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 Em Nome da Lei!

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Marllington Klabin Will
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MensagemAssunto: Em Nome da Lei!   10/8/2007, 13:47



EM NOME DA LEI!


Como foi que o tema da lei se tornou tão controvertido?

Por Roberto Badenas, Th.D.

  De todas as discussões sobre a Bíblia, nenhuma é mais polêmica do que a lei. Talvez nem todos saibam, mas as melhores legislações na História tiveram suas raízes no conceito bíblico de lei. O inverso também é verdade: em nome da lei, têm ocorrido muitos abusos, guerras santas foram travadas, a escravatura foi justificada, o planejamento familiar é condenado, mulheres têm sido mantidas em submissão, artes plásticas têm sido excluídas e transfusões de sangue proibidas. Como foi, então, que o tema sobre a lei — um elemento fundamental na ordem de Deus para a vida — se tornou tão controvertido entre os cristãos?


—> O Uso Ilegítimo da Lei

  Nossas dificuldades com a lei de Deus vêm não somente de nossas transgressões de suas ordenanças, mas também de nossos erros de perspectiva acerca de suas unções. Muitos desses problemas podem ser derivados daquilo que George Knight chama “nossos usos ilegítimos da lei”. [1]

  Apesar do fato de que ela é santa, justa e boa (Rm.7:12), a lei de Deus pode ser usada de modo mau, ímpio e injusto. Pode ser empregada para fins a que ela não visava. Com efeito, uma das tentações constantes dos crentes é usar a lei de Deus de modo errôneo. Em nome da lei, por exemplo, um grupo de homens trouxe a Jesus uma mulher apanhada em adultério — não tanto para defender a lei, mas para apanhar Jesus num emaranhado teológico e legal (Jo.8:1–11). “Se absolvesse a mulher, seria acusado e desprezar a lei de Moisés. Declarasse-a Ele digna de morte, e seria denunciado aos romanos como assumindo autoridade que só a eles pertencia”. [2] O apelo rabínico à lei, esse caso, foi mero pretexto para condenar duas pessoas. Mas Jesus tomou o incidente e usou-o para expor a hipocrisia dos rabinos, para enfatizar a necessidade que o pecador em do perdão da graça divina, e para apontar a direção de uma vida nova.

  Para Jesus, apegar-se à letra da lei não bastava (Mt.5:20). O verdadeiro respeito pela lei requer o respeito pelo espírito atrás de todo preceito. Assim o mandamento “não atarás” requer também não ferir ou atacar, mesmo verbalmente (Mt.5:27–28). O que isso sugere é que a única maneira certa de compreender a lei é procurar o princípio por trás dos preceitos.

  Outro uso ilegítimo da lei é achar na obediência a ela o meio de salvação. Muitos fariseus eram culpados disso. A heresia dos gálatas tinha que ver com essa interpretação da lei. Paulo bem conhecia o problema. Tendo vivido como fariseu até seu encontro no caminho de Damasco, ele se orgulhava do legalismo — sem culpa com respeito à guarda da lei (Fp.3:4–6). Mas quando aceitou as boas-novas de Jesus, Paulo compreendeu que o legalismo não pode salvar uma pessoa, e que a salvação só é possível mediante a fé em Jesus (Rm.1:16–17/Ef.2:8). A lei em si mesma não tem poder para salvar, e atribuir-lhe tal poder é uma farsa teológica que faz grande dano à nossa compreensão do modo designado por Deus para redimir.

  Mas então, não tem a lei um papel na vida da pessoa salva pela graça de Deus? Uma das confusões mais comuns e mais sérias na história da salvação “é o erro de não fazer uma distinção entre o que se precisa fazer para ser moral e o que se precisa fazer para ser salvo”. [3] Esse foi o erro dos fariseus. Sua opinião otimista sobre a natureza humana levou-os a uma percepção errônea do pecado. Pensavam que qualquer pessoa podia vencer o pecado na mesma base que Adão antes da queda. Criam que todos podiam ainda viver de acordo com a vontade de Deus guardando fielmente a lei. Essa opinião limitada do poder do pecado (Rm.3:9) afetava a compreensão farisaica do propósito da lei, advogando que a obediência à lei era o meio designado por Deus para obter justiça.

  Embora Paulo e os reformadores protestantes demonstrassem a falácia desta crença, essa opinião otimista do ser humano e essa opinião distorcida da lei ainda é corrente entre cristãos de todas as denominações, inclusive os adventistas do sétimo dia.

  Precisamos reconhecer, como Ellen White escreveu, que “era possível a Adão, antes da queda, formar um caráter justo pela obediência à lei de Deus. Mas deixou de o fazer e, devido ao seu pecado, nossa natureza se acha decaída”. [4]


—> O Uso Legítimo da Lei

  Se nossa natureza pecaminosa já não é capaz de cumprir as exigências divinas, qual, então, é o propósito da lei? Paulo menciona diversos.

  A primeira função é jurídica. Como muitos outros códigos legais, a lei de Deus tem um papel “civil”. Paulo diz que a lei foi dada “por causa das transgressões” (Gl.3:19). O primeiro alvo da lei escrita é de limitar, evitar ou prevenir transgressões tanto quanto possível, a fim de restringir o mal. Nesse sentido, “a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados” (1Tm.1:9).

  A segunda função da lei é teológica. “Pela lei vem o conhecimento do pecado”, escreveu Paulo (Rm.3:20). Mais adiante ele argumentou que se não fosse pela lei, ele não teria sabido que era pecador (Rm.7:7). Uma das realidades mais humilhantes da vida é que nem sempre estamos conscientes de nossas faltas. Nesse contexto, a lei funciona como um espelho (Tg.1:23) revelando-nos como realmente somos. O espelho revela nossas manchas, mas é incapaz de removê-las. Assim é com a lei de Deus. Revela nossos problemas, diz-nos que somos pecadores, mas não pode fazer nenhuma mudança. Realiza um papel importante — o de revelar o pecado — mas não pode remediar a situação. Para o remédio, precisamos volver-nos a Jesus.

  Os luteranos tradicionalmente tendem a negar à lei qualquer outro papel além do civil e do teológico. Se a lei tem uma terceira função, tem sido muito discutido entre os protestantes. A terceira função é espiritual. Se a lei vem de Deus e se é a transcrição de Seu caráter, deve necessariamente revelar a vontade de Deus para nós. Se Deus ordena amor e condena a injustiça, é porque Ele mesmo é amante e justo. Paulo observa que “a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom” (Rm.7:12,14). A lei mostra que o ideal de Deus para todo ser humano é refletir-Lhe o caráter. E como Ele não muda, os princípios de Sua lei são também as normas permanentes de julgamento, desde o Éden até ao fim do tempo (Rm.2:12–16/Ap.14:6–12).

  Não admira que o Novo Testamento afirme que os crentes guiados pelo Espírito são aqueles que respeitam a vontade de Deus (Ap.14:12). Segundo João Calvino, esse “terceiro uso” é “o uso principal da lei entre crentes em cujos corações o Espírito já vive e reina… Eis o melhor instrumento para que aprendam mais perfeitamente cada dia a natureza da vontade do Senhor à qual aspiram”. [5]


  Nenhum destes três usos da lei tem algo a ver com nossa justificação. Embora a lei não proporcione salvação, oferece orientação ética e espiritual para o crente. “A lei nos envia a Cristo para sermos justificados, e Cristo nos envia à lei para sermos regulados”. [6]

  Por um lado, a lei sempre aponta ao evangelho para segurança de salvação, e por outro, o evangelho sempre nos convida a um maior respeito à lei. Por isso Paulo podia afirmar que a fé estabelece a lei (Rm.3:31).


—> A Insuficiência da Lei

  A própria lei indica suas limitações. Todo o sistema do santuário da dispensação israelita nos ensina isso. A lei mostra a transgressão e convence o pecador dessa transgressão. Mas a lei nada pode fazer para expiar a transgressão. Antes da vinda de Jesus, o pecador precisava volver aos serviços do santuário. Em nome da lei, o pecador era convidado a buscar salvação fora da lei (Rm.3:21). Expiação do pecado é atribuição de Deus (Lv. 16). O sangue provido para a expiação devia ser dado por Deus (Lv. 17:11). É Deus quem justifica. É Deus quem santifica (Lv. 20:8;1Ts.5:23, 24).

  O Novo testamento mostra que toda a obra da redenção, prefigurada no santuário terrestre, era cumprida por Cristo (Rm.3:27-31). Assim “Cristo é o fim da lei” (Rm.10:4). NEle a lei como revelação encontra seu clímax, e por Ele tudo o que a lei requer torna-se uma realidade.

  Como Ellen White afirma: “Pela justiça imputada de Cristo, o pecador pode sentir que foi perdoado e pode saber que a lei não mais o condena, porque ele está em harmonia com todos os seus preceitos. (…) Pela fé, assegura-se da justiça de Cristo e responde em amor e gratidão ao grande amor de Deus em dar Seu Filho unigênito, que morreu a fim de trazer à luz, vida e imortalidade pelo evangelho. Sabendo que é pecador, transgressor da santa lei de Deus, ele olha para a perfeita obediência de Cristo, para Sua morte no Calvário pelos pecados do mundo; e tem a segurança de que é justificado pela fé nos méritos e no sacrifício de Cristo. Reconhece que a lei foi obedecida a seu favor pelo Filho de Deus, e que a penalidade da transgressão não pode recair sobre o pecador que crê. A obediência ativa de Cristo cobre o pecador crente com a justiça que satisfaz os reclamos da lei”. [7]


—> A Resistência Humana à Lei

  A despeito do fato de que os princípios da lei revelam a vontade de Deus para nós, tendemos a ver a lei principalmente como um obstáculo à liberdade. Apesar de reconhecermos a vantagem de respeitar uma certa ordem, nossa natureza carnal resiste a qualquer restrição. Esperamos que outros respeitem a lei, mas achamos difícil nós mesmos nos submetermos à sua disciplina.

  A necessidade de lei é clara e lógica, mas tendemos a minimizar-lhe as obrigações. A natureza requer a presença da lei, e a natureza humana sabe que necessita dela. Mas saber é uma coisa e fazer é outra. A felicidade humana é o objetivo da lei divina. O papel da lei é enfocar o que é bom, mostrar a diferença entre o bem e o mal, respeito e violência, justiça e injustiça. O modo imperativo da lei é simplesmente a expressão de amor de Deus.


—> A Função Didática da Lei

  Paulo compara a função da lei à tarefa de um pedagogo que prepara a criança para seguir as instruções de um professor qualificado. Ele diz que a lei foi “para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gl.3:24).

  Na Bíblia, freqüentemente as proibições precedem ordens. Por exemplo, o mandamento “não matarás” vem antes de qualquer comentário sobre o amor para com nosso próximo. Não reconheceríamos o valor da vida se uma proibição prévia não nos obrigasse a refrear nossas paixões violentas. A proibição de matar detém nossos impulsos agressivos e nos obriga a meditar sobre as conseqüências de nossa decisão.

  Enquanto a vida nos obrigar a escolher, a lei nos ajuda a bem escolher. Ensina-nos que deixar de escolher é uma opção perigosa e que pedir a direção de Deus significa mais e não menos liberdade. Essa é a razão por que a Bíblia chama a lei de “a lei perfeita da liberdade” (Tg.1:25).

  Em sua função didática, a lei nos ensina onde estão nossos valores. Cada proibição e cada mandamento afirmam um valor específico: não mentir lembra-nos do valor da verdade, não cometer adultério sublinha a importância do amor fiel, não usar de violência destaca a preciosidade da vida, etc. A lei nos diz que a vida e os sentimentos de nosso próximo são tão preciosos como nossa própria vida e sentimentos. A missão da lei de Deus é, neste sentido, mais reveladora que legislativa.

  Reconhecer os profundos valores da lei, mas também seus limites definidos, ajuda-nos a vê-la não mais como um obstáculo à nossa liberdade, mas como um auxiliar precioso em nossa jornada. Guia-nos, como um mapa, mas o caminho não é outro senão Jesus. Ele mesmo declarou que nestes tempos atribulados da história, os verdadeiros crentes permanecerão fiéis, tanto aos mandamentos de Deus como em sua confiança em Jesus (Ap.14:12).

_______________

Notas e Referências:
  1. George Knight, “The Pharisee’s Guide to Perfect Holiness” (Boise, Idaho: Pacific Press Publ. Assn., 1992), p. 59–60.
  2. Ellen G. White, “O Desejado de Todas as Nações” (Sto. André, S. Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1979), p. 444.
  3. G. Knight, Op. cit., p.65.
  4. Ellen G. White, “Caminho a Cristo” (Sto. André, S. Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1984), p. 62.
  5. João Calvino, “Institutes of the Christian Religion”, 2:7,12.
  6. B. W. Ball, “The English Connection” (Cambridge: James Clarke, 1981), p. 133.
  7. Ellen G. White, “The Youth’s Instructor”, 29 de novembro, 1894, p. 201.

Fonte: Revista “Diálogo” (1999), 11(1), p. 17–19, 28. Esse artigo pode ser visualizado no seguinte website: http://dialogue.adventist.org/articles/11_1_badenas_p.htm



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MensagemAssunto: Re: Em Nome da Lei!   7/22/2008, 00:21

Aprimoramos a nossa famosa pergunta tira-teima que nenhum anti-sabatista consegue responder de modo minimamente aceitável. Ei-la na nova versão:

Onde é dito nas Escrituras que quando Deus escreve a Sua lei nas mentes e corações dos que aceitam os termos do Seu novo concerto (Novo Testamento), transferindo-a das frias tábuas de pedra para os corações aquecidos pela graça divina (ver 2 Cor. 3:2, 3, 6 e 7), nesse processo Ele

a) deixa de fora o 4o. mandamento (do decálogo bíblico, não o do decálogo falsificado dos catecismos católicos)?

b) inclui o 4o. mandamento, mas transferindo a santidade do sétimo para o primeiro dia da semana?

OU

c) deixa a questão do dia de repouso como uma prática vaga, voluntária e variável, que tanto faz ser seguida literalmente como a Bíblia diz, no sétimo dia como Memorial da Criação, ou cada qual podendo escolher o tempo que mais lhe convier (ou a seu empregador) para dedicar a Deus?

TAMBÉM:

d) exclui as regras de restrições alimentares sobre carnes imundas?

Textos básicos: Hebreus 8:6-10; Jeremias 31:31-33; Ezequiel 36:26, 27; Isaías 66:15-18.


Vejam como é clara a ligação entre Heb. 8:6-10 e 2a. Cor. 3, onde Paulo fala que enquanto a lei permanecer em letras sobre as tábuas de pedra seria apenas um "ministério de morte", pois precisa estar é escrita nos corações--com o que Paulo pensa em termos de TODO O CONTEÚDO das tábuas de pedra transferido para as tábuas de carne do coração, não só 90%--segundo a confirmam grandes e reconhecidos estudiosos da Bíblia (Fonte:
www.e-Sword.net):

    Albert Barnes:

    A velha lei podia ser quebrada, Jer. 31:32; para remediar isso Deus dá, não uma nova lei, mas um novo poder para a velha lei. Costumava ser um mero código de moralidade, externo ao homem, e obedecida como um dever. No cristianismo, torna-se uma força interior, moldando o caráter do homem a partir de dentro.

    Perdoarei a sua iniqüidade [vs. 34]-- O fundamento do novo concerto é o livre perdão dos pecados (ver Mat. 1:21). É o senso do pleno amor não merecido que afeta de tal modo o coração a ponto de tornar a obediência daí em diante uma necessidade interior.
    -- Comentário sobre Jer. 31:33, 34.

    Adam Clarke:

    Quando a visão e a profecia forem seladas, e Jesus tiver assumido aquele corpo que Lhe foi preparado, e tendo entregue Sua vida para a redenção de um mundo perdido, e, tendo ascendido ao alto, tiver obtido o dom do Espírito Santo para purificar o coração; então a lei de Deus será . . . colocada nas partes interiores, e escrita sobre os seus corações; de modo que tudo dentro e fora será santidade ao Senhor. Então Deus será verdadeiramente o seu Deus. . . -- Comentário sobre Jer. 31:33.

    John Gill:

    Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; não a lei cerimonial, que foi abolida quando esse concerto foi feito; mas, em vez disso, a lei moral ainda em vigor, que é um transcito da natureza e vontade de Deus; foi inscrita no coração de Adão em inocência; é grandemente obliterada pelo pecado; uma disposição contrária a ela está no homem; isto é reinscrito na regeneração; e daí uma consideração por ela é mantido pelas pessoas regeneradas, em que jaz parte de sua conformidade com Cristo. . . . A versão Septuaginta reza no plural, "leis"; e assim faz o apóstolo, Heb. 8:10; e pode designar as ordenanças do Evangelho, e os mandamentos de Cristo, que os que são chamados pela graça, têm no coração a intenção de observar, e são tornados dispostos a eles se submeter. . . . as tábuas em que esta lei ou leis são escritas não são tábuas de pedra, mas as tábuas de carne do coração; o coração é o sítio apropriado para tanto a lei de Deus quanto o evangelho de Cristo, bem como da graça de Deus em todas as pessoas regeneradas; e o "porei" essas coisas aqui denota conhecimento delas, no que se refere à espiritualidade da lei e sua perfeição; de que não há justiça nela, é somente cumprida por Cristo; e que é uma regra de conduta e conversação; como também das doutrinas do Evangelho, no poder e sabor delas . . . e o "escreverei" delas aqui denota afeto e sujeição às coisas acima; e uma clara obra de graça sobre a alma, de modo a tornar-se legível, e aparecer como sendo epístola de Cristo, escrita não com tinta do poder natural, mas pelo Espírito do Deus vivo; ver 2. Cor. 3:3. -- Comentário sobre Jer. 31:33

    Bíblia de Genebra:

    No tempo de Cristo, minha lei será escrita, em vez de em tábuas de pedra, nos seus corações pelo Meu Espírito Santo (Heb_8:10). -- Comentário sobre Jer. 31:33.

    Keil & Delitzch:

    A diferença, portanto, entre o velho e novo concerto consiste nisso, que no velho a lei era apresentada perante o povo para que pudesse aceitá-la e segui-la, recebendo-a em seus corações como cópia do que Deus não meramente requeria dos homens, mas lhes oferecia e concedia para sua felicidade; enquanto no novo é colocada dentro, implantado no coração e alma pelo Espírito de Deus, e torna-se o princípio que instila vida, 2Co_3:3. A lei do Senhor assim forma, tanto no velho quanto no novo concerto, o cerne e essência da relação instituída entre o Senhor e Seu povo; e a diferença entre os dois consiste meramente nisso, que a vontade de Deus como expressa na lei sob o velho concerto foi apresentada exteriormente ao povo, enquanto sob o novo concerto, deve tornar-se um princípio interior de vida. -- Comentário sobre Jer. 31:31-40.

    Matthew Henry:

    Heb_8:8, Heb_8:9, é o o local citado como suma do concerto de graça feito entre os crentes e Jesus Cristo. Não, eu lhes darei uma nova lei; pois Cristo não veio para destruir a lei, mas para cumpri-la; mas a lei será escrita em seus corações pelo dedo do Espírito, como anteriormente fora escrita em tábuas de pedra. O Senhor irá, por Sua graça, tornar o seu povo um povo disposto no dia do Seu poder. Todos conhecerão o Senhor; todos serão bem-vindos ao conhecimento de Deus, e terão os meios desse conhecimento. Haverá um derramemento do Espírito Santo, ao tempo em que o evangelho for publicado. Nenhum homem perecerá por fim, a não ser por seus próprios pecados; nenhum, que esteja disposto a aceitar a salvação de Cristo. -- Comentário sobre Jer. 31:27-34.


    João Calvino:

    Em vão Deus proclama a Sua lei pela voz do homem, a menos que Ele a escreva por Seu Espírito em nossos corações, ou seja, a menos que nos forme e nos prepare para a sua obediência. . . A lei nos é ruinosa e fatal na medida em que permaneça escrita somente nas tábuas de pedra, como Paulo nos ensina (2 Coríntios 3:3).

    Em suma, somente abraçamos os mandamentos de Deus obedientemente, quando por Seu Espírito Ele muda e corrige a depravação natural de nossos corações; doutra maneira ele nada encontra em nós a não ser afeições corruptas e um coração inteiramente entregue ao mal. A asserção é de fato clara, de que um novo concerto é estabelecido segundo o qual Deus grava as Suas leis em nossos corações, pois doutro modo seria em vão e de nenhum efeito”.
    – Calvino comentando Heb. 8:10”

    Fonte:
    http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom44.xiv.ii.html



Última edição por Prof. Azenilto em 7/22/2008, 00:51, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Em Nome da Lei!   7/22/2008, 00:36


Aproveitemos para ver, da mesma fonte [www.e-Sword.net], o que dizem os vários comentaristas acima (e outros mais) sobre o texto de Hebreus 8:6-10:

* John Gill:

Porei as minhas leis em suas mentes, e as escreverei em seus corações
; o que se quer dizer com "leis de Deus" não são os preceitos da lei cerimonial, que foram abrogados, mas tanto a lei moral, quanto suas ordens; que é um transcrito da natureza divina, foi inscrita no coração de Adão em inocência, e alguns resquícios da mesma ocorre mesmo entre os gentios, mas grandemente obliterados dado o pecado do homem, havendo nos homens uma disposição naturalmente contrária a ela; na regeração é reinscrita pelo Espírito de Deus; e grande respeito por ela é mantido pelas pessoas regeneradas, em que jaz uma parte de sua conformidade a Cristo: ou, por outro lado, sendo que a palavra "lei" sigifica às vezes nada mais do que uma doutrina, uma insgtrução, as doutrinas da graça, de arrependimento para co Deus, de fé em Cristo, e amor a Ele, e toda outra doutrina pode estar implícita; e as tábuas onde, segundo o teor desse concerto, estas são colocadas e escritas, são duas tábuas, como antes, a "mente" e "coração"; mas não duas tábuas de pedra, em que a lei de Moisés foi escrita, parcialmente para que não se perdesse, por deficiência de memória, e parcialmente para denotar a sua firmeza e estabilidade, como também para assinalar a dureza do coração do homem; mas as tábuas de carne do coração; . . . tais corações regenerados e santificados pelo Espírito de Deus, e tais mentes como renovadas por Ele: e a "disposição" delas na mente tem em vista o conhecimento delas, segundo Deus as deu; como da lei moral, de sua espiritualidade e perfeição, mostrando que não há vida e justiça por ela, que é cumprida por Cristo, e é uma regra de conversação aos santos; e de todas as demais leis, ordenanças, e doutrinas de Cristo: e a "escrita" delas no, ou sobre o coração, objetiva encher a alma com amor e afeto por elas . . . numa poderosa inclinação do coração para sujeitar-se a elas, mediante a eficácia da graça de Deus; o que é feito não com tinta do poder da natureza, mas pelo Espírito do Deus vivo, 2Co_3:3. -- Comentário sobre Hebreus 8:10

* Jamieson, Fausset and Brown:

farei com
Greek, "farei para."

Israel
— compreendendo o anteriormente desunido (Heb_8:8) reino das dez tribos, e a de Judá. São unidas no Israel espiritual, a Igreja eleita, agora, (. . .)

Porei
— literalmente, "darei" Esta é a primera das "superiores promessas" (Heb_8:6).

mente
— suas faculdade inteligente.

em, etc.
— melhor, "SOBRE seus corações." Não sobre tábuas de pedra como a lei (2Co_3:3).

escreverei
Greek, "inscreverei."-- (Comentário de Hebreus 8:10).

* People's New Testament:

Este é o concerto que, etc
. Este será um princípio do novo concerto.

Porei as minhas leis em suas mentes
. Sob o novo concerto as mentes e corações serão dados ao Senhor e repletos com a sua lei. Eles adorarão "em espírito e em verdade".

* Treasury of Scriptural Knowledge:

Heb 8:10:


Este é:
Heb_10:16-17
Porei:
Gr. Darei, Êxo_24:4, Êxo_24:7, Êxo_34:1, Êxo_34:27; Deu_30:6; Jer_31:33, Jer_32:40; Eze_11:19, Eze_36:26-27; 2Co_3:3, 2Co_3:7-8; Jam_1:18, Tia_1:21; 1Ped_1:23

* John Wesley:

Heb 8:10
- Este é o concerto que farei após aqueles dias -- Após a dispensação mosaica ser abolida. Porei as Minhas leis em suas mentes -- Abrirei os seus olhos e iluminarei o seu entendimento, para verem o seu sentido verdadeiro, pleno, espiritual. E as escreverei em seus corações -- de modo que possam experimentar interiormente o que eu ordenei. E lhes serei por Deus -- O tudo para eles -- porção suficiente, e recompensa extraordinariamente grande. E eles me serão por povo -- Meu tesouro, meus filhos queridos, amados e obedientes. (Sublinhado acrescentado para destacar segmentos da passagem).
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MensagemAssunto: O Dilema do Neo-Antinomismo Dispensacionalista   8/11/2008, 03:07


O DILEMA DO NEO-ANTINOMISMO DISPENSACIONALISTA
Certo pastor evangélico apareceu numa comunidade adventista do Orkut iniciando um novo tópico de discussão com a desafiadora pergunta: “Onde há ordem para a Igreja observar o sábado?”

O que se deu no decorrer dos debates é que respondemos plenamente a sua pergunta, e em retribuição lhe apresentamos outra que ele nunca respondeu: “Onde há ordem para a Igreja NÃO observar o sábado?”

Para responder à sua pergunta, bastou citarmos o que o protestantismo ortodoxo tem ensinado ao longo dos séculos—que os 10 Mandamentos continuam a ser a regra da vida cristã em todos os seus preceitos. As Igrejas-mãe (como a Batista, Presbiteriana, Metodista, Congregacional, Luterana, Anglicana) das quais tantas outras denominações evangélicas/protestantes tiveram origem, têm em seus documentos confessionais esse ensino básico, algo que a maioria dos protestantes ignora.

Existe, naturalmente, o “pormenor” de que reinterpretam o 4o. mandamento aplicando-o ao domingo, o que já constitui OUTRO DEBATE. Na realidade, eles têm razão em ensinar a validade do 4o. mandamento, até reconhecendo sua origem no Éden, portanto sendo um mandamento de caráter MORAL e UNIVERSAL (a Confissão de Fé de Westminster salienta que é LEI NATURAL). No entanto, estão errados em alegar que a observância do domingo tomou o lugar do sábado do sétimo dia desde o evento da ressurreição de Cristo. Os textos que citam para tentar provar isso simplesmente não o fazem. . .

Então, para mostrar a falácia do fundamento da teologia moderna do evangelicalismo nesse ponto, basta fazer a pergunta: “Como se salvavam os pecadores dos tempos do Antigo Testamento?” A resposta que o referido pastor ofereceu revelou a enorme confusão que reina hoje nos meios evangélicos dada a pregação dessas teorias neo-antinomistas dispensacionalistas desde o final do século 19 e início do 20.

Analisando brevemente as suas respostas, estas levantaram as seguintes estranhas idéias:

a) não existia graça antes de Cristo e se alguns foram então salvos, isso se deu devido à pura “misericórdia” de Deus.

Quisemos então saber qual a diferença entre “graça” e “misericórdia”. Até agora ele não nos ofereceu qualquer resposta, apesar dos nossos insistentes questionamentos sobre isso.

b) Ele também disse que Jesus foi pregar aos “espíritos na prisão”. Mas o texto, de 1 Ped. 3:19, 20 (considerada uma passagem bíblica bem obscura), diz que esses “espíritos em prisão” limitavam-se aos dias de Noé!

Pedimos-lhe que nos explicasse, antes de mais nada, para quê Jesus foi pregar a espíritos “em prisão” (o que significa que eram condenados). E, uma vez que eram dos “dias de Noé”, o que aconteceu com os que eram de outros tempos? Não tiveram o mesmo benefício?

Por outro lado, se aqueles que foram condenados poderiam se arrepender e ser salvos, isso seria antibíblico à luz de Hebreus. 9:27–concessão de uma 2a. oportunidade para pessoas perdidas.

Será que precisamos dizer que ele não respondeu a esta também?

Não podemos generalizar, mas no campo evangélico, após a enorme “lavagem cerebral dispensacionalista”, a confusão sobre este e outros pontos é, na realidade, generalizada. A maioria dos evangélicos simplesmente não sabe como responder a esta pergunta. Enfrentam um enorme dilema: se argumentarem que a salvação no Antigo Testamento era pela observância dos mandamentos da lei (como alguns chegam a dizer), esta seria uma impossibilidade. Nunca homem algum foi capaz de reunir força suficiente e merecer crédito para ir viver para sempre com Deus. Se admitirem que a salvação era pela graça, isso destrói os fundamentos desta divisão dispensacionalista de eras da lei/graça.

O mandamento do sábado foi recomendado a “todos os povos” em Isa. 56:2-7 quando Deus conclamou os estrangeiros a aderirem a Seu concerto especial com o povo de Israel, a fim de cumprir o Seu ideal, conforme expresso no vs. 7, “A minha casa será chamada uma casa de oração para todos os povos”.

Ele escolheu o sábado dentre todos os mandamentos como um certificado da conversão dos povos por todo o mundo, com Israel servindo como instrumentalidade da ação divina, depois de ter sido colocado na encruzilhada de três continentes, com uma missão de ser “testemunhas de IHW” (Isa. 43: 10, 11), “luz das nações. . . até os confins da terra” (Isaías 49:6).

O que vemos entre muitos evangélicos é uma micro cosmovisão em relação ao plano de Deus para Israel e para o mundo, o que caracteriza essa teologia neo-antinomista, cujos frutos podem ser vistos na total confusão quanto à compreensão de como os pecadores obtinham a sua salvação ao longo da história da humanidade. Este é, sem dúvida, “um outro evangelho” (Gálatas 1:8) a que o cristianismo protestante foi sujeitado desde finais do século 19 e início do 20.

De qualquer modo, a participação desse pastor em nossa comunidade com o seu desafio tem sido uma benção para mostrar aos nossos irmãos e irmãs participantes da comunidade, ou muitos outros que apenas acompanham as discussões independentemente, a total falácia dessa confusa teologia neo-antinomista dispensacionalista. E sendo que estamos colocando este material também em inglês e espanhol esta benção será multiplicada para muitas mais pessoas ao redor do mundo, graças à nossa análise de tais erros.

Isto é o que chamamos o Fator Balaão novamente em ação, como já foi demonstrado aqui com outros estudos que acompanham estas discussões.
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Em Nome da Lei!
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