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 Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos

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Prof. Azenilto
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MensagemAssunto: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 10:17

JESUS NÃO ENSINOU A IMORTALIDADE DA ALMA
Nas palavras de Cristo em João 14:1-3 e João 5:28, 29 não há pista alguma de “almas imortais” referidas em qualquer desses textos com os Seus dizeres:

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”.

“Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a Sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”.

São bem significativas as palavras de Cristo sobre “preparar lugar” para os Seus, seguidas de Sua promessa de retorno: “virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo, para que onde eu estiver, estejais vós também”. Ora, se Cristo ensinasse a imortalidade da alma iria dizer que os lugares estariam disponíveis aos salvos conforme fossem morrendo e suas almas chegassem no céu para assumi-las. O fato de Ele relacionar o Seu retorno ao encontro com os remidos para, então, ocuparem tais moradas é altamente significativo. Simplesmente não há espaço para a noção de almas ou espíritos indo para o céu nessa fala do Salvador.

Por outro lado, o texto sobre a ressurreição de João 5:28 e 29 é antecedido por alguns comentários muito significativos de Cristo: “Em verdade, em verdade, vos digo que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem, viverão” (vs. 25).

Observem que Ele fala que “os mortos” ouvirão a voz do Filho de Deus e viverão. Neste verso específico Ele certamente se refere aos salvos, pois fala: “os que a ouvirem, viverão”. Estas palavras não fazem sentido para quem creia na imortalidade da alma, porque os que ouvirem a voz já estão vivos, na forma de uma “alma imortal”. Os que viverão são os que estiverem nas sepulturas, não os que estejam em algum local do universo esperando esse “ouvir a voz”, para terem vida.

Se as almas é que vêm de diferentes locais, primeiro, não precisariam ouvir voz alguma para despertar—já estão muito bem despertas. E se estão despertas é por estarem vivas, e o “viverão” a elas não pode aplicar-se!

E há mais uma ponderação a considerar: Jesus diz, “os mortos ouvirão a voz. . .” Ora, se Cristo cresse na imortalidade da alma iria dizer—“as almas dos que morreram se reincorporarão e ouvirão a voz. . .” A preocupação Dele não é com os que estão em alguma parte do espaço, mas com “os mortos”. E esses mortos são “todos os que se acham nos túmulos”. O tema no contexto é o juízo a que todos devem submeter-se—a ressurreição da vida e a do juízo.


E o Que Dizer Da Ressurreição de Lázaro?
Quando se lê o que é considerado o maior dos milagres de Cristo—a ressurreição de seu amigo Lázaro, morto já fazia quatro dias (João cap. 11)—as palavras do Salvador não deixam igualmente qualquer pista para a crença na imortalidade da alma. Senão, vejamos:

a)
Cristo diz aos discípulos que o amigo Lázaro estava “dormindo”, utilizando a metáfora do sono para falar da morte, algo muito comum nas Escrituras tanto do Velho quanto do Novo Testamento. A morte é retratada na Bíblia como um sono inconsciente (Salmo 146:4; Ecl. 9: 5, 6 10; 1 Tes. 4:13-18).

b)
Na rápida conversa que teve com as enlutadas irmãs, Cristo jamais diz algo sobre Lázaro estar desfrutando as bênçãos celestiais, mas aponta à ressurreição “no último dia” como fonte de consolação. Marta reage às palavras Dele na mesma base—confirmando sua esperança na ressurreição (João 11: 23, 24).

c)
Cristo faz a declaração magnífica e confortadora: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que morra viverá” (vs. 25). A ênfase não está em almas indo para o céu, mas, de novo, na ressurreição do dia final. Por isso quem aceita o Evangelho viverá, não por ter uma alma imortal, mas graças à ressurreição que resulta em imortalidade, concedida como um dom aos que crêem (2 Tim. 1:10).

d)
Quando Lázaro é trazido à vida, nada tem para contar de seu tempo “no além”. Decerto se ele tivesse algo a narrar do período em que esteve morto, o apóstolo João haveria de registrar sem hesitação. Seria tema importantíssimo e do maior interesse da comunidade de crentes. Contudo, Lázaro nenhuma informação trouxe da sua possível passagem pelo céu, porque nada teve para contar a respeito.

e)
Se Cristo tivesse trazido Lázaro do céu para voltar a sofrer sobre a Terra ter-lhe-ia feito uma maldade. Se o trouxe do inferno (improvável, pois era um seguidor do Mestre) ter-lhe-ia dado nova oportunidade de salvação, o que é antibíblico.

As palavras e atos de Cristo são coerentes com o que Ele havia dito em João 6:39: “E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum Eu perca de todos os que Me deu; pelo contrário, Eu o ressuscitarei no último dia”. Tais palavras são repetidas nos vs. 40, 44 e 54. Este último verso é muito significativo: “Quem comer a Minha carne e beber o Meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”. E no vs. 58 Ele novamente acentua: “Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram, e contudo morreram: quem comer este pão viverá eternamente”. Está muito claro que Ele relaciona a posse da vida eterna com a ressurreição no último dia!

Se Cristo ensinasse a imortalidade da alma sem dúvida Suas palavras refletiriam tal noção nestas declarações, pois é incrível que deixasse de mencionar um fato tão relevante no que diz respeito ao destino dos salvos, o tema que está expondo nessas passagens.




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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 10:20

O Estado do Homem na Morte
Está dormindo. Que a morte é um sono acorre 75 vezes nas Escrituras, sendo 47 vezes no Velho Testamento e 18 no Novo Testamento. A teologia popular procura em vão desembaraçar-se desta verdade, alegando ser uma “aparência,” mas Jesus afirma que a sono é a morte real e não a aparência dela. João 11:13 e 14.

Está na sepultura. João 5:28 e 29; Mat. 28:6; João 11:43.

Está no pó da Terra. Gên. 3:19; Sal. 22:15; Isa. 26:19; Jó 7:21; Dan. 12:2, e outros passos.

Está inconsciente, sem ação mental em absoluta inatividade. Sal. 6:5; 146:3 e 4; Ecles. 9:5,6 e 10; 3:20; Isa. 38: 18 e 19.

Não está no Céu. João 7:33 e 34; 14:1-3 (os lugares preparados a serem ocupados SÓ quando Cristo retornar); Atos 2:34

O mau não está no inferno. Está “reservado” no túmulo até o dia do juízo. Jo 21:30; II S. Ped. 2:9, e outros passos.

O homem morto, tanto bom como mau, está num mesmo lugar. Ecles. 3:20; 6:6.

O morto será despertado pelo milagre da ressurreição. Isa. 26:19; Dan. 12:2; Ezeq. 37:12; Luc. 20:37 e 38; S. João 5:28 e 29; I Cor. 15:42, 44 e 52:; I Tess. 4:16; Apoc. 20:6, 13 e outros passos.

A recompensa de cada um só será dada quando Cristo voltar. S. Mat. 16:27; Apoc. 22:14; I S. Ped. 5:4; 5. Luc. 14:14 Última parte; II Tim. 4:1, e outros passos. Os heróis da fé, que dormem desde tempos remotos, alcançarão a recompensa também nessa ocasião. Heb. 11:39 e 40. Só o que vence adquire a imortalidade. Apoc. 2:7 e 11.



Última edição por em 1/13/2008, 17:39, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 10:29

“Deus de Vivos, Não de Mortos”--Esta Declaração Confirma a Imortalidade da Alma?
Alguns tomam a passagem de Mateus 22:32--“Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. . . Ele não é Deus de mortos, e, sim, de vivos. Ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da Sua doutrina”--como “prova” irrefutável de que Jesus pregava àquela gente a idéia de imortalidade da alma.

Quando, porém, se analisa O MESMO EPISÓDIO desse diálogo de Cristo com os saduceus citando o relato idêntico redigido por Lucas, o que é um recurso inteiramente válido para análises bíblicas, percebe-se que, longe de confirmar a tese da imortalidade da alma, estes dizeres mostram o verdadeiro enfoque do ensino de Cristo a respeito do destino final do homem.

Lucas apresenta as mesmas palavras de Cristo de modo mais completo. Vejamos como se encerrou o diálogo entre Cristo e os saduceus no relatório de Lucas:


E que os mortos hão de ressuscitar, Moisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus de mortos, e, sim, de vivos; porque para ele todos vivem. Então disseram alguns dos escribas: Mestre, respondeste bem. Dai por diante não ousaram mais interrogá-lo”. (Lucas 20:37-40).

Vejam bem, amigos. A ênfase mais uma vez não é sobre a imortalidade da alma, mas sobre RESSURREIÇÃO! São tão claras as palavras--“e que os mortos hão de ressuscitar. . .” (vs. 37). Ora, os advogados da imortalidade da alma estariam cobertos de razão se Jesus houvesse dito: “E que os mortos vão para o céu com suas almas. . .” Mas não é isso o que Ele disse!

Ademais, observem que a própria discussão começa assim: “Chegando alguns dos saduceus, homens que dizem não haver ressurreição. . . ” (vs. 27). E vejam, na seqüência da fala dos saduceus: “Essa mulher, pois, no dia da ressurreição, de qual deles [dos sete irmãos falecidos] será esposa?” (vs. 33). E as palavras de Cristo a certa altura: “. . . os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos. . .” (vs. 35).

Na discussão não existe A MÍNIMA pista para qualquer noção de imortalidade da alma. Os saduceus não perguntaram: “E quando esses sete irmãos forem morrendo e suas almas forem chegando no céu. . .” Percebe-se bem que o enfoque jaz totalmente sobre a ressurreção dos mortos? E também digno de nota é o detalhe de que Cristo fala dos que hão de ser dignos de “alcançar a era vindoura [a consumação dos séculos] E A RESSURREIÇÃO DENTRE OS MORTOS”?

Esta passagem considerada globalmente, em lugar de favorecer a noção de imortalidade da alma é EXATAMENTE uma confirmação de a expectativa de vida eterna, na era vindoura, dar-se pela ressurreição dos mortos! E nesse contexto é que Cristo encerra o diálogo referindo-se a Moisés dizendo: “E que os mortos hão de ressuscitar, Moisés o indicou . . . quando chama ao Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”, para daí concluir: “Ora, Deus não é Deus de mortos, e, sim, de vivos; porque para ele todos vivem”.

E por que para Ele todos vivem? Por terem uma “alma imortal” ou por ressuscitarem dos mortos? Qual é o contexto? Qual é a ênfase? Qual é o sentido lógico lendo-se todo o conjunto dos debates e sua conclusão? Claramente, o episódio do diálogo de Cristo com os saduceus a respeito da ressurrreição dos sete irmãos e a mulher que enviuvou do primeiro, longe de comprovar a tese da imortalidade da alma, concentra-se na ressurreição dos mortos, associada ao alcance da “era vindoura”.

Tão claro é isso, que até os saduceus que queriam pegar Jesus em contradição terminaram O elogiando (“Então disseram alguns dos escribas: Mestre, respondeste bem. Dai por diante não ousaram mais interrogá-lo”). É interessante que esta não é a primeira vez que isso ocorre--os que querem arranjar um pretexto para apanhar Jesus terminam até O elogiando (ver Marcos 12:34).

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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 17:42


A METÁFORA DO SONO PARA ILUSTRAR A MORTE
"Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento. Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram; nem têm eles daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol". -- Ecl. 9:5, 6.

Salomão diz estas coisas em profunda reflexão sobre a condição dos mortos CONFIRMANDO o que havia dito antes, em 3:19-21 e CONCORDANDO com o teor global do ensino bíblico.

O que a Bíblia ensina sobre o estado dos mortos é apresentado numa porção de claros textos, e a indicação é de que estão DORMINDO. A metáfora do sono é clara indicação do entendimento dos autores bíblicos de que há total INCONSCIENCIA. Isso se confirma em inúmeros textos, como no Salmo 146:3 e 4--"Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito [ruach--fôlego vital] e eles tornam ao pó. Nesse mesmo dia perecem todos os seus desígnios [ou 'pensamentos', como na VKJ e outras versões]". E no Salmo 6:5 lemos: "Na morte não há recordação de Ti [Deus]; no sepulcro quem te dará louvores?"

Tanto no Velho quanto no Novo Testamento a morte é muitas vezes descrita como um "sono". Há várias referências de alguém que "dormiu com os seus pais" (Gên. 28:11; Deu. 31:16; 2 Sam. 7:12; 1 Reis 2:10). Começando com sua aplicação inicial a Moisés ("Eis que estás para dormir com teus pais"--Deu. 31:16), e depois com Davi ("Quando teus dias se cumprirem, e descansares com teus pais"--2 Sam. 7:12), e Jó ("Agora me deitarei no pó"--Jó 7:21), encontramos este belo eufemismo para a morte atravessando qual fio ininterrupto por toda a extensão do Velho e Novo Testamentos, findando com a declaração de Pedro de que "os pais dormem" (2 Ped. 3:4).

Diz o profeta Daniel (12:2): "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eternos". Note-se que nesta passagem tanto os ímpios quanto os santos estão no pó da terra e ambos os grupos serão ressuscitados no final.

E eis outra profunda reflexão de Jó fazendo uma pergunta retórica: "O homem, porém, morre e fica prostrado; expira o homem, e onde está?" (Jó 14:10). Sua resposta é: "Como as águas do lago se evaporam, e o rio se esgota e seca, assim o homem se deita, e não se levanta: enquanto existirem os céus não acordará, nem será despertado do seu sono" (Jó 14:11-12; cf. Sal. 76:5; 90:5).

Aqui está uma descrição bem vívida da morte. Quando uma pessoa exala o seu último suspiro, "o que é ele?", ou seja, "o que é deixado dele?" Nada. Ele não mais existe. Torna-se como um lago ou rio cujas águas se secaram. Ele dorme na sepultura e "não despertará" até o fim do mundo.

Ficamos a pensar: iria Jó apresentar uma descrição tão negativa da morte se cresse que sua alma sobreviveria à morte? Se a morte introduzisse a alma de Jó na presença imediata de Deus no céu, por que fala ele de esperar até não mais "existirem os céus" (Jó 14:11) e até ser "substituído" (Jó 14:14)? É evidente que nem Jó nem qualquer outro crente no VT sabia de uma existência consciente após a morte.

Passando para o Novo Testamento vemos que a morte é descrita como um sono também, e mais freqüentemente do que no Velho. A razão pode ser que a sperança da ressurreição, que é esclarecida e fortalecida pela ressurreição de Cristo, dá novo significado ao sono da morte do qual os crentes despertarão por ocasião da segunda vinda de Cristo. Assim como Cristo dormiu na sepultura antes e Sua ressurreição, igualmente os crentes dormem em suas tumbas enquanto esperam por sua ressurreição.

Há duas palavras gregas com o sentido de "sono" empregadas no Novo Testamento. A primeira é koimao, empregada quatorze vezes para falar do sono da morte. Um derivado desse substantivo grego é koimeeteerion, do qual deriva nossa palavra cemitério. Incidentemente, a raiz dessa palavra é também a do termo lar-oikos. Destarte, o lar e o cemitério estão ligados orque ambos são lugares de dormida.

A segunda palavra grega é katheudein, geralmente empregada para o sono ordinário. No Novo Testamento é usada quatro vezes para o sono da morte (Mat. 9:24; Mar. 5:39; Luc. 8:52; Efé. 5:14; 1 Tes. 4:14).

Ao tempo da crucifixão de Cristo, "abriram-se os sepulcros e muitos corpos de santos, que dormiam, [kekoimemenon] ressuscitaram" (Mat. 27:52). No texto original consta: "Muitos corpos dos santos adormecidos foram ressuscitados". É óbvio que o que foi ressuscitado foi a pessoa integral, não só os corpos. Não encontramos qualquer referência quanto a suas almas serem reunidas com seus corpos, certamente porque esse conceito é estranho à Bíblia.

Falando figuradamente da morte de Lázaro, Jesus declarou: "Nosso amigo adormeceu, mas vou para despertá-lo" (João 11:11). Quando Jesus percebeu que não tinha sido compreendido, disse-lhes claramente "Lázaro morreu" (João 11:14). A seguir, Jesus apressou-se a reassegurar a Marta: "Teu irmão há de ressurgir" (João 11:23).

Este episódio é significativo, primeiro de tudo porque Jesus claramente descreve a morte como um "sono" do qual os mortos despertarão ao som de Sua voz. A condição de Lázaro na morte foi semelhante a um sono do qual alguém desperta.

Cristo disse: "Vou despertá-lo do sono" (João 11:11). O Senhor levou a efeito Sua promessa indo até a sepultura para despertar a Lázaro chamando: "Lázaro, vem para fora. Saiu aquele que estivera morto tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lençol" (João 11:43-44).

Esse despertar de Lázaro do sono da morte pelo som da voz de Cristo faz paralelo com o despertar dos santos adormecidos no dia de Sua gloriosa vinda. Eles também ouvirão a voz de Cristo e sairão para a vida novamente. "Vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a Sua voz e sairão" (João 5:28; cf. João 5:25). "Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro" (1 Tes. 4:16).

Há harmonia e simetria nas expressões "dormir" e "despertar" como empregadas na Bíblia, no sentido de entrar e sair da condição da morte. As duas expressões corroboram a noção de que a morte é um estado de inconsciência, do qual os crente despertarão no dia da vinda de Cristo. -- Estudo baseado na discussão do Dr. Samuele Bacchiocchi em sua obra Imortalidade ou Ressurreição?



Última edição por em 1/15/2008, 17:56, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 17:47

Pedro, João, Judas—Nada de Imortalidade da Alma
Em nenhuma das epístolas desses autores cristãos se encontra a mínima pista de que eles cressem na partida de uma “alma imortal” na morte para a herança celestial ou para o castigo eterno

A idéia tão popular quanto antibíblica de que na morte a pessoa imediatamente vai para o seu destino eterno através de uma alma imortal não encontra o mínimo respaldo nos ensinos de Jesus Cristo nem nos do apóstolo Paulo, como já acentuamos em estudos específicos. Será, porém, que os demais apóstolos de Cristo teriam uma visão diferente?
Veremos no estudo a seguir que um estudo detido do que Pedro, João e Judas dizem em suas epístolas demonstra que eles igualmente não criam nessa doutrina de origem pagã que adentrou o cristianismo a partir de influências platônicas e de outras origens.


Nada de Dualismo nas Epístolas de Pedro
Examinemos, na ordem, como inicialmente Pedro discute essa questão. Sublinharemos alguns pensamentos que merecem destaque e comentários especiais. Diz ele no capítulo 1 de sua primeira epístola, versos 3 a 7:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.

As partes sublinhadas mostram a lógica do raciocínio do autor. A viva esperança de que os cristãos são possuidores têm que ver com a “herança” reservada no céu, e que será desfrutada pelos filhos de Deus, não quando morrem e suas almas vão para o céu, e sim “no último tempo . . . na revelação de Jesus Cristo”.

Clarissimamente a ênfase está no evento da volta de Cristo, quando Ele virá conceder essa herança aos salvos. Não existe a mínima pista de “morrer e ir para o céu”, como é o conceito tão popularizado entre os cristãos, e mesmo adeptos de outras fés, com base no conceito de imortalidade da alma.

Esta afirmação de certeza de Pedro quanto à herança garantida no céu, mas a revelar-se “naquele dia”, é reiterada no vs. 13 do mesmo capítulo:

"Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo".

A tradução NIV traz “when Jesus Christ is revealed”, ou “quando Jesus Cristo for revelado”, o que é confirmado pela tradução em português, “A Bíblia na Linguagem de Hoje”.

No capítulo 4, vs. 12 e 13, lemos esta mensagem de encorajamento e esperança:

"Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis".

A revelação da glória de Cristo se dará quando de Seu advento. Ora, se Pedro cresse na imortalidade da alma não teria por que falar em regozijo e exultação dos crentes ligando isso àquela ocasião. Se fossem com suas almas para o céu, seguindo-se à morte, não iriam ali exultar e alegrar-se? Na perspectiva do Apóstolo, porém, só quando da “revelação da Sua glória” é que tal sentimento de felicidade se confirmaria.

No capítulo 5, versos 1 a 4, por outro lado, o Apóstolo volta a tratar da glória futura, destacando, não a imortalidade da alma, mas a revelação de tal glória no tempo final:

"Aos anciãos, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória".

A clareza da linguagem é indiscutível. Nada de esperar pela glória a não ser “quando se manifestar o supremo Pastor”, Jesus Cristo.


Na Linguagem de Castigo aos Pecadores Nem Sinal de Almas Imortais
Em contraste com a certeza magnífica para a comunidade cristã da herança eterna quando da manifestação do “Sumo Pastor”, temos também o aspecto negro dos acontecimentos futuros, no que diz respeito aos que não se salvarão. Pedro fala no capítulo 2 da 2a. epístola:

"E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita. Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no inferno, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo; se não poupou ao mundo antigo, embora preservasse a Noé, pregador da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; se, reduzindo a cinza as cidades de Sodoma e Gomorra, condenou-as à destruição, havendo-as posto para exemplo aos que vivessem impiamente; e se livrou ao justo Ló, atribulado pela vida dissoluta daqueles perversos (porque este justo, habitando entre eles, por ver e ouvir, afligia todos os dias a sua alma justa com as injustas obras deles); também sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados" (vs. 2-9).

Claramente o texto fala dos próprios anjos maus que foram lançados nas “trevas exteriores” [no grego tártaros], o que não é ainda o inferno, mas é indicado como sua postura de seres expulsos da glória eterna enquanto aguardam o juizo, pois que estão “reservados” para tal ocasião. E que o que espera esses anjos finalmente é a “destruição” fica muito claro em Marcos, quando um dos demônios que Cristo confrontou para expulsar pergunta-Lhe: “Que temos nós contigo, Jesus, nazareno? Vieste destruir-nos?” (Marcos 1:24).

Assim também os ímpios estão reservados para esse futuro “dia do juízo”, o que denota não terem ainda sido condenados no inferno, ou geena. Paulo fala sobre os “fogos da vingança” que serão trazidos por Cristo quando de Sua vinda (2 Tes. 1:7-10).

Pedro claramente fala da destruição de Sodoma e Gomorra como um “exemplo” para os que vivem impiamente. Nenhuma idéia de “morrer e ir para o inferno”, como na mentalidade popular.

No vs. 12 a 17 ele reforça o pensamento:

"Mas estes, como criaturas irracionais, por natureza feitas para serem presas e mortas, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, recebendo a paga da sua injustiça; pois que tais homens têm prazer em deleites à luz do dia; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em suas dissimulações, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecar; engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância, filhos de maldição; os quais, deixando o caminho direito, desviaram-se, tendo seguido o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça, mas que foi repreendido pela sua própria transgressão: um mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta. Estes são fontes sem água, névoas levadas por uma tempestade, para os quais está reservado o negrume das trevas".

Aí está a linguagem clara de que os pecadores estão “reservados” para o castigo final, intitulado “negrume das trevas”. Nada de “inferno de fogo eterno” em funcionamento, pois “negrume das trevas” parece-se muito mais com a “eterna destruição, banidos da face do Senhor”, a que Paulo se refere em 2a. Tes. 1:9. E à luz da própria declaração quanto a Sodoma e Gomorra terem sido deixadas como “exemplo” de castigo aos pecadores ao tempo de Ló, não pairam dúvidas quanto à sorte desses que vivem blasfemando e cometendo todo tipo de pecado ao final. E a palavra “destruição” por si só já denota algo que tem um fim. Onde já se ouviu falar de uma destruição que nunca se . . . destrói?!

Agora, quando chegamos no capítulo 3, de 2a. Pedro, as coisas se esclarecem de modo indiscutível:

". . . sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores com zombaria andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. Pois eles de propósito ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste; pelas quais coisas pereceu o mundo de então, afogado em água; mas os céus e a terra de agora, pela mesma palavra, têm sido guardados para o fogo, sendo [u]reservados para o dia do juízo e da perdição dos homens ímpios. Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se. Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas. Ora, uma vez que todas estas coisas hão de ser assim dissolvidas, que pessoas não deveis ser em santidade e piedade, aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça. Pelo que, amados, como estais aguardando estas coisas, procurai diligentemente que por ele sejais achados imaculados e irrepreensível em paz".

Estes textos falam de como os ímpios zombariam dos cristãos quanto a sua convicção da VINDA de Cristo, não de crerem no céu. Isso é significativo. Como também é muito significativo o fato de mencionarem os mortos como os que “dormiram”. Igualmente, o mesmo Deus que por Sua “palavra” ordenou a destruição dos ímpios ao tempo do dilúvio, também ordenará que ocorra um “dilúvio de fogo” que não só destruirá os ímpios, mas fará com que os elementos “ardendo” se dissolvam e se fundam. Ou seja, tanto os ímpios quanto o próprio ambiente deste mundo atual enfrentarão a destruição, passando por radical transformação.

Ora, isso é confirmação de tantas passagens do Velho e Novo Testamento que acentuam exatamente isso: a destruição dos homens ímpios (Sal. 37:9, 10, 20; 68:2; 92:7; Eze. 28:14-19; Sof. 1:14-19; Mal. 4:1-3; Mat. 10:28b; 2 Tes. 1:7-10; Apo. 20:14; 21:8).

E em suas últimas palavras de exortação de sua segunda epístola, Pedro ainda acentua que os cristãos estavam “aguardando e desejando a vinda do dia de Deus” e “esperando” a consumação dos séculos, assim, nessa perspectiva, deviam manter vidas sóbrias e santas, crescendo “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.

Ainda que os cristãos primitivos aguardassem vivamente que as promessas da vinda de Cristo se cumprissem em seu tempo, o teor global do que é ensinado, tanto quanto à herança eterna, quanto ao castigo dos pecadores, não deixa margem a qualquer noção, seja de imortalidade da alma ou de inferno de fogo eterno.


Em João e Judas, Nada de Dualismo Também
Em 1a. João temos a mesma exortação à santidade com base na esperança da volta do Senhor:

"E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda" (1 João 2:28).

"Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos. E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro (1 João 3:2, 3)".

No capítulo 4 ele também destaca:

"Nisto é aperfeiçoado em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos também nós neste mundo".

Por que ele acentua essa confiança “no dia do juízo” e não no dia da morte, quando a “alma imortal” supostamente iria entrar no céu? Ou o crente ao morrer já teria definida a sua sorte no “departamento dos futuros salvos”, como alguns ensinam como sendo o local para onde se dirigiriam os salvos, ali permanecendo à espera do dia do juízo para saber se se salvarão ou não, embora já certos de que sim (pois estão no lado do hades reservado para os salvos!).

Finalmente, chegamos à epístola de Judas onde, no vs. 7, ele repete a linguagem usada por Pedro sobre Sodoma e Gomorra, dando um detalhe interessante:

". . . aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia, assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se prostituído como aqueles anjos, e ido após outra carne, foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno".

Os anjos foram expulsos do céu para “prisões eternas”, mas estão esperando “o juízo do grande dia”, com o que vemos mais uma vez como o “eterno” tem sentido elástico na língua grega (como na hebraica). Tanto que Sodoma e Gomorra e cidades vizinhas foram postas como exemplo do castigo de anjos e homens maus, “sofrendo a pena do fogo eterno”.

Daí se pode entender melhor a linguagem hiperbólica do “fogo eterno”, que não tem sentido absoluto, em termos de tempo, pois o fogo que queimou Sodoma e Gomorra, que foi “eterno”, não está mais queimando em nossos dias. O “eterno” refere-se a seus efeitos e conseqüências, não à sua duração. É o que se passa com o “juízo eterno” (Heb. 6:2), que não se refere a um processo que tem início, mas não tem fim.

É tal como o fogo que “não se apagará”, que queimaria as portas de Jerusalém quando do cativeiro, mas não estão queimando até hoje (Jer. 17:27).

Portanto, temos demonstrado em diferentes de nossos estudos que nem Paulo, nem Pedro, nem João, nem Judas (como também Tiago) ensinavam qualquer coisa semelhante a almas imortais que deixam o morto e vão conscientes para céu, inferno, purgatório, hades, sheol, ou seja o departamento do além que se imagine. . .

Sem falar no estudo especial onde provamos que Jesus Cristo também não ensinava a doutrina de origem pagã da imortalidade da alma, oriunda da primeira mentira proferida sobre este planeta, “É certo que não morrereis” (Gên. 3:4).

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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 18:18

Como Entender os “Espíritos em Prisão”— 1 Pedro 3: 18, 19
Diz o texto: “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais noutro tempo foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água”.

Esta frase, “espíritos em prisão”, tem confundido a muitos, porque têm idéia de que um espírito seja um homem ‘desencarnado’, existente alhures em alguma região inferior. Daí dizerem que, entre a crucifixão e a ressurreição, Jesus foi a algum lugar, selecionou os espíritos dos antediluvianos dos dias de Noé, e lhes pregou, concedendo-lhes segunda oportunidade de salvação. Isto envolve os erros da consciência na morte; da existência de algum lugar, como seja o purgatório; da possibilidade de uma segunda oportunidade; da descida de Cristo ao inferno (ou hades), suposto local dos espírito desencarnados.

“Nos dias de Noé”. Aí está a chave para se descobrir a época da pregação. Noé foi o instrumento usado por Cristo e pelo Espírito, e por ele a mensagem do arrependimento foi pregada, antes do dilúvio: “o apóstolo passa do exemplo de Cristo ao do mundo antigo, e apresenta aos judeus, a quem escrevia, o acontecimento referente aos que creram na pregação de Cristo por intermédio de Noé, e a ele obedeceram-atitude bem diversa daquela dos que continuaram desobedientes e descrentes--dando a entender aos judeus que estes se achavam sob sentença semelhante. Deus não havia de suportá-los por muito tempo mais”.—Mathew Henry.

Era Noé um “pregoeiro da justiça” (II S. Pedro 2:5) e Gênesis 6:9 ressalta bem claro que o espírito de Deus estava com ele, poisa “andava com Deus”. Em Lucas 4:18-21, Isaías 42:7 e 61:1 vemos que Jesus compreendia que a obra que deveria realizar era a “abertura da prisão aos presos”. Achavam-se ligados em pecado, e Cristo devia fazer essa obra, porquanto sobre Ele estava “o espírito do Senhor Jeová”. O que Jesus fez em Seus dias, foi feito por Noé em sua época. Adam Clarke, concluindo pela impossibilidade de se tratar de “espíritos desencarnados”, diz que a frase “os espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hebreus 12:23) “certamente se refere a homens justos, e homens que se acham ainda na igreja militante; e o Pai dos ‘espíritos’ (Hebreus 12:9) tem referência a homens ainda no corpo; e o ‘Deus dos espíritos de toda a carne’ (Números 16:22 e 27:16) significa homens, não em estado desencarnado”.

O Dr. Pearson, da Igreja Anglicana, diz: “É certo, pois, que Cristo pregou àquelas pessoas que nos dias de Noé eram desobedientes, em todo o tempo em que a ‘longanimidade de Deus esperava’ e, conseqüentemente, enquanto era oferecido o arrependimento, e é igualmente certo que Ele nunca lhes pregou depois de haverem morrido”. Vemos assim que mesmo eminentes teólogos, que acreditam na alma imortal, admitem que essa passagem não ensina a doutrina da imortalidade da alma.

Quem eram esses “espírito em prisão” e como Cristo pregou para eles é corretamente explicado por João Wesley: “Por meio de que espírito Ele pregou?—Através do ministério de Noé, aos espíritos em prisão--os homens perversos antes do Dilúvio. . . . Quando a longanimidade de Deus esperava? —Durante cento e vinte anos, por todo o tempo em que estava sendo preparada a arca; quando então Noé os admoestava a que fugissem da ira futura”.—Explanatory Notes Upon the New Testament, p. 615.

Os que utilizam tal texto para defender a imortalidade da alma vêem-se diante de um dilema. Se disserem que Ele foi ali pregar uma nova oportunidade de salvação para aqueles indivíduos, isso é contra as Escrituras. Onde mais a Bíblia ensina uma segunda oportunidade de salvação para os que morreram, já que o texto de Hebreus 9:27 é claríssimo ao dizer que “aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disso, o juízo”.

Sem falar na clara discriminação que isso significaria. Por que só os que viveram ao tempo de Noé é que mereceriam tal chance? E se Ele foi pregar qualquer outro tema, que mensagem teria ido levar-lhes, e com que propósito? De qualquer modo, eles já não estão condenados eternamente?!

Podemos até especular sobre tal “pregação”: “Eis que vos trago novas de grande desespero: Estão sofrendo o castigo por seus pecados? Não viram nada ainda! Muito mais torturas enfrentarão depois da ressurreição quando forem lançados com corpos não-incorruptíveis, como são os dos remidos, no lago de fogo!. . .”

Será que isso faz o estilo de Jesus Cristo? Não me parece nem um pouco. . .
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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 18:24


Analisando Apocalipse 6:9-11:

As "Almas" Debaixo do Altar
A descrição das almas dos mártires debaixo do altar é erradamente interpretada pelos dualistas como uma demonstração da existência de tais almas no Céu (Apoc. 6:9-11). Imaginam que o texto fala de espíritos sem corpo. Antes de refutarmos, será bom repetir que o livro de Apocalipse é eminentemente simbólico, e um próprio opositor declara em seu livro anti-adventista: "Ora, é fácil confundir e enganar alguém com interpretações plausíveis que se dêem a estes símbolos." E é precisamente isto que ele faz, na argumentação das "almas debaixo do altar" considerando como um fato real aquilo que é simbólico. Ora, esta passagem não pode ser tomada em sentido literal. Além disso, é preciso considerar:

a) Se é verdade que as almas dos justos, ao morrerem eles, vão diretas para a glória, não ficariam acotoveladas debaixo do altar dos sacrifícios, sofrendo aflitas, clamando em altos brados por vingança contra os inimigos. Devem incomodar um bocado os outros moradores do céu com seus gritos lancinantes, o tempo todo. . . Nem isto é do espírito cristão, que manda "amar os inimigos, a orar por eles."

b) Afirmar que o altar estava no Céu é temerário, pois o único altar que lá existe, é o altar do incenso, e não o do sacríficio, e o fato de dizerem que queriam vingança "dos que habitam sobre a Terra" não indica que estivessem no Céu. Mesmo porque, segundo a melhor exegese, estas "almas" eram as pessoas vítimas da matança--do cavaleiro chamado Morte, descrito no quarto selo. Queremos dizer que as "almas" que aparecem sob o quinto selo foram mortas sob o selo precedente, dezenas ou mesmo centenas de anos antes, portanto os seus perseguidores já estavam mortos, e ainda, de conformidade com a teologia popular, deveriam já estar no inferno, portanto já sofrendo a punição, sendo inócuo, pois, o clamor por vingança.

Com referência ao altar, diz o comentarista bíblico metodista Adão Clarke:

"Foi-lhe apresentada uma visão simbólica, na qual Ele viu um altar; e debaixo dEle as almas dos que foram mortos por causa da Palavra de Deus--martirizados pela sua fidelidade ao cristianismo--são representadas como sendo recenteniente mortas, vítimas da idolatria e da superstição. O altar acha-se na Terra e não no Céu."

Portanto, o clamor por vinganca era simbólico. Diz-se que o sangue de Abel clamava a Deus. Gên. 4:9 e 10. O salário dos trabalhadores, retido por fraude, clamava, e seu clamor chegou aos ouvidos de Deus. S. Tia. 5:4. Houve, na visão, a mesma personificação atribuída ao rico e Lázaro. Nada além disso.

Diz o teólogo presbiteriano Alberto Barnes, em seu comentário sobre o passo:

"Não devemos supor que isto ocorreu literalmente, e que João viu de fato as almas dos mártires debaixo do altar, porque toda a representação é simbólica; tampouco devemos supor que os ofendidos e maltratados estejam de fato no Céu clamando por vingança contra aqueles que os maltrataram . . . Pode-se, contudo, bem concluir que haverá uma lembrança dos sofrimentos dos perseguidos tão real como se ali fose feito semelhante clamor, e que os opressores tem tanto a temer da vingança divina como se aqueles a quem injuriaram clamassem no Céu ao Deus que ouve as orações e exerce vingança."

As visões dos selos referem-se a eventos históricos, passados na Terra. Essas "almas" (pessoas) por certo não estavam vivas quando João as viu sob o quinto selo, pois somente depois da ressurreição estariam vivas e fruiriam o milênio. Ler Apoc. 20:4.

Se fossem "espírito" como querem os dualistas, como se concebe espíritos imponderáveis, fluídicos e abstratos vestindo roupagens brancas?

Não, tratava-se de uma visão. Tudo era simbólico. Como a reputação dos mártires tivesse sido enegrecida, então se mostrou sua inocência pelo símbolo de vestiduras brancas.

A passagem de modo algum se destina a ensinar a doutrina da consciência na morte. Nem a pessoa na glória pede vingança. Assim, vai por terra mais um castelo de cartas das teses dualistas.

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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 18:27

Palavras-chave para entender o tema da natureza e destino humanos-I:

O Que A Bíblia Fala Sobre Nephesh, Ruach e Neshamah
“Alma” e “Espírito”

Gênesis 2:7: “Uma Alma Vivente”. Importante declaração bíblica para entender a natureza humana por ocasião da Criação é o breve relato da própria criação do homem: “Então formou Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego de vida; e o homem tornou-se uma alma vivente” (Gên. 2:7). Historicamente, este texto tem sido lido através das lentes do dualismo. Tem-se presumido que o fôlego de vida soprado nas narinas de Adão foi simplesmente uma alma imaterial, imortal, que Deus implantou em seu corpo. Assim, a frase “o homem tornou-se uma alma vivente” (Gên. 2:7) tem sido interpretada como significando que “o homem obteve uma alma vivente”. E tal como a vida terrena começou com a implantação de uma alma imortal num corpo físico, segundo os dualistas, ela termina quando a alma deixa o corpo.

O problema com essa interpretação jaz no fato de que o “fôlego de vida [neshamah]” que Deus soprou nas narinas de Adão não foi uma alma imortal, mas o Espírito divino que transmite vida e é freqüentemente caracterizado como o “sopro de Deus”. Assim, lemos em Jó 33:4: “O espírito [ruach] de Deus me criou, e o sopro [neshamah] do Todo-poderoso me concede vida”. O paralelismo entre o “espírito de Deus” e “o sopro do Todo-poderoso”, que se acha com freqüência na Bíblia (Isa. 42:5; Jó 27:3; 34:14-15), sugere que os dois termos são usados intercambiavelmente porque ambos fazem referência ao dom da vida concedido por Deus a Suas criaturas.

O Espírito de Deus que concede vida é descrito pela sugestiva imagem do “fôlego de vida”, porque a respiração é uma manifestação tangível de vida. Uma pessoa que não mais respira está morta. Jó declara: “Enquanto estiver em mim o meu fôlego [neshamah], e o espírito [ruach] de Deus estiver em minhas narinas; meus lábios não falarão a falsidade” (Jó 27:3). Aqui o “fôlego” humano e o “espírito” divino são equiparados, porque respirar é visto como uma manifestação do poder sustenedor do Espírito de Deus.

A posse do “fôlego de vida” não confere em si mesmo imortalidade, porque, por ocasião da morte, “o fôlego de vida” retorna para Deus. A vida deriva de Deus, é sustida por Deus, e retorna para Deus. Essa verdade é expressa em Eclesiastes 12:7: “O pó volta à terra, como era, e o espírito volta para Deus que o deu”. O que retorna para Deus não é a alma imortal humana, mas o Espírito divino que transmite vida e que nas Escrituras são igualadas ao fôlego de Deus: “Se Deus. . . recolhesse o seu espírito [ruach] e o seu sopro [neshamah], toda carne pereceria juntamente, e o homem retornaria ao pó” (Jó 34:14-15). O paralelismo indica que o fôlego de Deus é o Seu Espírito transmissor de vida. Deve-se observar também que o “espírito” que volta para Deus é o de TODOS os seres humanos, não só dos salvos.

O fato de que a morte é caracterizada como a retirada do fôlego de vida (o Espírito divino que concede vida), demonstra que o “fôlego de vida” não é um espírito ou alma imortal que Deus confere a Suas criaturas, mas o dom da vida que os seres humanos possuem pela duração de sua existência terrena. Enquanto permanecer o “sopro de vida”, os seres humanos são “almas viventes”. Quando, porém, o sopro se vai, tornam-se almas mortas. Isso explica porque a Bíblia freqüentemente se refere à morte humana como a morte da alma (Lev. 19:28; 21:1, 11; 22:4; Núm. 5:2; 6:6,11; 9:6, 7, 10; 19:11, 13; Ageu 2:13).

Corpo é Alma Visível. A maior parte dos eruditos bíblicos reconhece que a “alma-nephesh” em Gênesis 2:7 não é uma essência imaterial, imortal distinta, implantada no corpo, mas simplesmente o princípio que anima o corpo. Comentando sobre Gên. 2:7, o erudito católico Dom Wulstan Mork, escreve: “É nephesh [alma] que dá vida ao bashar [corpo]. O corpo, longe de ser separado de seu princípio que anima o corpo, é a alma [nephesh]” [The Biblical Meaning of Man (Milwaukee, Wisconsin, 1967), p. 34].

Em idêntica linha de pensamento, Hans Walter Wolff, autor de um avançadíssimo estudo de Antropologia do Velho Testamento, pergunta: “O que nephesh [alma] significa aqui? Certamente não a alma [no sentido dualístico tradicional]. . . . O homem não possui nephesh [alma], ele é nephesh [alma], ele vive como nephesh [alma]” [Anthropology of the Old Testament (Filadélfia, 1974), p. 10].

Sumariando, a expressão “o homem se tornou uma alma vivente-nephesh hayyah” apenas significa que em resultado do sopro divino, o corpo inanimado fez-se um ser vivente, que respirava--nada menos do que isso. O coração começou a bater, o sangue a circular, o cérebro a pensar, sendo todos os sinais vitais ativados. Declarado em termos simples, “uma alma vivente” significa “um ser vivo”, e não “uma alma imortal”.


Os Animais Como “Almas Viventes”. Uma prova muito patente de que a expressão “alma vivente” não significa “alma imortal” é o repetido emprego da mesma frase “alma vivente-nephesh hayyah” para descrever a criação dos animais (Gên. 1:20, 21, 24, 30; 2:19; 9:10, 12, 15, 16; Lev. 11:46). Este importante fato é desconhecido da maioria das pessoas porque os tradutores da maioria das versões decidiu traduzir a frase hebraica “nephesh hayyah” como “criaturas viventes” em referência aos animais, e como “alma vivente” nas referências a seres humanos. Por quê? Simplesmente porque os tradutores estavam tão condicionados por suas crenças de que tão-só os seres humanos contam com uma alma imortal não possuída pelos animais, que tomaram a liberdade de traduzir o nephesh do hebraico como “criatura”, antes que “alma”, quando empregada para animais. Norman Snaith condena com justiça esse interpretação arbitrária como “bastante repreensível” porque a frase hebraica devia ser traduzida exatamente do mesmo modo em ambos os casos. Fazê-lo doutro modo é enganar todos quantos não lêem o hebraico. Não há desculpas nem defesa apropriada” [“Justice and Immortality,” Scottish Journal of Theology 17, 3, (setembro de 1964), pp. 312-313].

O repetido emprego de nephesh-alma como referência a toda sorte de animais claramente revela que a nephesh-alma não é uma essência concedida aos seres humanos, mas o princípio que anima a vida ou o “fôlego de vida” que está presente tanto nas pessoas quanto nos animais porque ambos são seres conscientes (ver Ecles. 3:19-21--homens e animais têm o mesmo fôlego de vida). O que distingue os seres humanos dos animais não é a alma, mas o fato de que os seres humanos foram criados à imagem de Deus, isto é, com possibilidades semelhantes às de Deus, não disponíveis aos animais.

O relato bíblico da criação do homem indica que a natureza humana consiste de um todo indivisível onde o corpo, o fôlego de vida, e a alma funcionam, não como entidades separadas, mas como características da mesma pessoa. O corpo é uma pessoa como um ser concreto; a alma é uma pessoa como um indivíduo vivo; o fôlego ou espírito de vida é uma pessoa tendo sua fonte em Deus. Esta é a essência do ponto de vista criacional da natureza humana, expandida no restante da Bíblia.

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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 18:30

Palavras-chave para entender o tema da natureza e destino humanos-II:

Morte e Sepultura no Velho Testamento
Sheol e Abbadon

Morte e Sepultura no Velho Testamento. A palavra hebraica sheol, é diferentemente traduzida nas Escrituras como “sepultura”, “morte”, “abismo”, “inferno”, etc. Os tradutores da Versão King James arbitrariamente traduziram sheol como ‘sepultura’, quando referindo-se aos justos, cujos corpos jaziam na sepultura, e como ‘inferno’ quando referindo-se aos ímpios cujas almas estariam supostamente sendo atormentadas no inferno. Isso tem acarretado confusão no entendimento deste tema. O autor imortalista J. Thomson, tratando do tema da morte no Velho Testamento, assim se manifesta: “Por ocasião da morte o corpo permanecia sobre a terra; a nephesh [alma] passava para o sheol; mas o fôlego, espírito ou ruach, retornava para Deus, não para o sheol. Mas no sheol, um lugar de escuridão, silêncio e esquecimento, a vida era melancólica e sombria”. (“Death and the State of the Soul after Death”, in Basic Christian Doctrine, ed. Carl F. H. Henry (Nova York, 1962), pág. 271.

Contudo, lembra o Dr. Bacchiocchi em sua obra Immortality or Resurrection?, que “essas interpretações de sheol como o lugar de habitação das almas (em vez de ser o local de repouso dos corpos na sepultura) ou o lugar de punição para os ímpios, conhecido como inferno, não resistem sob a luz do emprego bíblico de sheol. Este fato é reconhecido mesmo por John W. Cooper que produziu o que seja, talvez, a tentativa mais erudita de socorrer a tradicional visão dualística da natureza humana do maciço ataque da erudição moderna contra tal noção. Cooper declara: ‘Talvez o mais interessante para os cristãos tradicionais notarem seja o fato de que sheol é o lugar de descanso dos mortos, independentemente de sua condição religiosa durante a vida. sheol não é o “inferno” ao qual os ímpios são condenados e do qual os fiéis do Senhor são poupados em glória. . . . Não há dúvida de que os crentes e os descrentes eram todos tidos como indo para o sheol quando morrem’. Body, Soul and Life Everlasting: Biblical Anthropology and the Monism-Dualism Debate (Grand Rapids, 1989), pág. 61.

“O . . . The Interpreter’s Dictionary of the Bible declara até mais enfaticamente que ‘Em parte alguma do Velho Testamento é a habitação dos mortos considerada um lugar de punição e tormento. O conceito de um “inferno” de fogo desenvolveu-se em Israel somente durante o período helenístico’” (Theodore H. Gaster, “Abode of the Dead”, Op. Cit. (Nashville, 1962), pág. 788.

Mais adiante, discutindo a etimologia da palavra e localização do sheol, prossegue Bacchiocchi:

“O sheol localiza-se bem nas profundezas da terra porque é freqüentemente mencionado em contraste com o céu para denotar os limites extremos do universo. O sheol seria o mais profundo lugar no universo, assim como o céu é o mais elevado. Amós descreve a inescapável ira de Deus nestes termos: ‘Ainda que desçam ao mais profundo abismo, a minha mão os tirará de lá; se subirem ao céu, de lá os farei descer’ (Amós 9:2, 3). Semelhantemente o salmista exclama: ‘Para onde me ausentarei do Teu Espírito? para onde fugirei da Tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo [sheol] estás também’ (Salmo 139: 7 e 8, cf. Jó 11:7-9).

“Situando-se abaixo, na terra, os mortos alcançam o sheol por ‘descerem’, um eufemismo para ser sepultado na terra. Destarte, quando Jacó foi informado da morte de seu filho José, declarou: ‘Chorando, descerei a meu filho até à sepultura [sheol]’”. Também convém recordar o episódio do castigo dos rebeldes de Coré e Dotã que foram engolidos terra abaixo, e o original fala que desceram vivos ao sheol (Números 16:33).

Em muitas ocasiões sheol é empregado em paralelo com o termo hebraico bor, abismo, como no Salmo 88:3, 4. Noutras ocasiões o paralelismo ocorre com o termo abbadon, que significa “destruição” ou “ruína”. Abaddon aparece em paralelismo com sepultura: “Acaso nas trevas se manifestam as Tuas maravilhas? e a Tua justiça nas terra do esquecimento [abaddon]?” (Sal. 88:12).

Em Jó 26:6 e Prov. 15:11 e 27:20 o “além”, ou “inferno” [sheol] e o “abismo” [abaddon] surgem também em paralelismo. Por isso, conclui Bacchiocchi: “O fato de que sheol está associado com abaddon mostra que o reino dos mortos era visto como o lugar de destruição, não como o lugar de eterno sofrimento para os ímpios”.

O sheol também é caracterizado como “a terra das trevas e da sombra da morte” (Jó 10:21), onde os mortos nunca mais vêem a luz (Sal. 49:20; 88:13). É, igualmente, a “região do silêncio” (Sal. 94:17; cf. 115:17), bem como a terra de onde não há retorno (Jó 7:10). No Salmo 55:15 sheol é claramente identificada com morte e sepultura, como se dá também no Salmo 141:7--“Ainda que sejam espalhados os meus ossos à boca da sepultura [sheol] quando se lavra e sulca a terra”.

Estes textos todos demonstram irrefutavelmente que o sheol não é o repositório de espíritos que nos deixaram, mas o reino dos mortos. Em seu clássico estudo Anthropology of the Old Testament, Hans Walter Wolff faz notar que, ao contrário das religiões do Oriente Médio, em que os mortos eram glorificados, mesmo endeusados, “no Velho Testamento qualquer coisa semelhante é impensável. Geralmente, a referência à descida para o sheol como o mundo dos mortos nada mais significa do que uma indicação do sepultamento como o fim da vida (Gên. 42:38; 44:29, 31; Isa. 38:10, 17; Sal. 9:15, 17; 16: 10; 49:9, 15; 88:3-6, 11; Prov. 1:12)”. (Op. Cit., pág. 103).

A expressão “dormiu com os seus pais” (como em 1 Reis 1:21; 2:10; 11:43) simplesmente reflete a idéia de que os mortos se reúnem com seus predecessores no sheol, num estado sonolento e inconsciente. A idéia de descanso ou sono no sheol é evidente em Jó que clama em meio a seus tormentos físicos: “Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela? . . . Porque já agora repousaria tranqüilo; dormiria, e então haveria para mim descanso. . . . Ali os maus cessam de perturbar, e ali repousam os cansados”. (Jó 3: 11, 13, 17). Os versos 21 e 22, na seqüência, são altamente significativos no contexto do que foi acima exposto. Ver ainda Jó 17:13-16; 14:12; 19:25-27.

Conclusão: As várias ocorrências de sheol examinadas, seja isoladamente ou em paralelismo com outros termos, claramente indicam que tal termo nunca se refere a um lugar de tormento para os perdidos, com fogo e tudo o mais (aliás, o elemento “fogo” é o grande ausente nessas descrições do sheol, já “vermes” e “gusanos” são lembrados vez ou outra). Tampouco é um lugar de consciência para almas ou espíritos que partiram desta vida. O reino dos mortos é descrito sempre como um lugar de trevas, esquecimento, silêncio e inatividade que assim prossegue até o dia do “despertar”--a ressurreição.


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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 18:34

PARA ENTENDER O EPISÓDIO DO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO
Analisando o Suposto Aparecimento do Espírito de Moisés no Monte
Alegam os dualistas que na cena da transfiguração (registrada em Mateus 17: 1-8) que era "o espírito" de Moisés que lá aparecera e não seu corpo glorificado, como sustentamos. A Biblia não diz que era o espírito de Moisés que lá se achava. Isto é uma conclusão gratuita. Dizem os evangelhos gue Moisés e Elias lá apareceram ao lado do Mestre, em pessoa, glorificados como o seremos algum dia se permanecermos fiéis até ao fim. Dizer que o texto alude a espírito é ir "além do que está escrito." Consideremos o seguinte:

1. Cristo lá Se achava corporalmente, porém transfigurado num ser resplandecente sem perder, contudo, Suas Características pessoais.

2. Elias que não provara a morte--também ali se achava corporalmente. Ou teria ele deixado o corpo inanimado ou tombado em algum canto do Céu, enquanto o espírito descera ao monte da transfiguração? Elias fora arrebatado vivo, e ao ingressar no Céu, sem dúvida seu corpo fora transformado, fora glorificado, pois "a carne e a sangue não podem herdar o reino de Deus;" nem a corrupção herdar a incorrupção." Mas, lemos em S. Lucas 9:31 que Moisés e Elias "apareceram com glória." Jesus também, pois toda a cena era uma antecipação da glória futura do reino.

3. Se os dois personagens acima citados lá se achavam com corpos glorificados, porque só Moisés lá estaria em espírito? Seria uma "alma" visível, conversando com pessoas corporalmente presentes? Diz S. Marcos que ambos (Moisés e Elias) falavam com Jesus. Logo, não eram espíritos. Tão real era a cena ali no monte que Pedro propôs construir três tendas. "Uma para Ti [para Cristo], outra para Moisés, e outra para Elias." S. Mar. 17:4. É inadmissível construir tenda para um espírito. Não se tratava de visão, sonho ou alucinação de Pedro, porque, quase quarenta anós depois, bem lúcido ainda, referia-se ao fato: "nós vimos a Sua glória" (II S. Ped. 1:16-18). Vira a pessoa de Jesus, a pessoa de Elias e a pessoa de Moisés.

O fato de os dois personagens desaparecerem depois não prova que eram espíritos, pois o corpo glorificado também tem esta propriedade. Jesus, ressurreto, penetrou num cômodo completamente trancado. S. João 20:19.

4. Que Moisés ressuscitara é fato que aceitamos, inclusive por outras evidências bíblicas. Lemos que, de fato, Moisés fora sepultado na terra de Moabe, no entanto, ninguém soube o local de sua sepultura. Deut. 34:6. Havia nisso um desígnio da parte de Deus. Todos os que morrem, são contados como prisioneiros de Satanás, no sentido de estarem na sepultura, retidos, inativos, vencidos. Lemos, porém, em Heb. 2:14, que Jesus, "pela Sua morte aniquilou o que tinha o império da morte, isto é, o diabo." Pois bem, cremos que Moisés escapou da prisão da morte.

a) Em Judas 9, lemos que houve disputa entre Miguel, arcanjo, e o diabo acerca DO CORPO de Moisés. A disputa era sobre a sepultura, mas sobre o corpo do servo de Deus. Satanás reclamava Moisés como seu cativo, porém Miguel (que cremos ser Cristo, Dan. 10:21; 12:1; S. João 5:28; Dan. 12:2; I Tess. 4:16) também o reclamava para si. Não seria admissível que houvesse uma disputa sobre o corpo de Moisés, a não ser que se tratasse da ressurreição desse corpo. A ambição maior do inimigo é manter mortos PARA SEMPRE todos os que são filhos de Deus, e dormem nos seus túmulos.

b) Lendo-se as ressurreições ocorridas na Biblia, antes da de Cristo, costuma-se citar a do filho da viúva de Sarepta (I Reis 17) como a mais antiga. Temos, contudo, em Romanos 5:14, essa espantosa revelação: "No entanto, a morte reinou desde Adão até MOISÉS. . ." Notemos o verbo reinar, que quer dizer, dominar, prevalecer. Ora, depois de Moisés os homens continuaram morrendo, mas o texto acima nos diz que a morte teve domínio indiscutível sobre os mortais até MOISÉS. Em outras palavras, até Moisés ninguém se levantou do túmulo para provar que é possível reviver. Nisso o diabo viu seu império abalado. Vemos nisso evidência clara da ressurreição de Moisés.

c) Muitos comentadores não adventistas também admitem a ressurreição de Moisés. Olshausen entende que a narrativa da transfiguração é literal, e no seu comentário sobre o acontecimento, afirma:

"Porque se admitimos a realidade da ressurreição do corpo e sua glorificação--verdades que indubitavelmente fazem parte da doutrina cristã--toda a ocorrência no monte não apresenta grandes dificuldades. A aparição de Moisés e Elias, que é tida por muitos como ponto assaz incompreensível, é facilmente concebida como possível, se aceitarmos a sua glorificação corporal."

O notável comentarista Adão Clarke assim considera o texto de Mateus 17:3:

"Elias veio do Céu no mesmo corpo com que deixou a Terra, pois fora trasladado, e não viu a morte. (II Reis 2:11). E o corpo de Moisés fora provavelmente ‘ressuscitado, como sinal ou penhor da ressurreição; e como Cristo está para vir a julgar os vivos e os mortos--porque nem todos morreremos, mas todos seremos transformados (I Coríntios 15: 51)--Ele certamente deu plena representação deste fato na pessoa de Moisés, que morrera e então fora trazido à vida (ou aparecera naquele momento como aparecerá ressurreto no dia final), e na pessoa de Elias, que nunca provou a morte. Ambos os corpos (Moisés e Elias) apresentavam a mesma aparência, para mostrar que os corpos dos santos glorificados são os mesmos, quer a pessoa seja arrebatada (viva) ou ressuscitada (estando morta) ."

d) Os judeus criam na ressurreição de Moisés. Havia entre eles um livro apócrifo intitulado "Assunção de Moisés." Crê-se geralmente que Judas 9 é nada menos que uma citação desse livro.

e) A maior prova, porém, é o fato de Moisés aparecer glorificado no monte.

Cita ainda [os dualistas] I Cor. 15:20 para concluir que Cristo foi o primeiro a ser ressuscitado. Leiam-se, contudo, estas passagens: I Reis 17:17-22; II Reis 4:32-36; S. Mat. 27:52 e 53; S. Luc. 7:14; S. João 11:43 e 44; Heb. 11:35, além de outras. Mas ressurreição para a glória, a primeira foi a de Moisés.

Cristo, feito "as primícias dos que dormem," não significa que fosse o primeiro da ressurreição, pois em outro texto semelhante a Tradução Brasileira reza: "seria Ele o primeiro que, pela ressurreição dos mortos, havia de anunciar a luz ao povo e aos gentios." Atos 26:23.

E Boomfield, em seu comentário pondera:

"As palavras do texto podem ser traduzidas ‘depois da ressurreição dos mortos’ ou ‘pela ressurreição,’ sendo mais exata esta última."

Wakfield traduziu assim o passo: "Cristo sofreria a morte, e seria o primeiro a proclamar a salvação a Seu povo e aos gentios pela ressurreição dos mortos."

"Primícias" não está em relação com prioridade, mas com o símbolo. Relaciona-se com o molho movido que o sacerdote erguia na festa dos asmos, na dedicação dos primeiros frutos da colheita. Cristo era o Antitipo dos molhos, do mesmo modo como é chamado Cordeiro por ser Antitipo dos cordeiros do sacrificio, no ritual do santuário. Houve muitos cordeiros sacrificados antes dEle. Como Antitipo, Cristo é as primícias dos que dormem. Leia-se S. Tia. 1:18 e ver-se-á que também somos primícias. Em Apoc. 14:4 se lê que os 144.000 são primícias também. E assim se desmantela mais uma ficção imortalista. [Baseado em segmento da obra Subtilezas do Erro, de Arnaldo B. Christianini].


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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 18:39

Imortalidade da alma:

NADA NO COMEÇO, MEIO OU FIM DA HISTÓRIA HUMANA
Quando estudamos as Escrituras deixando que elas simplesmente nos transmitam sua simples mensagem sem tentar acrescentar-lhe conceitos popularizados e acatados por falsas razões apreendemos o fato de que no princípio da história humana não aparece nada sobre Deus ter colocado no homem uma “alma imortal”. Nada consta quanto a isso no relato da criação porque NÃO ERA NECESSÁRIO. O homem foi programado como um ser especial, criado à imagem e semelhança do Criador, para viver eternamente no jardim paradisíaco. Assim, ele já contava em si com o potencial de ser eterno, jamais morrer, e tinha pleno e amplo acesso à árvore da vida. Daí, os crentes na Bíblia que defendem a imortalidade da alma utilizam-se de passagens que NÃO DIZEM o que estas contêm, como a questão de Deus ter soprado nas narinas do homem um “fôlego de vida” e esse ser a suposta “alma imortal”. Contudo, no estudo “O Que a Bíblia Fala Sobre Nephesh, Ruach, Sheol e Hadesdemonstramos como o fôlego de vida dos homens e dos animais é exatamente o mesmo.

Nada no relato da Criação
Nada, absolutamente nada, comprova a tese da imortalidade da alma pela simples leitura do relato objetivo e simples do Gênesis. E que o “fôlego de vida” de homens e animais é exatamente o mesmo, constatamos de passagens claras nas Escrituras que o indicam. Vejamos algumas:

“Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará”.—Gên. 6:17.

“E de toda a carne, em que havia espírito de vida, entraram de dois em dois para junto de Noé na arca”—Gên. 7:15.

“Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?”— Ecl. 3:19-21.

A posse do “fôlego de vida” não confere em si mesmo imortalidade, porque, por ocasião da morte, “o fôlego de vida” retorna para Deus. A vida deriva de Deus, é sustida por Deus, e volta para Deus. Essa verdade é expressa em Eclesiastes 12:7: “O pó volta à terra, como era, e o espírito ruach] volta para Deus que o deu”. O que retorna para Deus não é a alma imortal humana, mas o Espírito divino que transmite vida e que nas Escrituras é igualada ao fôlego de Deus: “Se Deus. . . recolhesse o seu espírito [ruach] e o seu sopro [neshamah], toda carne pereceria juntamente, e o homem retornaria ao pó” (Jó 34:14-15). O paralelismo de linguagem indica que o fôlego de Deus é o Seu Espírito transmissor de vida. E observem que é o “espírito [fôlego]” de TODOS os homens, não somente dos salvos, que vai para Deus.

O fato de que a morte é caracterizada como a retirada do fôlego de vida (o Espírito divino que concede vida), demonstra que o “fôlego de vida” não é um espírito ou alma imortal que Deus confere a Suas criaturas, mas o dom da vida que os seres humanos possuem pela duração de sua existência terrena. Enquanto permanecer o “sopro de vida”, os seres humanos são “almas viventes”. Quando, porém, o sopro se vai, tornam-se almas mortas. Isso explica porque a Bíblia freqüentemente se refere à morte humana como a morte da alma (Lev. 19:28; 21:1, 11; 22:4; Núm. 5:2; 6:6,11; 9:6, 7, 10; 19:11, 13; Ageu 2:13).

Nada Pelo Meio da História Humana
Já vimos como no início da história e formação do homem não aparece nenhuma “alma imortal” como elemento constitutivo da natureza do ser criado “à imagem e semelhança” de Deus. O que a Palavra de Deus nos revela é que Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o “fôlego de vida” e este tornou-se uma “alma vivente” (não que recebeu uma alma vivente).

Reforçando a verdade já exposta de que o fôlego de vida do homem e dos animais é igual temos mais este claro texto:

“E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda a erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez”.—Gênesis 1:30.

Também veremos como na descrição de um dos últimos atos do drama da história humana—a ressurreição dos mortos—nada se diz sobre almas imortais procedendo seja da parte que for do universo para reincorporarem. É estranho como na detalhada descrição do apóstolo Paulo, tanto em 1 Tessalonicenses 4:13ss e 1 Coríntios 15, bem como no próprio ensino de Cristo a respeito (em João 5:25-30) esse elemento não apareça e nenhuma menção ou mínimo indício de uma “alma imortal” ocorra.

Contudo, o que dizer sobre o que a Bíblia apresenta entre o início e o fim, com respeito ao tema da ressurreição? Vejamos um trecho muitíssimo significativo do profeta Ezequiel, que inspiradamente põe-se a descrever um evento de ressurreição—a famosa visão do vale de ossos secos. Embora tenha um sentido simbólico, relata algo bem concreto relativo à formação do homem:

“Veio sobre mim a mão do Senhor, e ele me fez sair no Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos. E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor. Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.

[Continua no próximo quadro]

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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 18:44


[Continuação do quadro anterior]

"Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo. Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados. Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu”.

É importante comparar diferentes traduções da passagem para desfazer qualquer dúvida de sentido de termos. A tradução judaica The Holy Scriptures According to the Masoretic Text [Escrituras Sagradas, Segundo o Texto Massorético], da The Jewish Publication Society of America (Sociedade Americana de Publicações Judaicas), de Philadelphia, EUA, bem como a King James e a New International Version falam de “fôlego”, em lugar de “espírito”, no que tange ao retorno do último componente para transmitir vida ao conjunto dos ossos “sequíssimos” que se unem a nervos, músculos, pele e, por fim, o recebimento desse “fôlego”, transforma aquela miraculosa reconstituição em seres humanos, pessoas viventes e bem ativas.

Também é digno de nota que na versão A Bíblia na Linguagem de Hoje, da Sociedade Bíblica do Brasil, encontramos as seguintes declarações nesse capítulo: “Porei respiração dentro de vocês e os farei viver de novo”; “porém não havia respiração nos corpos” e “Homem mortal, profetize para o vento . . . para soprar sobre esses corpos mortos a fim de que vivam de novo”. Uma nota de rodapé explica: “Vento: a mesma palavra hebraica pode significar espírito, ou respiração, ou fôlego, ou vento”. Essa palavra hebraica é ruach, a mesma de Eclesiastes 12:7—”E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.

Para reforçar ainda mais essa concepção da restauração dos que morreram à vida, temos estas palavras no texto transcrito do profeta Ezequiel: “Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu”.

Portanto, os elementos básicos que formam esse exército sob o comando do Senhor procedem das sepulturas, sem qualquer menção a almas oriundas seja do lugar que for no universo. O fôlego é adicionado aos componentes reconstituídos de carne e ossos, e a vida é restaurada. Mais uma vez percebam—nenhuma menção a qualquer alma imortal sendo reintegrada aos seres para que vivam.

Ora, se solicitássemos a uma pessoa que creia na imortalidade da alma que descrevesse como se daria uma ressurreição, sem dúvida o componente “alma imortal” seria até o mais importante de todos para transmitir vida a quem jazia morto. Contudo, em parte alguma das Escrituras, nem no começo, nem no fim, nem pelo meio do relato bíblico, consta tal coisa. Daí que quando Jesus conversava com as irmãs enlutadas, por ocasião da morte de Lázaro, não as consolou dizendo coisa alguma sobre ele estar na glória, como é a crença popular. A ênfase da conversação deles é a FUTURA ressurreição dos mortos por todo o capítulo 11 de João. Daí Jesus poder dizer sem deixar margem a dúvida:

“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em Mim, nunca morrerá. Crês tu isto?” — João 11:25, 26.

Mais uma vez percebemos a ênfase, não em que a vida eterna depende de um elemento imaterial, imortal, no homem, mas no crer em Cristo para poder ressuscitar, pois somente assim, “ainda que esteja morto, viverá”.


Nada No Fim da História Humana
Se nada consta das Escrituras indicando a introdução de uma “alma imortal” na criação do homem, o que dizer do seu fim? A Bíblia apresenta o reencontro final de Cristo com Seus remidos, e Paulo detalha como se dará a ressurreição dos mortos. Nem das palavras de Cristo, nem das detalhadas explicações de Paulo sobre como será o reencontro ao final entre Cristo e Seus remidos aparece o mínimo indício de almas imortais vindas seja de onde for no imenso universo para reincorporarem e retornarem à vida. Vejamos estas passagens:

“Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. . . . Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação”.— João 5:25, 28 e 29.

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. — João 14:1-3.

Claramente se percebe por tais palavras que os salvos “ouvirão a voz do Filho de Deus” e daí “viverão”. Eles estavam “nos sepulcros”, não no céu, ou qualquer outro local do universo. Dizer que eram os corpos que estavam nos sepulcros somente não faz sentido dentro do teor global do que é dito. Jesus fala de INDIVÍDUOS, não de corpos de indivíduos. E Ele prometeu que as moradas que foi preparar estariam disponíveis a esses salvos procedentes das sepulturas. Não diz que ocupariam essas “moradas” quando eles morressem e suas almas fossem para o céu, mas quando voltasse para Suas palavras terem cumprimento: “vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também”. Tudo indica que esse estar junto com Cristo passa-se, não quando almas vão para o céu na morte, e sim quando Cristo voltar e os anjos dos céus partirem para recolher os Seus escolhidos, como outro texto bíblico deixa por demais claro:

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”. — Mateus 24:30, 31.

O apóstolo Paulo o confirma claramente, acentuando sua esperança de obter o galardão eterno “naquele dia” da volta de Cristo, e não quando sua alma supostamente fosse para o céu por ocasião da morte:

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”. — Filipenses 3:20, 21.

[Conclui no quadro seguinte]


Última edição por em 2/13/2008, 01:19, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   1/13/2008, 18:45


[Conclusão do estudo]

Paulo confirma esta sua ardente expectativa em 2 Timóteo 4:6-8 ao falar do tempo de sua partida, que estava próximo:

“Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”.

Na descrição detalhada que faz dos acontecimentos finalíssimos da história humana, com a ressurreição dos mortos e encontro com o Senhor, confirma-se a perspectiva de que somente então é que os indivíduos ressuscitados (não meramente seus corpos) encontrar-se-ão com o Salvador, e com toda a comunidade de demais remidos no Senhor:

“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”.—1 Tess. 4:13-18.

E em 1 Coríntios 15, praticamente todo o capítulo é dedicado a esse tema. Vejamos alguns textos do mesmo:

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” — 1 Coríntios 15:51-55.

Fica por demais claro por tais palavras que não há qualquer noção de almas vindas do céu ou seja de onde for para reincorporarem. Ademais, a própria linguagem de toque de trombetas, voz do Senhor, para despertar “os que dormem em Cristo” não dá margem a imaginar almas vindo, já perfeitamente despertas, reunindo-se a seus corpos procedentes do pó da terra, para daí saírem dessa condição por tais convocações solenes.

E a ressurreição é quando a morte é derrotada, não quando as almas saem dos cadáveres, prevalecendo em existência eterna. Nesse caso, a doutrina da imortalidade da alma contradiz a declaração paulina de que “tragada foi a morte na vitória”. E essa vitória é a da ressurreição dos mortos, não o fator “imortalidade” contida na “alma” de um indivíduo.

Os versos 12-19 de 1 Coríntios 15 aplicam um golpe de morte sobre as teses de imortalidade da alma:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”.

E reforçando o que é aí dito, temos o vs. 32:

“Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos”.

Observemos bem as implicações do que acima é exposto:

a) Haverá ressurreição dos mortos porque o próprio Cristo ressuscitou, como evidência de tal possibilidade.

b) Se não tivesse havido a ressurreição de Cristo, a pregação do evangelho e a fé dos crentes seria vã.

c) E se não fosse o fato da ressurreição, confirmada e garantida pela do próprio Cristo, “os que dormiram em Cristo pereceram”.

d) Se “pereceram”, é porque a ressurreição não se teria dado, e a pregação do evangelho fora “vã”, uma vez que os mortos em Cristo não estariam desfrutando a vida, e sim mortos no pó da terra. Também, segundo o vs. 32, a melhor opção seria aproveitar hedonisticamente esta vida: “comamos e bebamos, que amanhã morreremos”.

Estas passagens claramente são uma refutação da tese de que os que “dormem em Cristo” estão em algum lugar, já garantidos pela eternidade. Qual nada, se não fosse o fato da ressurreição, ressaltado pelo contexto, teriam perecido. A ênfase de todo o contexto inegavelmente jaz no tema dominante do capítulo—a ressurreição dos mortos no dia da volta de Jesus.

Paulo claramente indica que o seu desejo de “partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fil. 1:23) se concretizará, não quando sua alma fosse para o céu, mas quando da ressurreição dos mortos. É estranho que se a expectativa dele refletida no princípio de Filipenses envolvesse a posse de uma “alma imortal”, isso não mereça mais elaboração na mesma epístola, pelo capítulo 3, vs. 20, e na detalhada descrição do encontro final dos remidos com o Salvador em 1 Tessalonicenses 4, vs 13 em diante, e todo o capítulo 15 de 1 Coríntios.

Assim, amigos, basta permitir que o texto das Escrituras flua normalmente, sem forçar o sentido com suposições extra-escriturísticas que tudo se torna claro. Não há “alma imortal” alguma retratada nas Escrituras nem no começo, nem no fim da existência humana. Esta é a verdade bíblica. O que passa disso é de origem suspeita, sobretudo quando temos declarada na Bíblia a primeira mentira de Satanás sobre este planeta aos nossos primeiros pais: “É certo que não morrereis”. Gên. 3:4.



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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   2/12/2008, 20:49

O termo "nephesh" ocorre no Velho Testamento 754 vezes e os seus três usos principais são:

1) Alma Como Uma Pessoa Necessitada

No seu livro da maior autoridade e atualidade Anthropology of the Old Testament [Antropologia do Velho Testamento] que é virtualmente indisputável entre eruditos de várias persuasões teológicas, Hans Walter Wolff intitula o capítulo sobre a alma como “nephesh-Homem Necessitado”. A razão para esta caracterização de nephesh como “homem necessitado” torna-se evidente quando se lêem os muitos textos que retratam nephesh-alma em situações perigosas em proporções de vida e morte.

Sendo que Deus foi quem fez o homem “uma alma vivente” e que sustém a alma humana, os hebreus quando em perigo apelavam a Deus para livrar suas almas, ou seja, suas vidas. Davi orou: “livra do ímpio a minha alma [nephesh]”; “por amor da Tua justiça, tira da tribulação a minha alma [nephesh]” (Sal. 143:11). O Senhor merece ser louvado, “pois livrou a alma [nephesh] do necessitado da mão dos malfeitores” (Jer. 20:13).

As pessoas tinham grande temor por suas almas [nephesh] (Jos. 9:24) quando outros estavam buscando suas almas [nephesh] (Êxo. 4:19; 1 Sam. 23:15). Ele tiveram que fugir por suas almas [nephesh] (2 Reis 7:7) ou defender suas almas [nephesh] (Est. 8:11); se não o fizessem, suas almas [nephesh] seriam totalmente destruídas (Jos. 10:28, 30, 32, 35, 37, 39). “A alma que pecar, essa morrerá” (Eze. 18:4, 20). Raabe pediu aos dois espias israelitas que salvassem sua família falando em termos de “livrareis as nossas vidas [almas-VKJ] da morte” (Jos. 2:13). Nesses casos, é evidente que a alma que estava em perigo e necessitava ser livrada era a vida do indivíduo.

A alma experimentava perigo não só dos inimigos, mas também da falta de alimento. Ao lamentar o estado de Jerusalém, Jeremias declarou: “Todo o povo anda gemendo e à procura de pão; deram eles as suas cousas mais estimadas a troco de mantimento para restaurar as forças [alma-nephesh, VKJ] (Lam. 1:11). Os israelitas resmungavam no deserto porque não tinham mais carne como antes no Egito. “Agora, porém, seca-se a nossa alma [nephesh], e nenhuma cousa vemos senão este maná” (Núm. 11:6).

O jejuar tinha implicações para a alma porque interrompia nutrimento de que carecia a alma. No Dia da Expiação os israelitas eram ordenados: “afligireis as vossas almas” (Lev. 16:29) pelo jejum. Eles se abstinham de comida para demonstrar que suas almas dependiam de Deus tanto para o nutrimento físico quanto para a salvação espiritual. “Muito apropriadamente”, escreve Tory Hoff, “eles [os israelitas] eram solicitados a jejuar no Dia da Expiação porque suas almas é que eram expiadas mediante o derramamento de sangue [de uma alma inocente] e era o Deus providencial que sustinha a alma, a despeito do pecado da alma”.

O tema do perigo e libertação associado com a alma [nephesh] permite-nos ver que a alma no Velho Testamento era vista, não como um componente imortal da natureza humana, mas como a condição incerta e insegura da vida que às vezes era ameaçada de morte. Essas situações que envolviam intenso perigo e libertação recordavam aos israelitas que eles eram almas [nephesh] necessitadas, pessoas com vida cuja existência dependia constantemente de Deus para proteção e livramento.


2) A Alma Como Sede das Emoções

Sendo o princípio animador da vida humana, a alma também atuava como o centro de atividades emocionais. Ao falar da sunamita, 2 Reis 4:27 diz: “A sua alma [nephesh] está em amargura”, Davi clamou ao Senhor buscando livramento de seus inimigos, dizendo: “A minha alma [nephesh] está profundamente perturbada . . . . Volta-Te, Senhor, e livra a minha alma [nephesh]” (Sal. 6:3, 4).

Enquanto as pessoas estavam esperando pela libertação de Deus, suas almas perdiam vitalidade. Tory Hoff faz notar que “em vista de que o salmista amiúde escrevia em face de sua experiência [de perigo], os Salmos incluem sentenças tais como ‘desfalecia neles a alma’ (Sal. 107:5), ‘a minha alma de tristeza verte lágrimas’ (Sal. 119:28), ‘desfalece-me a alma, aguardando a Tua salvação’ (Sal. 119:81), ‘minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor’ (Sal. 84:2), e ‘no meios destas angústias, desfalecia-lhes a alma’ (Sal. 107:26). Jó indaga: ‘Até quando afligireis a minha alma. . .?’ (Jó 19:2). Também era a alma que esperaria por livramento. ‘Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa’ (Sal. 62:1). ‘Aguarda o Senhor, a minha alma O aguarda’ (Sal. 130:5).

Sendo que o hebreu sabia que todo o livramento procedia de Deus, sua alma tomaria ‘refúgio’ em Deus (Sal. 57:1) e ‘tem sede de Deus’ (Sal. 42:2; 63:1). Uma vez tenha passado o perigo e a natureza intensa, precária da situação houvesse findado, a alma louvaria a Deus pela libertação recebida. ‘Gloriar-se-á no Senhor a minha alma’ (Sal. 34:2). ‘E minha alma se regozijará no Senhor, e se deleitará na sua salvação’ (Sal. 35:9)”.

Estas passagens que falam da alma como sede da emoção são interpretadas por alguns dualistas como apoiando a noção da alma como uma entidade imaterial ligada ao corpo e responsável pela vida emocional e intelectual do indivíduo. O problema com essa interpretação é, como explica Tory Hoff, que “a alma é a ‘sede da emoção’ não mais do que qualquer outro termo antropológico hebraico”. Veremos que a alma é somente um centro de emoções porque o corpo, o coração e os rins, e outras partes do corpo também funcionam como centros emocionais. Do ponto de vista holístico bíblico da natureza humana, uma parte do corpo pode muitas vezes representar o todo.

Wolff corretamente observa que o conteúdo emocional da alma é igualado ao eu da pessoa e não é uma entidade independente. Ele cita, como exemplo, o Salmo 42:5, 11 e 43:5 em que se encontra o mesmo cântico de lamento e auto-exortação: “Por que estás abatida, ó minha alma? por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei”. “Aqui”, Wolff escreve, “nephesh [alma] é o eu da vida necessitada, sedenta de desejo”. Nada há nestas passagens que sugira que a alma é uma parte imaterial da natureza humana que está equipada com personalidade e consciência e é capaz de sobreviver à morte. Notaremos que a alma morre quando o corpo morre.


3) A Alma Como Sede da Personalidade

A alma [nephesh] é vista no Velho Testamento não somente como a sede das emoções, mas também como a sede da personalidade. A alma é a pessoa como um indivíduo responsável. Em Miquéias 6:7 lemos: “Darei o meu primogênito pela minha transgressão? o fruto do meu corpo pelo pecado da minha alma [nephesh]?” A palavra hebraica traduzida aqui por “corpo” é beten, que significa barriga ou ventre. O contraste aqui não é entre corpo e alma. Ao comentar este texto, Dom Wulstan Mork escreve: “O sentido não é que a alma seja uma causa humana do pecado, com o corpo como o instrumento da alma. Antes, o nephesh, a pessoa viva integral, é a causa do pecado. Portanto, neste verso, a responsabilidade pelo pecado é atribuída à nephesh como a pessoa”.

Encontramos a mesma idéia em vários textos que discutem o pecado e a culpa. “Quando alguém [“uma alma-nephesh”-VKJ] pecar por ignorância . . .” (Lev. 4:2); “Quando alguém [“uma alma-nephesh”-VKJ] pecar nisto. . . levará a sua iniqüidade” (Lev. 5:1); “Mas a pessoa [“alma-nephesh-VKJ] que fizer alguma cousa atrevidamente . . . tal pessoa [“alma-nephesh”-VKJ] será eliminada do meio do seu povo” (Núm. 15:30). “Eis que todas as almas [nephesh] são minhas; . . . a alma [nephesh] que pecar, essa morrerá” (Eze. 18:4). É evidente que em textos como estes, a alma é a pessoa responsável que pensa, deseja e deve responder por sua conduta.

Qualquer atividade física era empreendida pela alma porque tal atividade presumia uma pessoa vivente, pensante e ativa. “O hebraico não dividia e atribuía atividades humanas. Qualquer ato era da nephesh completa em ação, daí, da pessoa integral”. Como adequadamente expressa W. D. Stacey, “nephesh sofria, tinha fome, e pensava porque cada uma dessas funções requeria a personalidade integral para realizá-la, e a distinção entre o emocional, físico e mental não era feita”.

No Velho Testamento a alma e o corpo são duas manifestações da mesma pessoa. A alma inclui e presume o corpo. “De fato”, escreve Mork, “os antigos hebreus não podiam conceber uma sem a outra. Aqui não havia a dicotomia grega de alma e corpo, de duas substâncias opostas , mas uma unidade, homem, que é bashar [corpo] de um aspecto e nephesh [alma] de outro. Bashar, pois, é a realidade concreta da existência humana, nephesh é a personalidade da existência humana”.

A concepção neotestamentário é, eminentemente, também a veterotestamentária. Mas eu vou deixar pra postar o estudo mais tarde, se for necessário, pois este tópico já está ficando muito grande.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   2/12/2008, 20:50

O termo "nephesh" ocorre no Velho Testamento 754 vezes e os seus três usos principais são:

1) Alma Como Uma Pessoa Necessitada

No seu livro da maior autoridade e atualidade Anthropology of the Old Testament [Antropologia do Velho Testamento] que é virtualmente indisputável entre eruditos de várias persuasões teológicas, Hans Walter Wolff intitula o capítulo sobre a alma como “nephesh-Homem Necessitado”. A razão para esta caracterização de nephesh como “homem necessitado” torna-se evidente quando se lêem os muitos textos que retratam nephesh-alma em situações perigosas em proporções de vida e morte.

Sendo que Deus foi quem fez o homem “uma alma vivente” e que sustém a alma humana, os hebreus quando em perigo apelavam a Deus para livrar suas almas, ou seja, suas vidas. Davi orou: “livra do ímpio a minha alma [nephesh]”; “por amor da Tua justiça, tira da tribulação a minha alma [nephesh]” (Sal. 143:11). O Senhor merece ser louvado, “pois livrou a alma [nephesh] do necessitado da mão dos malfeitores” (Jer. 20:13).

As pessoas tinham grande temor por suas almas [nephesh] (Jos. 9:24) quando outros estavam buscando suas almas [nephesh] (Êxo. 4:19; 1 Sam. 23:15). Ele tiveram que fugir por suas almas [nephesh] (2 Reis 7:7) ou defender suas almas [nephesh] (Est. 8:11); se não o fizessem, suas almas [nephesh] seriam totalmente destruídas (Jos. 10:28, 30, 32, 35, 37, 39). “A alma que pecar, essa morrerá” (Eze. 18:4, 20). Raabe pediu aos dois espias israelitas que salvassem sua família falando em termos de “livrareis as nossas vidas [almas-VKJ] da morte” (Jos. 2:13). Nesses casos, é evidente que a alma que estava em perigo e necessitava ser livrada era a vida do indivíduo.

A alma experimentava perigo não só dos inimigos, mas também da falta de alimento. Ao lamentar o estado de Jerusalém, Jeremias declarou: “Todo o povo anda gemendo e à procura de pão; deram eles as suas cousas mais estimadas a troco de mantimento para restaurar as forças [alma-nephesh, VKJ] (Lam. 1:11). Os israelitas resmungavam no deserto porque não tinham mais carne como antes no Egito. “Agora, porém, seca-se a nossa alma [nephesh], e nenhuma cousa vemos senão este maná” (Núm. 11:6).

O jejuar tinha implicações para a alma porque interrompia nutrimento de que carecia a alma. No Dia da Expiação os israelitas eram ordenados: “afligireis as vossas almas” (Lev. 16:29) pelo jejum. Eles se abstinham de comida para demonstrar que suas almas dependiam de Deus tanto para o nutrimento físico quanto para a salvação espiritual. “Muito apropriadamente”, escreve Tory Hoff, “eles [os israelitas] eram solicitados a jejuar no Dia da Expiação porque suas almas é que eram expiadas mediante o derramamento de sangue [de uma alma inocente] e era o Deus providencial que sustinha a alma, a despeito do pecado da alma”.

O tema do perigo e libertação associado com a alma [nephesh] permite-nos ver que a alma no Velho Testamento era vista, não como um componente imortal da natureza humana, mas como a condição incerta e insegura da vida que às vezes era ameaçada de morte. Essas situações que envolviam intenso perigo e libertação recordavam aos israelitas que eles eram almas [nephesh] necessitadas, pessoas com vida cuja existência dependia constantemente de Deus para proteção e livramento.


2) A Alma Como Sede das Emoções

Sendo o princípio animador da vida humana, a alma também atuava como o centro de atividades emocionais. Ao falar da sunamita, 2 Reis 4:27 diz: “A sua alma [nephesh] está em amargura”, Davi clamou ao Senhor buscando livramento de seus inimigos, dizendo: “A minha alma [nephesh] está profundamente perturbada . . . . Volta-Te, Senhor, e livra a minha alma [nephesh]” (Sal. 6:3, 4).

Enquanto as pessoas estavam esperando pela libertação de Deus, suas almas perdiam vitalidade. Tory Hoff faz notar que “em vista de que o salmista amiúde escrevia em face de sua experiência [de perigo], os Salmos incluem sentenças tais como ‘desfalecia neles a alma’ (Sal. 107:5), ‘a minha alma de tristeza verte lágrimas’ (Sal. 119:28), ‘desfalece-me a alma, aguardando a Tua salvação’ (Sal. 119:81), ‘minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor’ (Sal. 84:2), e ‘no meios destas angústias, desfalecia-lhes a alma’ (Sal. 107:26). Jó indaga: ‘Até quando afligireis a minha alma. . .?’ (Jó 19:2). Também era a alma que esperaria por livramento. ‘Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa’ (Sal. 62:1). ‘Aguarda o Senhor, a minha alma O aguarda’ (Sal. 130:5).

Sendo que o hebreu sabia que todo o livramento procedia de Deus, sua alma tomaria ‘refúgio’ em Deus (Sal. 57:1) e ‘tem sede de Deus’ (Sal. 42:2; 63:1). Uma vez tenha passado o perigo e a natureza intensa, precária da situação houvesse findado, a alma louvaria a Deus pela libertação recebida. ‘Gloriar-se-á no Senhor a minha alma’ (Sal. 34:2). ‘E minha alma se regozijará no Senhor, e se deleitará na sua salvação’ (Sal. 35:9)”.

Estas passagens que falam da alma como sede da emoção são interpretadas por alguns dualistas como apoiando a noção da alma como uma entidade imaterial ligada ao corpo e responsável pela vida emocional e intelectual do indivíduo. O problema com essa interpretação é, como explica Tory Hoff, que “a alma é a ‘sede da emoção’ não mais do que qualquer outro termo antropológico hebraico”. Veremos que a alma é somente um centro de emoções porque o corpo, o coração e os rins, e outras partes do corpo também funcionam como centros emocionais. Do ponto de vista holístico bíblico da natureza humana, uma parte do corpo pode muitas vezes representar o todo.

Wolff corretamente observa que o conteúdo emocional da alma é igualado ao eu da pessoa e não é uma entidade independente. Ele cita, como exemplo, o Salmo 42:5, 11 e 43:5 em que se encontra o mesmo cântico de lamento e auto-exortação: “Por que estás abatida, ó minha alma? por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei”. “Aqui”, Wolff escreve, “nephesh [alma] é o eu da vida necessitada, sedenta de desejo”. Nada há nestas passagens que sugira que a alma é uma parte imaterial da natureza humana que está equipada com personalidade e consciência e é capaz de sobreviver à morte. Notaremos que a alma morre quando o corpo morre.


3) A Alma Como Sede da Personalidade

A alma [nephesh] é vista no Velho Testamento não somente como a sede das emoções, mas também como a sede da personalidade. A alma é a pessoa como um indivíduo responsável. Em Miquéias 6:7 lemos: “Darei o meu primogênito pela minha transgressão? o fruto do meu corpo pelo pecado da minha alma [nephesh]?” A palavra hebraica traduzida aqui por “corpo” é beten, que significa barriga ou ventre. O contraste aqui não é entre corpo e alma. Ao comentar este texto, Dom Wulstan Mork escreve: “O sentido não é que a alma seja uma causa humana do pecado, com o corpo como o instrumento da alma. Antes, o nephesh, a pessoa viva integral, é a causa do pecado. Portanto, neste verso, a responsabilidade pelo pecado é atribuída à nephesh como a pessoa”.

Encontramos a mesma idéia em vários textos que discutem o pecado e a culpa. “Quando alguém [“uma alma-nephesh”-VKJ] pecar por ignorância . . .” (Lev. 4:2); “Quando alguém [“uma alma-nephesh”-VKJ] pecar nisto. . . levará a sua iniqüidade” (Lev. 5:1); “Mas a pessoa [“alma-nephesh-VKJ] que fizer alguma cousa atrevidamente . . . tal pessoa [“alma-nephesh”-VKJ] será eliminada do meio do seu povo” (Núm. 15:30). “Eis que todas as almas [nephesh] são minhas; . . . a alma [nephesh] que pecar, essa morrerá” (Eze. 18:4). É evidente que em textos como estes, a alma é a pessoa responsável que pensa, deseja e deve responder por sua conduta.

Qualquer atividade física era empreendida pela alma porque tal atividade presumia uma pessoa vivente, pensante e ativa. “O hebraico não dividia e atribuía atividades humanas. Qualquer ato era da nephesh completa em ação, daí, da pessoa integral”. Como adequadamente expressa W. D. Stacey, “nephesh sofria, tinha fome, e pensava porque cada uma dessas funções requeria a personalidade integral para realizá-la, e a distinção entre o emocional, físico e mental não era feita”.

No Velho Testamento a alma e o corpo são duas manifestações da mesma pessoa. A alma inclui e presume o corpo. “De fato”, escreve Mork, “os antigos hebreus não podiam conceber uma sem a outra. Aqui não havia a dicotomia grega de alma e corpo, de duas substâncias opostas , mas uma unidade, homem, que é bashar [corpo] de um aspecto e nephesh [alma] de outro. Bashar, pois, é a realidade concreta da existência humana, nephesh é a personalidade da existência humana”.

A concepção neotestamentário é, eminentemente, também a veterotestamentária. Mas eu vou deixar pra postar o estudo mais tarde, se for necessário, pois este tópico já está ficando muito grande.
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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   2/12/2008, 20:51

O termo traduzido em Gn 2.7 como "alma vivente", do hebraico "nephesh hayyah", também é aplicado aos animais em Gênesis 1.20, 21, 24 e 30; 2.19; 9.10, 12, 15, 16; Lv 11.46. Todos estes textos têm a mesma designação no hebraico de nephesh hayyah para os animais, mas foram traduzidos no Almeida como "criatura vivente". Por que não traduziram a mesma expressão da mesma forma? Porque já se partiu para o texto com o pressuposto do conceito pagão de alma.

Assim, a utilização do termo "alma" no Antigo Testamento é estranha ao seu contexto e só serve para inserir ali conceitos ideológicos e teológicos que não fazem parte da concepção de mundo do texto.

Uma boa tradução é aquela utilizada pela Bíblia de Jerusalém que aplica "ser vivente" a todas as passagens onde ocorre o "nephesh hayyah". Assim, homens e animais são seres viventes, que foram formados do mesmo pó da terra (Gn 2.7 e 2.19) e receberam o mesmo sopro nas narinas (Gn 2.7 e 7.22).

Dessa forma, não há como defender no Antigo Testamento qualquer referência a uma parte imortal do ser humano que, pela influência grega, especialmente do platonismo, convencionou-se a chamar de "alma".

A parte racional e criativa do ser humano é fruto da "imago Dei" que lhe foi outorgada na Criação. Qualquer tentativa de elucubração além disso é extorsão, estupro do texto!
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MensagemAssunto: Re: Reflexões Sobre Natureza e Destino Humanos   8/3/2010, 03:43


O QUE VEM A SER "O BICHO QUE NUNCA MORRE"?
O texto de Marcos 9:48 é ótimo para se definir, de uma vez por todas, a tão debatida e incompreendida questão do castigo dos réprobos. Na verdade eu o considero o texto-chave para entender esse debate.

Basta acentuar que Ele NÃO FALA em "alma" que não morre, e sim em "bicho" que não morre. Ora, alma é alma e bicho é bicho.

Perguntei a um grande defensor de imortalidade da alma como entender por que Jesus não falou de "alma" que não morre e ele confessou que não sabia dizer. Pois é bem fácil. Basta comparar tal passagem com Isaías 66:24:

"E sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne".

Pronto, aí está a fonte das palavras de Cristo. Ele está se valendo da mesma metáfora de Isaías, recorrendo à mesma HIPÉRBOLE, ou seja, a linguagem poeticamente exagerada para pintar com cores mais fortes o cenário que o autor está descrevendo.

Isaías acentua o horror das multidões de inimigos de Deus mortos ao final, com seus cadáveres comidos pelos bichos que aparentemente NUNCA MORREM, ou não morrem até consumirem suas carnes. Para um israelita a maior desonra era morrer e ficar insepulto, comido por vermes ao ar livre.

Jesus faz uma comparação com a destruição final, valendo-se da mesma FIGURA HIPERBÓLICA do profeta, falando claramente em CADÁVERES, não em "almas".

A hipérbole é um exagero de linguagem para propósitos retóricos, como se dá com o hino nacional brasileiro na parte que diz: "Pátria amada, IDOLATRADA". Só que literalmente ninguém idolatra a pátria, coisa nenhuma, (e nem deve. . .)
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