de argumentos contundentes, porque, deixar os ensinamentos de Paulo anteriormente recebidos, para aceitar aquelas ordenanças agora obsoletas, apagadas, sem vida, é demais.

Gálatas 5:10 e 12 - "Confio de vós, no Senhor, que não alimentareis nenhum outro sentimento; mas aquele que vos perturba, seja ele quem for, sofrerá a condenação. Tomara até se mutilassem os que vos incitam à rebeldia."

Paulo pregava o evangelho da liberdade. Cristo concedera a liberdade pelo Evangelho. Fé, somente fé em Seu sacrifício. Fé e testemunho em favor de Cristo, eis tudo que era necessário. Entretanto, queriam novamente os gálatas meter-se debaixo da servidão do ritual mosaico; reviver os momentos solenes do sistema sacrifical e da infinidade de cerimônias, agora inúteis e sem nenhuma expressão, pois Jesus Cristo, o justo, tornara-Se a oferta viva pelo pecado, o Cordeiro Pascal, e, assim, abolira a Lei Cerimonial, conforme a mesma segura e abalizada palavra do apóstolo Paulo em Colossenses 2:14: "Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, cravando-a na cruz."

Gálatas 6:13 - "Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis para se gloriarem na vossa carne."

Neste versículo Paulo deixa claro que todo o tema e preocupação da epístola de Gálatas, são motivados pela circuncisão. Isso aceitarão os sinceros de coração que são os "cidadãos do Céu"; porque afirma o apóstolo, aqueles heréticos ensinadores "professores judaizantes" que despertaram novamente a circuncisão na igreja dos gálatas, eles mesmos não guardavam a Lei Cerimonial, por que esta não se compunha apenas do rito da circuncisão, mas de uma infinidade de ritos cerimoniais.

Viaje em pensamento até a Igreja de Corinto, sente-se no primeiro banco, poste-se diante do Rei do Céu, pois convidamos o campeão da cruz, para pregar um grandioso sermão para você. Ei-lo:

I Coríntios 7:19 - "A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é a observância dos mandamentos de Deus."

Aqui Paulo define claramente as duas leis do conflito dos gálatas. Nega com veemência a lei da circuncisão (Cerimonial) e realça os mandamentos de Deus (Lei Moral). Assim com a descoberta da lei que Paulo menciona insistente e exaustivamente, na Epístola aos Gálatas, cuja preocupação geral foi a circuncisão, leva-nos sem dúvida até a Lei Cerimonial.

A Lei de Deus, revela a condição do homem, é como um espelho que nos mostra como estamos, cabe a essa Lei mostrar o nosso pecado, e a Cristo, quando assim permitimos através da verdadeira fé e obediência, remove-los, nos ajudando assim a alcançar a graça de Sua salvação.

Esta gloriosa "lei" que revela a condição do homem, que lhe mostra o pecado, que é sobretudo o fundamento do Seu governo, de Seu caráter, será norma de justiça no grande julgamento do Senhor, o DIA DO JUÍZO. (Eclesiastes 12:13 e 14; II Coríntios 5:10)
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MensagemAssunto: Re: A Lei de Deus aos Gálatas   2/6/2008, 21:58

Esse tema já foi por demais polêmico para a IASD... e ainda o é!

Lembremo-nos do que aconteceu em 1888, a grande controvérsia por parte de Waggoner e Jones, sobre a questão da Justificação pela fé, incluía como um dos principais pontos: A LEI EM GÁLATAS, se esta referia-se ou não aos 10 mandamentos (decálogo).

Os defensores Smith e Butler diziam que não...

Mensagens Escolhidas Vol. 1 pág. 234 diz [A indisposição de ceder a opiniões preconcebidas, e de aceitar esta verdade, estava à base de grande parte da oposição manifestada em Mineápolis contra a mensagem do Senhor através dos irmãos Waggoner e Jones.

Como vemos, foi a vontade de Deus que tal mensagem (também a lei em Gálatas) fosse anunciada, embora com muita resistência. [grifos acrescentados]

Em outro momento ela também diz: Mensagens Escolhidas Vol. 3 pág 156 [A Assembléia da Associação Geral em Mineápolis foi notável pelos estudos bíblicos e considerações sobre a lei em Gálatas e sobre a justiça de Cristo recebida pela fé].

Realmente o tema da lei em Gálatas foi bastante discutido. Segundo Ellen, [a mensagem de 1888 foi necessária a igreja para que o mundo não mais dissesse que os adventistas só falam em lei, lei e lei]. Evangelismo pág. 191.

Obviamente, passados 120 anos concordamos que Paulo não era contra os mandamentos de Deus (devidamente no seu lugar), mas essa não era sua principal preocupação em seus sermões.

A identidade da lei em Gálatas foi uma explosão de níveis atômicos, principalmente no contexto atual religioso e político de 1888.

Eis alguns escritos de Ellen G. White com relação a Gálatas e Paulo:

Sobre em Gálatas Mensagens Escolhidas Vol. 1 pág. 233 [Perguntam-me acerca da lei em Gálatas. Que lei é o aio que nos deve levar a Cristo? Respondo: Tanto o código cerimonial como o moral, dos Dez Mandamentos].

Mensagens Escolhidas Vol. 1 pág. 236 [A maior dificuldade que Paulo teve que defrontar provinha da influência dos mestres judaizantes. Estes lhe causavam muita perturbação, dando motivo a dissensões na igreja de Corinto. Apresentavam constantemente as virtudes das cerimônias da lei, exaltando essas cerimônias acima do evangelho de Cristo, e condenando a Paulo porque não as impunha aos novos conversos].

Mensagens Escolhidas Vol. 1 pág. 239 [Paulo não apresentava nem a lei moral nem a cerimonial, como os pastores em nossos dias se atrevem a fazer].

Pensemos o quanto foi difícil para os pioneiros aceitarem tal ensino. Ellen chegou até a dizer que [Faço votos para que nos debates não reine o mesmo espírito surgido em Minneapolis [indelicado, descortês e anticristão]. (GRK, Angry Saints, págs 81 e 82)

Em harmonia a esse pensamento entendemos que na base deste princípio, podemos perguntar, poderia Paulo ter advogado o abandono da observância da lei dos 10 mandamentos? Não! É difícil acreditar que ele teria considerado assim, quando ele mesmo era guardador do sábado. Porém não o vemos oferecendo mais sacrifícios.

Em Gálatas, contudo, a denúncia dos “falsos mestres” é mais forte. São considerados como “amaldiçoados” (1:8 e 9) porque estavam ensinando um “evangelho diferente”. Seu ensino de que a observância de dias e tempos e anos seria necessária para a justificação e salvação pervertia o próprio âmago do evangelho (5:4).

O tema de Gálatas é a justificação por meio da fé em Jesus Cristo, sendo um contraste com o conceito judaico da justificação por meio do cumprimento de "obras".

[...o homem não é justificado por obras da lei] (v. 2:16) - Está correto.

A IASD prega a Salvação pela graça através da fé, mediante o sacrifício expiatório do Cordeiro Jesus Cristo, filho de Deus.

O crente que trata de ganhar a salvação por obediência a qualquer mandamento está renunciando completamente a graça de Cristo.

Segundo o Comentário Bíblico Adventista sobre os Gálatas diz: [Lei na epístola dos Gálatas equivale a toda a revelação recebida no Sinai, as regras de Deus para seus filhos, leis morais, estatudos civis e ritos cerimoniais, embora os judeus tivessem posteriormente acrescentado diversas outras leis].

Em Gálatas trata-se de combater a falsa idéia de que alguém possa ganhar sua própria salvação mediante o cumprimento rigoroso dos diversos ritos legais. Em Gálatas, seja a lei moral ou cerimonial, não tem poder para salvar crentes da condição do pecado.

Shalom! study
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MensagemAssunto: Re: A Lei de Deus aos Gálatas   3/4/2008, 13:27


Comentários de Grandes Cristãos Protestantes Sobre Gálatas 3:24 (“a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo”)
João Calvino:

. . . a que fim serviam os sacrifícios e abluções, senão manter a mente continuamente fixa na poluição e condenação? Quando a impureza de um homem era exposta perante os seus olhos, quando um animal inocente é oferecido como a imagem de sua própria morte, como pode ele ainda pôr-se a dormir? Como pode ele deixar de ser induzido ao mais fervoroso clamor por libertação?

Além de qualquer dúvida, as cerimônias [da lei] cumpriram o seu objetivo, não meramente por alarmar e humilhar a consciência, mas por excitá-la à fé no vindouro Redentor. Nos serviços imponentes do ritual mosaico, todas as coisas que se apresentavam aos olhos traziam a marca do Cristo. A lei, em suma, nada mais era do que uma imensa variedade de exercícios, pelos quais o adorador era levado pela mão até Cristo.


Para que pudéssemos ser justificados pela fé. Ele já tinha dito que a lei não é perfeita, quando comparou-a com a educação da infância; mas tornaria os homens perfeitos se lhes concedesse justiça. O que permanece senão que a fé tomará o seu lugar? Assim se passa, quando nós, que estamos destituídos de justiça própria, somos revestidos . . . pela justiça de Cristo. Assim, se cumpre a predição, “Encheu de bens os famintos” (Lucas 1:53).

25. Mas após ter vindo a fé. Esta frase . . . denota a revelação mais luminosa da graça após “o véu do templo ter-se rasgado em dois” (Mateus 27:51), o que, sabemos, foi efetuado pela manifestação do Cristo. Ele afirma que, sob o reino de Cristo, não há mais qualquer infância que careça de ser colocada sob um aio, e que, conseqüentemente, a lei cessou em sua função--que é outra aplicação da comparação. Há duas coisas que ele se propõe a provar--que a lei é uma preparação para Cristo, e que é de caráter temporal. Mas neste ponto coloca-se novamente a pergunta, É a lei assim abolida de modo que nada mais tenhamos a ver com ela? Eu respondo, a lei, no que representa uma regra de vida, um freio para manter-nos no temor do Senhor, uma espora para corrigir a lassidão de nossa carne, --na medida em que, em suma, seja “proveitosa para doutrina, para repreensão, para correção, para instrução na justiça, para que o crente seja instruído em toda boa obra” (2 Timóteo 3:16, 17)--está tão vigente quanto sempre, e permanece intocável.

Em que sentido, então, é abolida? Paulo, já dissemos, considera a lei como possuindo certas qualidades, e aquelas qualidades que enumeraremos. Ela adiciona às obras uma recompensa e uma punição, isso é, promete vida àqueles que a observam, e amaldiçoa a todos os transgressores. Nesse entretempo, requer do homem a mais elevada perfeição e a mais exata obediência. Ela não dá desconto, não oferece perdão, mas apela a uma severa prestação de contas das menores ofensas. Ela não revela a Cristo e a Sua graça abertamente, mas aponta a Ele à distância, e somente quando oculta pela cobertura das cerimônias. Todas essas qualidades da lei, Paulo nos diz, estão abolidas, de modo que a função de Moisés agora chegou a um fim, na medida em que difere no aspecto exterior de um concerto de graça. -- (Destaque em sublinhado acrescentado).

Fonte: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom41.iii.v.vi.html



Albert Barnes:

A Lei cumpre o ofício do antigo pedagogo, para conduzir-nos ao mestre ou instrutor. Esse instrutor ou mestre é Cristo. As maneiras em que a Lei faz isso são as seguintes:

(1) Ela nos restringe e repreende, e guarda-nos como o antigo pedagogo fazia com seus meninos.

(2) A lei toda foi designada a ser uma introdutora a Cristo. Os sacrifícios e ofertas eram destinadas a prefigurarem o Messias, e introduzi-Lo ao mundo.

(3) A lei moral - a Lei de Deus - mostra às pessoas o seu pecado e perigo, e assim as conduz ao Salvador. Ela os condena, e assim os prepara para acolher a oferta de perdão mediante um Redentor.

(4) Ele ainda faz isso. O inteiro sistema dos judeus era destinado a fazer isso e sob a pregação do evangelho ainda faz. As pessoas vêem que estão condenadas; são convencidas pela Lei que não podem salvar-se a si mesmas, e assim são conduzidas ao Redentor. O efeito do evangelho pregado é mostrar às pessoas os seus pecados, assim sendo uma preparação para abraçarem a oferta de perdão. Daí, a importância da pregação da Lei ainda; e daí, a necessidade de que as pessoas sejam levadas a sentir que são pecadoras, a fim de que possam ser preparadas para acolher as ofertas de misericórdia.

John Wesley:

[A lei] tinha o objetivo de nos preparar até Cristo. E isso ela fez tanto por seus mandamentos, que mostravam a necessidade que tínhamos de Sua expiação; e suas cerimônias, todas as quais apontavam a Ele.

Matthew Henry:

. . . os terrores da lei são muitas vezes empregados pelo Espírito convencedor, para mostrar ao pecador sua necessidade de Cristo, para levá-lo a depender de Seus sofrimentos e méritos, para que possa ser justificado pela fé. Assim a lei, pelo ensino do Espírito Santo, torna-se sua amada regra de dever, e seu padrão para o auto-exame diário. Nesse uso da mesma ele aprende a depender mais simplesmente do Salvador.

Obs..: Estes comentaristas citados (além de Calvino) têm os seus textos expostos no programa e-Sword (em inglês) que pode ser acessado pelo link www.e-Sword.net

O dito acima ajusta-se perfeitamente com o que Lutero diz no seu documento “Tratado Contra os Antinomistas”:

“Verdadeiramente, tenho ensinado e ainda ensino que os pecadores devem ser levados ao arrependimento pela pregação e ponderação dos sofrimentos de Cristo, para que possam ver quão grande ira tem Deus pelo pecado. E este não pode ser expiado senão pela morte do Filho de Deus. . . . Mas como se admitiria daí que, com isso, a lei deve ser removida? . . . Quando Isaías diz, no capítulo 53, ‘foi moído por causa das transgressões do Meu povo’, rogo que me digam—aqui os sofrimentos de Cristo são pregados, de que Ele foi esmagado por nossos pecados: É a lei com isso rejeitada? Qual é o significado destas palavras, ‘pelos pecados de meu povo’? Não é o sentido delas, ‘porque o meu povo tem pecado contra a Minha lei, e não a têm observado?’ Ou pode-se imaginar que não haveria qualquer pecado onde não há lei? Quem quer que anule a lei, deve por necessidade anular o pecado também. . . Pois o Apóstolo declarou: ‘Onde não há lei, não há pecado’. Se não houver pecado, então Cristo nada é. Pois, por que morreu Ele, se não houvesse lei nem pecado, pelo que iria Ele morrer? Por aí se pode ver que o diabo tenciona, mediante essa assombração enganosa, eliminar, não tanto a lei, como a Cristo, o cumpridor da lei.

“Pois ele sabe muito bem que Cristo pode ser rápida e levianamente esquecido: mas a lei sendo gravada no fundo do coração, é impossível apagá-la, como podes observar nas queixas que são expressas pelos benditos Santos de Deus nos Salmos, que não podem suportar a ira de Deus, que nada mais é do que a pregação viva da lei em suas consciências.

“Permita-me rogar-lhe (Bom Sr. Doutor) que continue, como até aqui o fiz, na pura doutrina e pregar que os pecadores podem e devem ser atraídos ao arrependimento, não só pela doçura da graça, . . . mas também pelos terrores da lei. . . [Deve-se como método de instrução] levá-los ao conhecimento do pecado e da lei.

“Mas admita-se que eu tenha ensinado ou dito que a lei não devesse ser pregada na Igreja (conquanto o contrário seja evidente em todos os meus escritos e na constante prática de minha catequização, desde o princípio) por que deveriam os homens tão firmemente apegar-se a mim, em vez de se me oporem. . .?”

[E Lutero ainda comenta no mesmo escrito sobre os muitos sectários que teve que defrontar na sua experiência como Reformador, e destaca entre esses os “antinomianos”].

Nas notas de rodapé, o compilador explica (nota 4): “Contrário a isso, Towne, o antinomiano, dizia que ‘estamos livres da lei moral ou Decálogo, com toda a sua autoridade, domínio, funções e efeitos’”.


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