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 Proselitismo Responsável: Uma Declaração Inter-religiosa

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Marllington Klabin Will
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MensagemAssunto: Proselitismo Responsável: Uma Declaração Inter-religiosa   10/8/2007, 12:08



PROSELITISMO RESPONSÁVEL: UMA DECLARAÇÃO INTER-RELIGIOSA

Por conferência de especialistas,
Associação Internacional de Liberdade Religiosa

  Com a crescente globalização e os atritos inter-religiosos e ideológicos, tornou-se imperativo um relacionamento construtivo entre as religiões. Para lidar com essas questões, a Associação Internacional de Liberdade Religiosa convocou reuniões e conferências de especialistas nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Espanha, em 1999 e começo de 2000. A conferência incluiu representantes do Cristianismo (Ortodoxo, Católico e Protestante), do Islamismo e Judaísmo, e adotou uma declaração conjunta sobre específicos pontos de acordo.


—> Preâmbulo

  Liberdade religiosa e de crença é um direito humano básico. A despeito do maciço apoio dado a esse direito universal durante os últimos 50 anos por vários instrumentos internacionais, começando com a Declaração Universal de Direitos Humanos, de 1948, e incluindo o Acordo Internacional de Direitos Civis e Políticos, de 1966, a Declaração Sobre Eliminação de Todas as Formas de Intolerância e Discriminação Baseadas em Religião ou Crença, de 1981, e a Declaração de Direitos de Pessoas Pertencentes a Minorias Nacionais ou Étnicas, Religiosas e Lingüísticas, de 1992, continuam a ocorrer violações generalizadas dessa faculdade, as quais devem ser deploradas.

  Liberdade de religião ou crença inclui o direito de manifestar e comunicar sua fé ou convicções a outros. As religiões têm diferentes posicionamentos sobre como devem disseminar aquilo que crêem. A questão de “proselitizar” ou fazer conversos afeta inevitavelmente as relações inter-religiosas. O termo “proselitismo” tem vários sentidos e conotações. Para evitar ambigüidades, este documento não o menciona deste ponto em diante.

  Aceitando a crescente realidade do pluralismo religioso, e com o fim de fortalecer a liberdade religiosa, a tolerância, o diálogo e o respeito pelos direitos iguais para todos, a Conferência sugere diretrizes para a disseminação responsável da religião ou crença. Esses princípios têm primariamente um caráter ético e provêem critérios para guiar indivíduos e comunidades em suas relações de uns para com os outros. Eles também têm relevância para as relações entre comunidades e estados religiosos. Tais preceituações são baseadas na dignidade da pessoa humana e em sua liberdade de atender à voz da consciência.

  Os participantes da Conferência estão convencidos de que a observância das seguintes diretrizes é indispensável na promoção de uma cultura de paz, coesão social, responsabilidade pessoal e coletiva, e manutenção de direitos iguais para todos.

  Espera-se que todos os indivíduos e comunhões religiosas considerem e adotem esses princípios à luz de suas próprias crenças e práticas, ficando assim comprometidos com o mandado divino ou os ideais elevados nos quais crêem.


—> Princípios
  1. Ensinar, manifestar e divulgar religião ou crença é um direito humano estabelecido. Todos têm o direito de tentar convencer os outros da verdade de sua fé. Todos têm o direito de adotar ou mudar de religião ou crença sem coerção, segundo os ditames de sua consciência.

  2. Cientes de suas responsabilidades comuns, as comunidades religiosas deveriam promover relacionamentos entre si mediante contatos e conversações, manifestando suas convicções com humildade, respeito e honestidade. O diálogo deveria substituir a confrontação. Ao se testemunhar a outros ou ao planejar atividade missionária, a dignidade inviolável do públicoalvo requer consideração de sua história, convicções, estilo de vida e expressões culturais.

  3. Religião, fé ou crença são disseminadas de modo melhor quando o testemunho da vida do mensageiro é coerente com a mensagem anunciada, e leva a uma aceitação livre por parte daqueles a quem ela é dirigida.

  4. Ao disseminar a fé ou crenças, deve-se ser verdadeiro e justo para com as outras religiões e crenças. Isso requer a comparação dos ideais de nossa comunidade com os ideais de outras comunidades, e não com os alegados fracassos de outros.

  5. Na disseminação de religião ou crenças, tanto os direitos da maioria como da minoria deveriam ser protegidos de acordo com os instrumentos internacionais de direitos humanos, os quais condenam todas as formas de discriminação e intolerância.

  6. Ao se referir a outras comunidades religiosas ou crenças, deveria ser utilizada terminologia respeitosa e não-ofensiva.

  7. Atividades sociais e humanitárias não deveriam estar ligadas à divulgação da fé ou crenças, com o propósito de explorar os membros pobres e vulneráveis da sociedade, oferecendo-lhes incentivos financeiros ou materiais no intuito de induzi-los a manter ou abjurar sua religião ou crença.

  8. Enquanto o direito de manter e manifestar crenças e convicções religiosas for reconhecido, o atrito inter-religioso, o ódio e a competição antagonística devem ser evitados e substituídos por diálogo sincero e respeito mútuo.

  9. Ninguém deveria deliberadamente fazer afirmações falsas quanto a qualquer aspecto de outras religiões, nem denegrir ou ridicularizar suas crenças, práticas ou origens. Informação objetiva sobre elas é sempre desejável a fim de evitar a propagação de julgamentos mal fundamentados e preconceitos generalizados.

  10. A divulgação da fé ou crença deveria respeitar a liberdade das pessoas visadas de escolherem ou rejeitarem uma religião ou crença, sem coerção física ou psicológica, e não deveria forçá-las a romper os laços naturais de família, que é o componente fundamental da sociedade.

  11. Usar poder político ou econômico ou facilitar sua difusão sob pretexto de disseminar a fé ou crença religiosa é impróprio e deveria ser condenado.

  12. A difusão responsável da fé ou crença religiosa deveria concordar com o fato de que isso pode revigorar a fé das pessoas ou grupos visados, ou levar a uma escolha livre e não restrita para a mudança de filiação religiosa.

  13. Tendo em mente suas responsabilidades para o bem da sociedade, as comunidades religiosas deveriam, onde for possível e em harmonia com suas convicções, unir seus esforços visando a aprimorar a justiça, o bem-estar e a paz entre os povos e nações.

  14. Onde surgirem conflitos com respeito à disseminação de religião ou crença, as comunidades envolvidas devem procurar reconciliar-se.

Fonte: Associação Internacional de Liberdade Religiosa, conferência de especialistas adotada por consenso a 29 de janeiro de 2000, “Las Navas del Marqués”, Espanha. Publicado também na revista “Diálogo”, 14(3), p. 26-27. Esse artigo pode ser visto online no seguinte website: http://dialogue.adventist.org/articles/14_3_international_p.htm



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MensagemAssunto: Re: Proselitismo Responsável: Uma Declaração Inter-religiosa   2/4/2008, 03:45

Olá Will...

Interessante esse texto, comentarei algumas coisas...

Herr Will escreveu:
... A conferência incluiu representantes do Cristianismo (Ortodoxo, Católico e Protestante), do Islamismo e Judaísmo, e adotou uma declaração conjunta sobre específicos pontos de acordo.

Particularmente, embora até certo ponto importante e necessário, por outro lado não acredito no ecumenismo... tenho meus motivos e apresentarei logo abaixo.

Citação :
...As religiões têm diferentes posicionamentos sobre como devem disseminar aquilo que crêem. A questão de “proselitizar” ou fazer conversos afeta inevitavelmente as relações inter-religiosas...

Não proselitar é impossível de não acontecer... aliás, é necessário, mas alguns vão aos extremos para conseguir seguidores, impressionante.

Citação :
Espera-se que todos os indivíduos e comunhões religiosas considerem e adotem esses princípios à luz de suas próprias crenças e práticas, ficando assim comprometidos com o mandado divino ou os ideais elevados nos quais crêem.

É... "teólogos" que só aprendem a Como Atacar e Caluniar Pessoas estão precisando ler isso...

Citação :
Ensinar, manifestar e divulgar religião ou crença é um direito humano estabelecido. Todos têm o direito de tentar convencer os outros da verdade de sua fé. Todos têm o direito de adotar ou mudar de religião ou crença sem coerção, segundo os ditames de sua consciência.

Sem coerção? Ainda acrescentaria mais... sem alguns apagarem os posts que colocamos devidamente refutando noutros fóruns, sem mentir, sem falsidade, sem ofensas, sem ataques pessoais mas tentando teologar, sem descer o nível... etc...

Agora, discorrendo um pouco sobre alguns pontos, diria que:

Muitos devem ter cuidado, pois, apesar de Cristo ter deixado claro o SIM, SIM, NÃO, NÃO, embora isso seja importante, existe uma lógica dualista em muitos pensamentos, ex:

a) Certo x errado;
b) Bem x mal;
c) Céu x inferno;
d) Esquerda x Direita;

É preciso também ter cuidado para não ficar polarizado entre conceitos e ideologias estreitas. O diálogo também pode ser uma respiração de idéias. No diálogo, uma 3ª idéia poderá surgir.

Acredito que o principal desafio no processo de diálogo é vencer o medo do desconhecido, as pessoas travam diálogo com “o pé atrás”, com a guarda levantada, aceitando mais o PRÉ-conceito do que dar devida oportunidade ao "opositor" de expor idéias.

O maior temor quando se parte para um diálogo é a ameaça da dissolução de identidades e do sincretismo religioso. E sincretismo é fusão de diferentes doutrinas religiosas ou ensinos.

Quando disse anteriormente que não acredito no ecumenismo, penso sobre alguns questionamentos:

a) Seria correto dizer que o ecumenismo é insincero? Podem por exemplo, os adeptos do ecumenismo conciliar adorar em espírito e em verdade” com “idolatria”? Os ecumênicos só reúnem-se para orar, cantar ou festejar algo.

b) Alguns dizem: [o que une é o amor] como pode ser o amor se ambos crêem que alguém está errado? Como uma união qualquer pode prevalecer na certeza que há mentiras entre ambos? Não seria uma eterna desconfiança o “amor sem verdades”? Será que a única coisa que deve nos unir é mesmo o amor?

c) O que a Bíblia diz sobre unir? É somente por amor? A unidade da igreja apostólica não era só em amor, mas era também na doutrina (tão negada pelo ecumenismo), no partir do pão, nas orações e na comunhão (At 2:42).


Shalom!
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